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Publicado em  26/04/2008 1:49

Desafios para a manutenção do crescimento e sustentabilidade

Agropecuária brasileira passa por uma nova etapa em seu desenvolvimento

Brasil , São Paulo - ipcdigital.com

"A agropecuária brasileira passa por uma nova etapa em seu desenvolvimento, com novos desafios para a manutenção de seu crescimento e sustentabilidade. Passado o período mais acentuado de dificuldades das safras 2003/04, 2004/05 e 2005/06, os produtores brasileiros tiveram um ano bem mais favorável em 2007, ano este que representou um ponto de inflexão e retomada dos investimentos. No entanto, 2007 não ficará marcado apenas como o ano da reversão das dificuldades. Ele será lembrado também pelas marcantes mudanças estruturais no mercado de /commodities/ agrícolas, que definiram um novo cenário para a agricultura mundial, assim como, um novo período de transformação e desenvolvimento para o agronegócio brasileiro.

A afirmação foi feita por Fábio Meirelles, Presidente da FAESP, no seu discurso, baseado no estudo técnico "Desafios para a Gestão 2008-2012", durante a posse solene da diretoria da instituição para a gestão 2008- 2012, realizada ontem (23) em São Paulo, com a presença de mais de 450 pessoas entre autoridades, lideranças rurais e convidados. Na mesma oportunidade, também foram empossados os membros das mesas diretoras da FAESP, que são órgãos de assessoria da instituição, e os componentes dos Conselhos- Administrativo e Consultivo do SENAR/SP. O ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, foi representado pelo Presidente da CONAB, Wagner Rossi. Estiveram presentes os Presidentes das Federações de Agricultura e Pecuária dos Estados do Amazonas,

Eurípedes Ferreira Lins; Distrito Federal, Renato Simplício Lopes; Roraima, Almir Morais Sá; Paraíba, Mário Antonio Pereira Borba; Pernambuco, Pio Guerra Júnior; Sergipe, Eduardo Silveira Sobral; Ademar Silva Júnior, de Mato Grosso Do Sul e o vice presidente da instituição no Piauí, Sérgio Luiz Bortoloto. enviaram mensagens de Apoio Álvaro Arthur Lopes de Almeida, de Alagoas.Macel Félix Caixeta, de Goiás, foi representado por Dirceu Cortes, diretor secretário e pelo superintendente Claudinei Rigorto. A Famato enviou dois representantes, Normando Corral, Vice Presidente e Carlos Carvalho Souza, superintendente do Senar.

Em seu pronunciamento, Meirelles frisou que a opção dos EUA de investir na produção de etanol a partir de milho, decerto, foi um dos fatores determinantes da nova perspectiva no mercado agrícola mundial.

"A baixa produtividade e eficiência do milho na produção de álcool exigem uma grande expansão da área cultivada, em detrimento da produção de outros grãos, como soja e algodão, por exemplo. Como os EUA são um dos principais competidores do mercado mundial, o movimento deste país repercutiu em praticamente todo o mundo,elevando os preços de grãos, fibras, óleos e insumos agrícolas para patamares superiores às suas médias históricas".

Mas- salientou- não podemos também esquecer que existem outros fatores co-responsáveis pela elevação dos preços agrícolas no mercado internacional; entre eles, o preço do petróleo. "Para se ter uma idéia, há dez anos atrás, o barril de petróleo era vendido próximo a15 dólares e, nos dias de hoje, já ultrapassou a marca histórica de 118 dólares, impactando também os custos de produção; como, por exemplo, os preços de fertilizantes que, nos últimos 12 meses,subiram cerca de 140% no mercado internacional."

Disse que, segundo o índice de preços dos alimentos da revista The Economist, criado em 1845, os preços dos alimentos já atingiram o seu pico em termos nominais. "O incremento do índice, em termos reais,descontado o efeito da inflação média no período, evidencia que estamos diante de um novo cenário, pois os preços se elevaram 75% desde 2005. No Brasil, esse fenômeno só não é mais perceptível devido à taxa de câmbio que, pela valorização do Real, amorteceu a escalada dos preços internacionais".

Contradição

Fábio Meirelles também ressaltou que a despeito dos ajustes conjunturais no mercado internacional, "ao invés de se instigar à contradição "alimentos versus biocombustíveis", esforços precisam ser empreendidos no sentido de eliminar os entraves à produção, reduzir as barreiras e subsídios agrícolas e fomentar os mecanismos de apoio e desenvolvimento à agricultura mundial, de modo que ela atenda,simultaneamente, as variadas necessidades da população, quais sejam: disponibilidade de alimentos e bioenergia, geração de empregos e renda".

Afirmou não existir dicotomia entre a produção de alimentos e etanol e que cana-de-açúcar não se transformará em uma monocultura no País. "Dados irrefutáveis conduzem a esta certeza, pois a cana ocupa apenas 2% da área plantada do País. Desse volume, 86% estão na região Sudeste. Com o chamado "boom" do álcool, certamente esta área será expandida para várias regiões. Mas o setor está atento à necessidade de "regramentos" para que este crescimento não seja feito aleatoriamente.

Disse que, no Brasil, a expansão da cana-de-açúcar tem se dado praticamente em áreas de pastagem ou degradadas. "Para produzir 21 bilhões de litros de álcool, nesta safra, o Brasil ocupa uma área de 3,5 milhões hectares, extensão muito menor que os 220 milhões de hectares dedicados às pastagens. Ou seja, temos área para plantar lavouras de culturas tanto da agricultura energética e quanto de

abastecimento, sem ser necessário derrubar as nossas florestas"

Preços agrícolas

Destacou ainda ser necessário aproveitar o momento de preços agrícolas em elevação para cortar a dependência dos países desenvolvidos por subsídios, que criam distorções comerciais e impedem o incremento da renda em países em desenvolvimento, principalmente, nos mais pobres. "Tendo em vista que as atividades agrícolas respondem por 2/3 dos postos de trabalho nos países em desenvolvimento e que nesses países, 50% a 60% da renda é dirigida à compra de alimentos, há uma grande oportunidade para, ao mesmo tempo, reduzir subsídios espúrios, elevar a renda de países pobres e evitar impactos negativos no consumo e alimentação das populações desses países".

Salientou que a correção dessas políticas mantidas pelos países desenvolvidos contribuirá para estabelecer um ambiente de competição e desenvolvimento mais justo, voltado para o mercado. "Assim,poderemos construir um ambiente propício para, de forma duradoura,reduzir a miséria nos países em desenvolvimento, garantindo-lhes condições efetivas de consolidação de suas atividades econômicas,pois, estas sim, são capazes de elevar a produção e reduzir os preços dos alimentos para combater a fome, gerar renda e desenvolvimento sustentável

Frisou que, no plano nacional, as prioridades são bem mais

objetivas. "As reformas que precisamos na legislação tributária e trabalhista, a adequação das políticas fundiária e de meio ambiente, e o aprimoramento dos instrumentos de política agrícola são, há bastante tempo, apontados pela FAESP como entraves ao desenvolvimento da agropecuária paulista e nacional.


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