O Governo brasileiro tomará medidas para conter a apreciação do real e evitar a perda de competitividade com outros países que desvalorizaram suas divisas "artificialmente", disse na quarta-feira (15) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
"Estamos atentos. Não podemos permitir que outras moedas artificialmente desvalorizadas ganhem espaço", disse Mantega em um ato com empresários no Rio de Janeiro.
Sem citar medidas concretas, o ministro reiterou que o Brasil "não vai ficar parado" diante das iniciativas que, segundo ele, foram empreendidas por países asiáticos, Estados Unidos e Europa.
"O Japão fez um movimento forte para impedir a valorização do iene, mas parece que é algo orquestrado com outras economias asiáticas. O que está por trás disso nós não sabemos, mas há uma pré-disposição asiática para manter as moedas desvalorizadas", analisou.
O real alcançou, na terça-feira (14), o décimo dia de alta consecutivo, que levou o dólar a ser cotado a R$ 1,708 na taxa de câmbio comercial, um valor recorde neste ano.
Em discurso na semana passada, Mantega explicou que está sendo registrada uma "forte" entrada de capitais estrangeiros no Brasil por fatores especulativos, pelo alto volume de crédito no mercado interno e pela iminente ampliação de capital da Petrobras.
O fortalecimento do real é um dos principais fatores que explicam a abrupta queda do superávit comercial que o Brasil está vivendo este ano.
Entre janeiro e agosto, o país acumulou um superávit de US$ 11,673 bilhões, valor 41,3% inferior ao do mesmo período de 2009, segundo dados mais recentes.
Este balanço reflete o rápido crescimento das importações, que atingiram 45,7% nestes oito meses contra o pior ritmo das exportações, que aumentaram 28%.