Brasil


Publicado em  07/08/2010 9:20

Confronto morno entre presidenciáveis marca primeiro debate na TV

O destaque ficou nos temas de economia e saúde, quando os dois principais candidatos deixaram claro quem é governo e que é oposição

Brasil - Reuters

Não foi um fla-flu, como muitos esperavam. O debate inaugural entre os presidenciáveis não teve ataques pessoais entre candidatos.

Houve muita cautela até para discordar do adversário. Confronto mais direto ficou nos temas de economia e saúde, quando os dois principais candidatos deixaram claro quem é governo e que é oposição.

No debate promovido pela Rede Bandeirantes na quinta-feira (5), a petista Dilma Rousseff, dona da candidatura governista e em primeiro lugar nas recentes pesquisas, foi o alvo preferencial do adversário tucano, José Serra, em segundo na preferência do eleitor.

Todas as suas perguntas se dirigiram a ela. Ele criticou os juros altos, a carga tributária e o aparelhamento do Estado. Também garantiu que vai "estatizar" as empresas que já são do governo no sentido de retirar as nomeações políticas que ele acusa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de praticar. Citou diretamente os Correios.

Dilma criticou qualquer iniciativa de baixar os juros de forma "artificial" e revelou ser contra "spreads bancários elevados", utilizando termo pouco compreensível a uma audiência popular.

"Nós não somos aqueles que falamos que vamos rever contratos", alfinetou a petista, ao mencionar tendência já manifestada por Serra para alguns casos.

A associação da ex-chefe da Casa Civil com o governo foi citada pelos adversários e pela própria petista. No entanto, Dilma citou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas três vezes, a primeira delas às 23h20, uma hora e 20 minutos após o início do confronto, quando citava o programa Luz para Todos.

Enquanto Dilma buscou se relacionar ao que existe de positivo no Executivo petista, Serra a intitulou como a "ministra forte" do governo ao enumerar o que considera os pontos fracos da gestão do presidente Lula, pontuando a área de infraestrutura.

Dilma estreou o primeiro debate de sua vida política tentando vincular o opositor com o governo Fernando Henrique Cardoso, de quem foi ministro, ao comparar números do emprego.

Serra disse não fazer "política com retrovisor", que preferia falar de futuro.

"Acho muito confortável que a gente esqueça o passado. Não é prudente", revidou a ex-ministra, puxando o debate para esse terreno.

Ele evitou a armadilha do "plebiscito" com uma gestão popular, e criticou o apagão em áreas da infraestrutura para criticar a falta de investimento do governo federal em portos, rodovias e aeroportos. Fez isso citando exemplos pontuais de dificuldades em municípios e Estados do país, de modo a se aproximar do eleitor desses locais.

"Hoje andar em estradas federais é um perigo público", enfatizou ele.

A candidata do PV, Marina Silva, adotou um comportamento de neutralidade no confronto da TV. Muitos previam que ela se aliasse a Serra contra Dilma, o que não ocorreu. Ora a candidata do PV inquiria o tucano; ora a ex-colega de partido.

Plinio de Arruda Sampaio, do PSOL, o francoatirador da noite, se autodeclara o candidato contra a desigualdade social. Em dado momento, ele reclamou da polarização do debate entre Dilma e Serra.

"Se vocês dois fizerem o blocão, eu vou fazer bloquinho com a Marina. Eu quero ser perguntado, uai", disse Plinio.

Não poupou nem Marina. Chamou-a de "ecocapitalista." "Ouvindo você falar aqui, dá impressão que você é do PT."

"Aqui eu vejo um bom mocismo, tudo pode ser conciliado".

Serra insistiu em questionar Dilma sobre a realização pelo governo dos mutirões de cirurgias que implantou quando foi ministro da área.

Ele criticou o fato de o atual governo ter parado com o programa de mutirões preventivos e de cirurgias, entre elas as de catarata e as de próstata.

"O governo (Lula) parou com os mutirões. Isso é uma crueldade", afirmou o tucano.

Dilma respondeu não ser contra esses mutirões, mas afirmou que eles não podiam ser características de um programa mais amplo sobre a saúde. "Considero que temos diferenças de encarar sobre o que precisa ser feito na saúde", afirmou.

O tucano cercou mais Dilma. Questionou a petista sobre programas para portadores de deficiência e a deixou na defensiva.

"O Ministério da Educação quis proibir a Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de ensinar. Mais ainda, cortou a ajuda em transporte para que as crianças possam ir à escola."

"Foi o seu governo...Não sei como você, como ministra muito forte, deixou que isso acontecesse."

A pesquisa CNT/Sensus divulgada na quinta-feira mostrou Dilma com 41,6 por cento das intenções de voto, enquanto Serra apareceu com 31,6 por cento. Marina teve 8,5 por cento.


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COMENTÁRIOS
sen (Sábado, 7 de Agosto de 2010, 15:44:00) x 189
COMO SE COMPORTOU JOSÉ SERRA NA CONSTITUINTE

a) votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas;
b) votou contra garantias ao trabalhador de estabilidade no emprego;
c) votou contra a implantação de Comissão de Fábrica nas indústrias;
d) votou contra o monopólio nacional da distribuição do petróleo;
e) negou seu voto pelo direito de greve;
f) negou seu voto pelo abono de férias de 1/3 do salário;
g) negou seu voto pelo aviso prévio proporcional;
h) negou seu voto pela estabilidade do dirigente sindical;
i) negou seu voto para garantir 30 dias de aviso prévio;
j) negou seu voto pela garantia do salário mínimo real;

Fora Dilma! Fora Serra!
panflenet@hotmail.com (Sábado, 7 de Agosto de 2010, 9:25:58) x 958
Prova de que o pais esta mais politizado...
Pena... Dilma pode ate ser boa embalagem Mercadologica,
Porque a Marca Lula esta por tras,
Mas o Serra... e bem competente para colocar novamente o
Brasil dentro de uma estrutura Macro Mundi...
em detrimento politicagem e carisma do Lula,
Reconheco nao sou Lula, mas colocou o Brasil dentro
do Cenario Mundial,
Alias o Mundo esta Falido ! ! !
Lei da Globalizacao nao Funcionou bem...

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