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Cedida/ipcdigital.com
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Por conta do emprego do marido, Yoko se mudou com a família para o Brasil há três anos e vive uma história contrária a que os brasileiros vivem no Japão
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Yoko Matsumura passaria a vista de todos como uma dona de casa japonesa comum, mas ela é muito mais do que isso. Por conta do emprego do marido em uma grande empresa de importação e exportação ela se mudou com a família para o Brasil há três anos e vive uma história contrária a que vivemos no Japão.
Essa não é a primeira vez que a família passa um tempo “fora de casa”. Quando a filha mais velha do casal tinha apenas oito meses, eles viveram alguns anos no Chile e lá viram a família crescer com o nascimento da segunda filha, que ganhou o nome de “Esperança”.
Agora, o desafio de morar fora do país é mais delicado, pois as crianças são adolescentes e a preocupação com a educação delas pesa em todas as decisões. Yoko procurou a melhor opção para continuar a educar suas filhas em terras estrangeiras e não se queixa de gastar cerca de R$ 5 mil por mês – por filha – para que elas tenham o melhor. “A educação que elas recebem é muito boa”, justifica a japonesa que dá um exemplo de superação e integração a ser seguido por todos nós.
A NOTÍCIA DA IDA AO BRASIL
Minhas duas filhas não gostaram da novidade. Na época, a mais velha tinha 15 anos e estava no terceiro ano do chuugakko. Meu marido acabou viajando sozinho, mas chegamos à conclusão que a família deveria ficar unida. Nossa filha mais velha chorava muito, se trancava no quarto e não queria conversar. A mais nova me ajudou a convencer a irmã e, depois de oito meses, partimos em direção ao Brasil para encontrarmos meu marido.
A CHEGADA
Estranhei quando cheguei no aeroporto de Guarulhos porque não parecia ser um aeroporto internacional. Depois, no caminho para nossa casa, passamos por alguns lugares que nos deixaram um pouco assustadas. Mas quando nos aproximamos do bairro do Paraíso, onde moramos, a paisagem mudou, os lugares eram mais bonitos, e ficamos mais tranquilas.
DONA DE CASA
Duas vezes por semana uma pessoa faz a limpeza da casa. Eu cozinho todos os dias, faço comida japonesa. A cidade tem muitas lojas de produtos japoneses e, graças aos imigrantes que lá formaram uma colônia sólida e de confiança, não sinto que as pessoas tenham preconceito ou que reparem em mim. Ando pelas ruas como se eu fosse brasileira.
EDUCAÇÃO
Saímos do Japão no final de fevereiro, quando faltavam duas semanas para o fechamento do ano letivo. Quando chegamos no Brasil comecei a buscar uma escola para elas. As escolas japonesas que encontrei só tinham cursos equivalentes aos três anos do chuugakko. Então a opção que encontrei para a mais velha acabou sendo uma escola internacional britânica de São Paulo. Como as irmãs não queriam se separar, matriculamos ambas na escola internacional.
TERREMOTO
No dia 11 de março eu levantei às 5h30 para preparar o café e quando liguei a TV (no canal da NHK) não pude acreditar no que vi. A família de meu marido é de Sendai e demorou até conseguirmos notícias deles. Depois disso me senti desanimada, mas a participação em uma ação de mães japonesas para arrecadar doações para a Cruz Vermelha do Japão me ajudou muito na época.
EXPERIÊNCIA
Hoje minhas filhas sabem que existem diferentes costumes, pessoas aparentemente diferentes, mas que somos todos seres humanos. Não temos fronteiras.
Atualmente elas expressam muito mais suas opiniões, o que não acontecia antes, quando só conheciam a sociedade japonesa. Elas estão aprendendo que se expressar não é feio e acredito que isso seja bom para o futuro.
PARA OS BRASILEIROS NO JAPÃO
Nós (os japoneses) costumamos dizer “Gou ni ireba gou ni shitaga he” (que tem o mesmo sentido de “em Roma, como os romanos”). Os estrangeiros têm que seguir as regras do país em que estão, procurar entender e se integrar. Todos os países têm coisas boas e ruins. Durante o tempo que estamos no Brasil já visitamos Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, Campos de Jordão e, antes de retornarmos definitivamente ao Japão, queremos assistir ao carnaval do Rio e conhecer Salvador. No começo eu reparava em como as coisas aconteciam no Brasil e fazia comparativos com o Japão, mas com paciência e com o passar do tempo, vi que o Brasil tem um povo muito alegre e muitas coisas boas também.
PRÓXIMO PASSO
Minha filha mais velha, que terminou de cursar o ensino médio, veio conosco passar essas férias no Japão e não retornará ao Brasil. Ela já conseguiu o certificado que comprova o nível de escolaridade no Japão e ficará no país para frequentar um curso preparatório e prestar o vestibular de uma universidade japonesa.
Durante esse período ela – que completará 19 anos em breve – ficará morando em um dormitório feminino do próprio curso.
RETORNO
No começo as coisas foram muito difíceis, o primeiro ano no Brasil passou muito lentamente para mim. Para me acostumar ao idioma me matriculei em um curso e fiz amizades. O segundo ano passou um pouco mais rápido e esse – o terceiro – está voando (risos). Minha filha mais nova costuma a dizer que o “carnaval” para ela é quando chega a época das férias no Japão. Ela conta os dias e sempre fica ansiosa.
A previsão é ficar mais dois ou três anos lá e depois retornar ao Japão. Não pretendemos fixar residência no Brasil, principalmente agora, que uma de minhas filhas ficará no Japão para estudar.