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Publicado em  19/06/2008 0:11

Brasil quer reatar parceria com o Japão

Brasil quer aproveitar centenário da imigração para se reaproximar do Japão

Brasil , Brasília - Agência Brasil

O governo brasileiro quer aproveitar as comemorações do centenário da imigração japonesa para se reaproximar do país e aprofundar as relações bilaterais. Na avaliação do subsecretário-geral político II do Ministério das Relações Exteriores, Roberto Jaguaribe, tais relações foram negligenciadas nas últimas décadas.

"Do ponto de vista político e diplomático dos interesses imediatos, e até de médio e longo prazo, não se trata apenas de comemoração. Trata-se também do relançamento de uma parceria que sempre foi importante e que teve seu ápice a partir dos anos 70 e 80, mas que, em função de razões múltiplas, perdeu a sua relevância relativa ao longo dos últimos anos", afirmou hoje (16) o embaixador.

"Acredito que inicialmente o processo tenha sido mais por responsabilidade nossa", reconheceu Jaguaribe, lembrando da dificuldade brasileira de fazer pagamentos na década de 80. O Japão acabou entrando na moratória brasileira de pagamento da dívida externa. Nos anos 90, quando o Brasil abriu as portas para investimentos estrangeiros, o Japão passava por um período de crise econômica. "O Japão saiu do segundo lugar como maior investidor estrangeiro e foi para baixo da lista", lembrou.

Passados os problemas conjunturais, Jaguaribe garante que o governo federal está disposto a dar novo impulso às relações econômico-comerciais - de olho em um mercado que é hoje o maior importador do mundo de produtos agrícolas. A expectativa é de que o intercâmbio comercial bilateral passe da casa de US$ 12 bilhões em 2008. No ano passado, as trocas totalizaram US$ 8,9 bilhões, com pequeno déficit brasileiro de US$ 287 milhões. Para se ter uma idéia, o intercâmbio com os Estados Unidos, nosso principal parceiro comercial, foi de US$ 43,7 bilhões em 2007.

Jaguaribe também aposta no crescimento dos investimentos recíprocos. Segundo ele, a Petrobras já é um investidor importante no Japão e pretende instalar uma refinaria naquele país. Por outro lado, há expectativa quanto à construção, pelo Japão, de uma fábrica de semicondutores no Brasil. O empreendimento faz parte do pacote negociado entre os dois países na época da escolha, pelo governo brasileiro, do sistema japonês de TV digital.

De acordo com o embaixador, também estão em negociação acordos políticos em áreas como educação e previdência para facilitar o dia a dia dos cerca de 300 mil brasileiros que vivem no japão - terceira maior comunidade brasileira no exterior.

"Não apenas é uma retomada na quantidade e qualidade no nível da relação, mas também uma relação diferente. A assimetria desenvolvimentista que existia nas décadas anteriores continua existindo hoje, mas de forma muito mais atenuada, e a relevância relativa de cada país no contexto internacional mudou dramaticamente", ponderou o embaixador. "Hoje vejo uma relação com um nível de paridade muito maior do que existia antes.".

Como parte das comemorações do centenário da imigração japonesa, o Príncipe Naruhito chega amanhã (17) ao Brasil. Na quarta-feira (18), ele será recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, onde ocorrerá o lançamento de selo e moeda alusivos à data, além da entrega de medalha a personalidades que contribuíram para o aprimoramento das relações bilaterais. Ainda em Brasília, Naruhito terá audiências no Senado e na Câmara e jantar com o presidente Lula no Itamaraty. Naruhito também visitará os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O presidente Lula irá ao Japão no começo de julho, para participar da reunião do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia), mas não está prevista agenda bilateral.


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