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O casal japonês vive o "boom do sexo lento" (slow sex boom) e uma melhora na qualidade e frequência dos encontros amorosos, segundo revelou o "Documento do Amor", elaborado pela revista Anan entre 1.354 pessoas entre 17 e 39 anos de idade.
O documento serviu para determinar o comportamento entre os japoneses, levando em conta opiniões básicas sobre a sexualidade como, lugar, frequência e quanto se gasta nos encontros, o tempo dedicado ao sexo até motivos de divórcio e infelidade, entre outros.
Os resultados foram analisados pelo psiquiatra Yasufumi Nagoshi - figura conhecida na mídia japonesa - e Maya Harada, famosa escritora de romances.
A MULHER JAPONESA BUSCA SEU LUGAR
Para as mulheres japonesas o amor significa paz, uma forma de compensar as exigências do trabalho e a solidão desde que se tornaram independentes da proteção familiar, disse o psiquiatra Nagoshi. "A mulher busca sua própria identidade no relacionamento e exige seu espaço, mas mostra que não é capaz de suportar a solidão e por isso prolonga os laços com a mesma pessoa."
Maya, por sua vez, destacou a baixa frequência da procura das mulheres pelos seus parceiros. Mas não dramatiza: "para elas não importa a quantidade de vezes que se encontram com o parceiro. Durante a ausência dedicam-se a preparar o próximo encontro. Concentram-se na escolha da roupa e gastam o tempo se produzindo. No final, o tempo que deixam de ver o namorado é para se tornarem mais bonitas e atraentes."
A opinião de Maya coincide com o aumento nas vendas de cosméticos e higiene pessoal no Japão. A previsão é de que em 2006 esse setor movimentará um mercado de US$ 6 bilhões, incentivado em grande parte pelos encontros entre casais.
Cerca de 70% dos casais marcam encontros mais de uma vez por semana, um fato elogiado pelo psiquiatra Nagoshi. "É importante como batalham para se encontrar durante a semana, principalmente se os dois trabalham. É o amor", disse.
Outro fator positivo é que entre os casais modernos, a divisão dos gastos é equilibrada. "Antes não era assim. Os homens pagavam tudo", disse Maya.
MAIS TEMPO PARA O SEXO
A escritora destacou o tema sexual, que nos últimos dez anos mudou bastante. "Hoje, o primeiro beijo e o sexo acontecem mais cedo. Além disso, o número de pessoas com quem a mulher manteve relação sexual coincide com o do parceiro."
Nagoshi acrescentou que o tempo dedicado ao ato sexual dura mais do que antes. Cerca de 53% dos entrevistados afirmaram dedicar quase uma hora para o sexo. "Não é algo que termina em 15 minutos, mas dura o suficiente para melhorar a comunicação. Com mais tempo para o encontro, aumenta a oportunidade de entender o pensamento do parceiro", disse.
Para Maya, o Japão vive hoje o "slow sex boom" - a moda do sexo lento -, com a valorização da tranquilidade em meio a uma sociedade na qual todos vivem apressados. "O casal atual vive melhor sua sexualidade", completou.
Das mulheres que participaram da pesquisa:
| casadas | 166 |
| moram com o parceiro | 75 |
| têm namorado | 459 |
| não têm namorado | 307 |
| total | 1.007 |