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Publicado em  06/10/2006 18:50

Tigarah: a musa japonesa do funk

A cantora Tigarah trouxe para o Japão o ritmo das “tchuchucas“ e “cachorras“ cariocas

- Roberto Maxwell especial para ipcdigital.com

Divulgação
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Tigarah ficou apaixonada pelo Brasil. “Os brasileiros adoram dançar, beber e comer. Acho que eles sabem mesmo como aproveitar a vida”, elogia.

O funk carioca, definitivamente, atravessou as fronteiras do Brasil. Há cerca de dois anos, a cantora M.I.A. Surpreendeu o mundo, via Londres, com o single Buck Done Gun, um batidão de primeira. Pouco depois, DJ Marlboro, o maior divulgador do estilo, viu sua agenda estourar de convites para mostrar o baile funk fora do território nacional. A onda conquistou a Europa e os Estados Unidos e está chegando de mansinho no Japão. A cantora Yuko Takabatake, 24 anos, é uma prova disso. Tigarah, como a moça é mais conhecida, é a primeira musa do funk no Japão.

Ela, que lançou seu primeiro trabalho exclusivamente na internet, conta, excitada, como conheceu o funk. "Foi numa festa na casa de um amigo brasileiro. A coisa bateu em mim e me trouxe inspiração", lembra ela, que abandonou uma possível carreira de cientista política para se tornar cantora. Não muito diferente do que sente a maioria dos jovens brasileiros, Tigarah se decepcionou quando, ainda na universidade, percebeu que os políticos não trabalhavam de um jeito que lhe parecia honesto. Encontrou na música o que buscava: uma forma de contribuir por um mundo melhor e de fazer as pessoas felizes.

O funk é, na verdade, uma das muitas referências no som de Tigarah, que passa pelo eletro e pelo hip hop, com o intuito de fazer uma música para dançar, mas sem se distanciar da abordagem de temas sociais, dentre eles a realidade do imigrante brasileiro no Japão. Sem saber, Tigarah resgata um lado do estilo que ficou de lado com o estouro de artistas como Tati Quebra-barraco que fazem um som mais erotizado. Aliás, a sensualidade foi outro ponto que chamou a atenção da moça, principalmente em sua passagem pelo Brasil. "É uma coisa quente e louca", disse ela referindo-se ao modo de dançar das brasileiras.

Tigarah ficou apaixonada pelo Brasil. "Os brasileiros adoram dançar, beber e comer. Acho que eles sabem mesmo como aproveitar a vida", elogia. "Temos muito o que aprender com o Brasil."Apesar de ter ido a algumas festas na sua passagem pelo Rio e São Paulo, a cantora não conhecia gírias do funk como cachorra, tchutchuca e tigrona. Após as devidas definições e um monte de risos, a cantora diz que é "às vezes tchutchuca, às vezes cachorra". "Depende do clima e do cara", completa ela, com mais risos.

De mudança para Los Angeles, Tigarah prepara seu primeiro álbum, já que até agora só tinha lançado suas músicas na internet (ouça em www.tigarah.net). Jogar as músicas na rede foi uma estratégia. "As pessoas passam mais tempo na frente do computador que vendo TV", constata a funkeira, que viu o número de fãs crescer depois que criou um perfil no MySpace, um dos mais famosos sites de relacionamentos da web.

Tigarah canta em japonês e reconhece que, fora da comunidade brasileira, o funk ainda não tem muitos fãs no Japão. Mas ela acredita que isso está mudando e que, em breve, mais e mais discos vão tocar o ritmo brasileiro. "Sabia que os japoneses iam gostar do funk", diz ela, orgulhosa de ter sido uma das primeiras a divulgar o estilo no Japão.

Shows no Brasil estão nos planos da cantora. "Ainda não sei quando mas, com certeza, vou estar por lá", sonha a funkeira.



¨LETRAS


"Isto é sobre a sortuda Matila/ que está se divertindo em Tóquio/ mas os pais dela trabalham numa fábrica no interior/ e sempre ajudam sua família no Brasil./ É um forte laço latino./ A família dela no Brasil comprou pão hoje com esse dinheiro" (Trecho de Roppongi-Dori)


"Quando você dobra a esquina/ pode ver mais uma favela,/ os garotos correndo sem sapatos/ o cheiro de maconha não sai desde a madrugada/ e você ouvir alguém rindo/ em algum lugar./ Esta é uma bela cidade/ Rio, Brasil/ A favela acordou mais uma vez" (Trecho de The Game In Rio)


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