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Publicado em  07/11/2007 19:54

Cotas para exibição de desenhos animados brasileiros

Autor do Projeto de Lei diz que animações no Brasil são atualmente exclusivamente estrangeiras

Brasil , Brasília - Agência Brasil

Agência Brasil
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Brasília - Deputado Vicentinho (PT-SP) participa de audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, que discute a criação de cotas para exibição de desenhos produzidos no país. Foto: Marcello Casal Jr/ABr

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados realizou hoje (6, no Brasil) uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei 1821/03, que cria cotas para a transmissão de desenhos animados brasileiros.

Para o autor do PL, deputado Vicentinho (PT-SP), as animações exibidas no país, além de serem exclusivamente estrangeiras, retratam o Brasil de forma preconceituosa.

"Sou negro, mas meus heróis não eram negros, porque na TV não existem heróis negros". Ele também criticou a quantidade de cenas de violência nos desenhos, filmes e videogames estrangeiros veiculados nas emissoras brasileiras.

Na avaliação dele, a produção de animações nacionais é fundamental para a valorização da cultura brasileira. "Nós aprendemos a ver as histórias dos outros. Nós devemos conhecê-las, mas também temos que olhar a nossa".

Entretanto, o consultor da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Carlos Eduardo Rodrigues, disse que a medida pode prejudicar as emissoras.

De acordo com ele, a principal rede comercial de TV do país exibe conteúdo nacional em 91% da programação. E que 60% da programação infantil dessa emissora é de origem nacional. "Impor cotas significa intervir em uma função vital das TVs privadas: a de definir a programação segundo o interesse do público".

Para o diretor do Centro Tecnológico do Audiovisual (CTAV) do Ministério da Cultura, José de Araripe, o projeto vai aquecer o mercado nacional e contribuir para a formação educacional das crianças.

Araripe lembrou que, embora muitos profissionais brasileiros de animação trabalhem em estúdios internacionais, é preciso criar um pólo nacional de produção. "Nossos talentos estão indo embora porque não têm oportunidade aqui".

Entre os objetivos, segundo o deputado Elismar Prado (PT-MG), está o incentivo à produção nacional de desenhos animados e à formação de cidadão conscientes. "Só vamos mudar a nossa sociedade através da formação de cidadãos mais críticos e mais exigentes em seus direitos. Para isso, precisamos educar melhor as nossas crianças".

O projeto estabelece percentuais mínimos graduais. Pela proposta, no quinto ano de implementação da lei, 50% das transmissões de animações devem ser de origem nacional.

Segundo o relator da matéria, a cota ainda será discutida pela comissão e, posteriormente, com profissionais da área.


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