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Julio C. Caruso/ipcdigital.com
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“Esse filme fala de uma coisa que é muito mais universal do que a carreira do Zezé e do Luciano. Ele fala de relações humanas, de sonhos e principalmente de amor”
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Até o filme 2 Filhos de Francisco se consagrar sucesso de crítica e de público dentro e fora do Brasil, o nome de Breno Silveira era ainda pouco conhecido pelo grande público. Apesar do filme ser o primeiro longa dele, Breno está longe de ser considerado uma "cara nova no pedaço".
Formado em fotografia de Cinema pela École Louis Lumiére Vaugirard de Paris (França) ele já foi responsável pela fotografia de mais de dez longas. Mas Breno não parou por aí. Ele já fez documentários, musicais, videoclipes e até comerciais de TV. Venceu mais de dez Video Music Awards da MTV e em 2002 foi eleito o melhor diretor de publicidade pela Associação Brasileira de Propaganda. No ano passado, recebeu o prêmio do júri popular no Festival de Havana (Cuba) e foi consagrado diretor revelação no Festival de Palm Springs (EUA).
O filme 2 Filhos de Francisco, que conta a história de Zezé de Camargo e Luciano e que levou mais de 5,3 milhões de brasileiros às salas de cinema, estréia em 17 de março no Japão com o título Furanshisuko no Futari no Musuko (clique no ícone para ver o trailer). Breno está no país para trabalhar na divulgação do longa. A reportagem do International Press esteve com ele e, numa conversa bem descontraída, este carioca de 42 anos e pai de duas filhas, mostrou o quanto valores como "família" e "amor" são importantes na vida de qualquer pessoa independente da nacionalidade. Breno exaltou o Brasil e o povo brasileiro e revelou que lamenta muito pela imagem do Brasil que é vendida pelos filmes que fazem sucesso pelo mundo.
O filme já foi exibido em vários países e inclusive com sucesso nos Estados Unidos e Alemanha. Qual a sua expectativa em relação ao filme no Japão?
Eu não sei porque mas eu estou com a sensação de que esse filme vai dar certo aqui. Talvez isso se deva ao fato que está acontecendo aqui, que é a discussão da família. Me pareceu bem presente para todas as pessoas. Como o filme fala de um valor que está esquecido aqui no Japão e que é muito forte na nossa cultura, eu acho que o filme vai um pouco de contraponto do que estão se falando aqui sobre família, de que as relações estão desgastadas e vai inclusive botar em xeque a necessidade dela existir. A gente faz parte dos laços que a gente cria que são muito importantes e o filme reforça muito isso.
Normalmente os filmes brasileiros exibidos fora do Brasil são filmes com imagens de um Brasil pobre, repleto de criminalidade, a julgar, por exemplo Central do Brasil e Cidade de Deus. Você fez o filme com a intenção de mudar esse rumo?
Não. As pessoas de festival ainda querem uma imagem de terceiro mundo que acho que é diferente. É muito raro ver um filme que sai do Brasil que tenha essa imagem positiva não só do país como do ser humano. Eu acho o Central do Brasil uma obra prima, mas como brasileiro isso me dói porque nosso povo tem valores tão importantes, tão fortes que a gente mesmo não se dá conta. Eu mesmo me dei conta dos valores que estão nesse filme porque passei muito tempo fora do Brasil. Eu estudei na França para cinema e lembro que eu sentia falta disso. Falta dessa coisa positiva que a gente tem. Essa coisa de mesmo no buraco estar afim de dar a volta por cima e ter sempre esperança. Isso faz parte do brasileiro.
E como é a história do conselho que você recebeu do também diretor Hector Babenco com relação ao seu filme ser ou não voltado para festivais de cinema?
É uma história engraçada. Eu encontrei com o Babenco no aeroporto e disse a ele que eu iria tentar o Oscar e depois tentar Cannes. Aí ele me disse: "Sabe o que acontece com seu filme? Ele tem um final feliz. O pessoal de festival gosta de filmes com final triste. Se eles (a dupla) ganhassem dinheiro, ficassem famosos e acabassem bêbados gastando tudo em bebida, seu filme ia ser um sucesso. Ou se a família ganhasse dinheiro e ela toda brigasse pelo dinheiro e acabasse, seu filme iria receber todos os prêmios do mundo.
Sabemos que você chegou a se recusar a gravar um filme que poderia servir de propaganda para uma dupla famosa. E que você só topou por ter se encantado pela história do pai. Valeu a pena ter mudado o foco do filme?
Era até uma encomenda meio maluca porque eu era do Rio de Janeiro e os caras de Goiás. Eu não tinha muito a ver com essa cultura. Não tenho nenhum preconceito com música, mas não era uma música que eu escutava. Recusei sim . Várias vezes. Mas quando conheci o Francisco, falei "peraí, eu tenho que fazer esse filme". E foi bom que com essa pequena guinada, o filme conseguiu atingir fãs e não-fãs. O filme a princípio ia ter muito pouca sala no Rio de Janeiro porque é onde existe o maior índice de rejeição à música sertaneja. Acabou que foi a região que mais deu dinheiro no Brasil. Nos grandes centros o filme teve mais públicos que no interior. O público deles é muito grande mas ter atingido também quem não é fã da dupla é o grande mérito deste filme. Eu acredito que a mensagem dele e a emoção que ele traz tenha conquistado esse público. A verdade da emoção do filme é o pega. Ele consegue ser emocionante sem ser piegas.
Site japonês do filme: http://2sons.gyao.jp/