Brasil


Publicado em  28/09/2010 10:27

Brasil reitera que tomará medidas contra "guerra" da taxa de câmbio

Países estariam manipulando suas divisas para baixar o preço de seus produtos para o mercado externo

Brasil - Efe

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou na segunda-feira (27) que o Governo vai tomar medidas para evitar os efeitos do que denominou "guerra" da taxa de câmbio empreendida por China, Japão, Estados Unidos e União Europeia.

"Estas políticas monetárias que os países asiáticos usaram e que agora os países avançados estão seguindo levam a uma depreciação das moedas. Vivemos praticamente uma guerra de câmbio", sentenciou o ministro em discurso perante empresários em São Paulo.

Mantega assegurou que esta "depreciação generalizada" de divisas "ameaça" o Brasil porque diminui a competitividade dos produtos fabricados no país, já que os estrangeiros chegam ao mercado local com um preço melhor.

"A questão do câmbio não tem nada a ver com competitividade, supõe colocar uma mercadoria no mercado de forma artificial", opinou o responsável pela política econômica do Brasil, que há três semanas anuncia que vai tomar medidas para conter a valorização do real frente ao dólar.

Mantega disse que a intervenção do mercado de câmbio será realizada quando acabar o processo de ampliação de capital da Petrobras, que atraiu um grande volume de divisas ao país.

O ministro rejeitou a possibilidade de taxar os investimentos estrangeiros e assegurou que "poderia tomar medidas" para elevar os tributos às aplicações em renda fixa e aos investimentos a curto prazo.

"Não posso anunciar medidas agora, mas temos várias que podem ser tomadas, não nos falta arsenal", comentou.

Estas novas medidas acompanhariam à compra em massa de dólares que o Banco Central realiza nas últimas semanas, o que elevou as reservas internacionais do Brasil para US$ 270 bilhões, um valor recorde, segundo dados oficiais.

O ministro argumentou que o mercado brasileiro se manteve "elevado" apesar da crise, o que o transformou em "muito atrativo" para as manufaturas estrangeiras pela fraqueza da Europa e dos EUA, cujo poder de compra continua baixo.

"Todos querem disputar o mercado brasileiro. Não é justo que outros se beneficiem por nós termos conseguido manter o mercado local elevado. Temos que ser mais duros na política 'antidumping' (ação realizada para proteger os mercados internos da concorrência externa)", manifestou.


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