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Osny Arashiro/ipcdigital.com
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Gaviões da Fiel - Japão, fiéis até no Japão
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O ex-meia Marcelinho Carioca, para comprovar seu amor ao clube, dizia que a camisa do Corinthians era a sua "segunda pele". E como tal, para torcedores dos Gaviões da Fiel - Japão, as juras de amor ao clube é eternizada na própria pele, através de tatuagens.
Tatuar, dói! Mas nada se compara à dor de 2007. De desesperado a rebaixado, essa longa travessia encerrou com o Timão ancorado na Série B do Campeonato Brasileiro. De nada adiantou as garras dos Gaviões, as preces para São Jorge e a bravura dos Mosqueteiros. Segundona!!!
Para os três líderes da torcida Gaviões da Fiel - Japão, Cleiton Kamiya, Xarelli e Roberson, "este será o ano em que vamos mostrar a força da torcida corintiana". Para tanto, a frase em cartões-eletrônicos diz tudo: "A queda de um gigante é sempre mais importante que a vitória dos medíocres".
Campeão Mundial de Clubes-Fifa 2000, tetracampeão do Brasileiro e 25 vezes campeão paulista, o Corinthians não quer viver só de história, mas o rebaixamento é uma página que a torcida pretende rasgar dos livros.
"No dia seguinte à queda do Corinthians, eu e um monte de corintianos não foram trabalhar. Dois dias depois, os colegas olhavam para a minha cara e viam minha tristeza então me respeitavam. As piadinhas do rebaixamento só começaram uma semana depois, quando o coração já estava mais refeito", recorda Kamiya.
"Aqui no Japão, as lideranças de outras torcidas pediram para não zoar com os Gaviões da Fiel - Japão, mas sim com o time. Ninguém tirou barato dos Gaviões, mas sim do Corinthians", garante Kamiya. "Então dá para cumprir um acordo de cavalheiros em determinada situações".
"No dia do rebaixamento, eu chorei. Mas o Klebão, o Xarelli, todo mundo chorou também. Depois de uma semana, quando nos encontramos, choramos juntos, isso marcou bastante".
"O fanatismo corintiano já nasce com a gente, por isso temos a fama de Fiel. Na época em que o Corinthians ficou sem títulos durante 23 anos, foi quando a nossa torcida mais cresceu. O Corinthians pode estar na Segunda ou na Terceira divisão, sempre vamos estar torcendo. Por isso somos chamados de Fiel, esse é o grande diferencial nosso em relação às demais torcidas", enfatiza.
Para os Gaviões da Fiel - Japão, distantes da arquibancada do Pacaembu, o drama do outro lado do mundo não dura somente 90 minutos, mas uma jornada completa de yakin (trabalho noturno) ou de hirukin (diurno). Se um for trabalhar e não poder escutar o jogo pela internet, o outro se compromete a passar mail informando sobre o resultado. "No jogo Corinthians e Guarani, pelo Paulistão, eu fui trabalhar então um amigo colocou seu celular ao lado do computador, sintonizou a emissora e fiquei ouvindo a narração do jogo pelo celular", lembra Kamiya.
"Ser campeão da Segundona vai ser uma grande honra", sonham os Gaviões.
Disputar a Segunda Divisão não é demérito em campeonato nenhum. Pelos quatro cantos do mundo, os grandes times também honraram a Segundona. O Atlético-MG, o Grêmio, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, não receberam perdão. E na Itália, só a Inter de Milão nunca caiu. O Milan, Juventus, Fiorentina, Lazio, Napoli, todos tropeçaram, mostrando que o campeonato não termina em pizza.
Olympique de Marselha, o Mancheter United, time mais rico do mundo caiu em 1974, Liverpool caiu cinco vezes e até o Urawa Reds Diamond, de Saitama, rebaixado em 1999, foi terceiro lugar no Mundial de Clubes-Fifa.
Gavião, o predator dos céus, quer alçar vôos mais altos em 2008. E jogando futebol nas quatro linhas, sem tapetão, pretende a todo custo, comprovar que entre o céu e a terra, só existe São Jorge.
O programa Agenda + (Globo Internacional) exibiu uma matéria especial com o Gaviões da Fiel - Japão. Acompanhe o vídeo clicando o ícone abaixo da foto.