|
Agência Brasil
|
|
Brasília - O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, participa do Encontro Nacional de Direitos Humanos 2007, que debate segurança pública, justiça e cidadania. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr
|
|
|
Representantes do movimento negro reuniram-se ontem (27, no Brasil) em Brasília para entregar aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal 100 mil assinaturas favoráveis à votação e aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.
Antes da entrega das assinaturas na Câmara, os representantes se manifestaram em frente da sala do presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT - SP), com frases "Cotas sim!", referindo-se à universidades, e "Estatuto, já!" Já dentro da sala de Chinaglia, eles voltaram a entoar gritos de ordem.
As manifestações dos ativistas geraram um desentendimento com Chinaglia, que admitiu tê-los repreendido. Os manifestantes, por sua vez, disseram ter sido "desrespeitados" por ele. Mais tarde, o deputado relatou aos repórteres o que teria dito na ocasião: "Vocês estão prejudicando a luta de vocês. Qual é a idéia que vai passar? É que vocês estão tentando, no grito, impor ao presidente da Casa qualquer que seja a atitude".
O coordenador do Movimento Brasil Afirmativo do Fórum SP da Igualdade Racial, Dojival Vieira, afirmou que o movimento espera um "pedido de desculpas" de Chinaglia. "O senhor Arlindo Chinaglia receberá a resposta do povo negro brasileiro. Ele não sabe que o nosso povo não cala a boca e que não se diz "cala a boca" àqueles que sustentaram o nosso país."
A assessoria de Chinaglia admite que ele "chamou a atenção" dos manifestantes, mas nega que ele lhes tenha mandado "calar a boca". Aos jornalistas, mais tarde, Chinaglia explicou que estava tinha uma reunião agendada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que não teria horário para atender o movimento negro. "Eu avisei que não tinha tempo, mas mesmo assim os recebi, tendo em vista a dimensão que representa a luta por igualdade no Brasil", disse Chinaglia.
À tarde, em audiência pública realizada no Senado sobre preconceito racial, o senador Paulo Paim (PT-RS) lamentou a postura de Chinaglia. "Foi lamentável a reação intempestiva e desnecessária do companheiro do meu partido. Fiquei muito chateado e muito triste. Estou há 21 anos no Congresso e nunca vi nada semelhante a isso", disse.
O senador disse que não presenciou a discussão: "Eu cheguei no momento que ele [Chinaglia] estava mandando um dos advogados calar a boca e achei constrangedor." Segundo Paim, no momento ele pediu para os integrantes do movimento se retirarem do local.
No final da tarde, o movimento negro entregou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), as 100 mil assinaturas. O movimento defende a aprovação do projeto de lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial. Além desse, há a proposta que fixa cotas em instituições federais de ensino superior. Ambas as matérias tramitam na Câmara dos Deputados.
Na última terça-feira, Chinaglia já havia tido um desentendimento com ativistas do movimento quilombola.
Ainda segundo sua assessoria, Chinaglia deve marcar um horário com os representantes do movimento negro para os próximos dias, a fim de ouvir suas reivindicações.