O setor supermercadista faturou, em 2007, 6% a mais do que no ano anterior. Trata-se do maior crescimento em dez anos. Nossas vendas alcançaram a cifra de R$ 136,3 bilhões, representando 5,2% do Produto Interno Bruto do país. Esses resultados fazem parte do 31º Ranking Abras, estudo realizado pela Abras, com o apoio da empresa de pesquisa Nielsen. O desempenho recorde dos supermercados é fruto do trabalho árduo do nosso setor em prol do desenvolvimento econômico e social do Brasil: a cada ano aumentam os investimentos, o que se reflete na geração de empregos. Os supermercados de todo o país empregam hoje uma força de trabalho de 868 mil pessoas - todas legalizadas, com carteira assinada. Sem contar os cerca de dois milhões de colaboradores indiretos. Somos - com muito orgulho - um dos setores que mais empregam em todo o Brasil.
Os números do Ranking mostram também a importância do setor supermercadista para a sociedade brasileira. Somos o principal canal de distribuição de alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza do Brasil. Exatamente por isso, o setor supermercadista é um termômetro preciso do desempenho da economia e do processo de inclusão social proveniente do aumento da renda (fenômeno observado graças à entrada da classe C no mercado de consumo). Para isso, contribui a enorme capilaridade do setor. Das grandes redes às pequenas mercearias, há supermercados em cada canto do país. São 74,6 mil lojas e 180,9 mil check-outs, espalhados do Oiapoque ao Chuí.
No ritmo de crescimento que o setor vem apresentando no início de 2008, é de se esperar que novos recordes - de faturamento, de empregos, de acesso aos alimentos aos mais necessitados - sejam superados. Até março, o Índice Nacional de Vendas, da Abras, o principal indicador de desempenho dos supermercados, já acumula uma alta real de 10,3%. Para que esse crescimento seja sustentável ao longo dos anos, temos investido fortemente no país. Em 2007, foram mais de R$ 2,5 bilhões, empregados na construção de novas lojas, em reformas, na aquisição de tecnologias e de serviços mais avançados para os clientes. Em um processo de consolidação do setor - que apresenta um dos mais baixos índices de concentração do mundo -, as grandes redes foram às compras. As três principais aquisições, em 2007, movimentaram mais de R$ 3 bilhões.
Destaque também para o aumento na participação das unidades que têm entre 251m² e 1000m². Em 2006, elas representavam 26% do total de lojas. Hoje, são 31,6%. Sinal da mudança no perfil de consumo da população. As compras do mês, essenciais na época de inflação galopante e cujo formato mais adequado é o hipermercado, deu lugar às compras de conveniência. Para corroborar a percepção de que o brasileiro está consumindo mais, a cesta de perecíveis frescos, cujos produtos têm maior valor agregado, aumentou sua participação no faturamento para 18,1%, contra 14,7% em 2006. Os brasileiros também passaram a pagar muito mais suas compras com dinheiro. Depois de quatro anos em queda - foi responsável por 28% do faturamento em 2006 -, o pagamento em dinheiro representou 35% do faturamento em 2007. Sinal de que o brasileiro está com mais dinheiro vivo na mão. Bom para a sociedade, já que se diminuem (um pouco) as diferenças sociais, bom para a indústria, que vai produzir mais, bom para o varejo, que vende mais e, claro, bom para milhões de brasileiros que saem da penúria em direção a uma vida mais digna.
*Sussumu Honda é presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras)