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Erin Mizuta/ipcdigital.com
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O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com o embaixador do Brasil no Japão, André Amado
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RECIFE - A empresa japonesa Itochu Corporation, a Petrobras e o Governo de Pernambuco assinaram em Tokyo, no dia 8, um memorando de entendimento que prevê a revenda do álcool produzido na área do "Canal do Sertão" para o Japão, informou a assessoria do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Essa semana, a petrolífera brasileira realizou o primeiro embarque de etanol para o Japão, que tem demanda anual para importar cerca de 300 milhões de litros do combustível.
"É uma mudança de patamar importante, que vai interferir positivamente na vida de milhões de pessoas no sertão. Vamos multiplicar por dois as áreas irrigadas que temos hoje em Pernambuco, levando desenvolvimento, gerando emprego e renda", explicou o governador.
A Itochu e a Petrobras devem investir cerca de R$ 20 milhões para a realização dos estudos necessários ao projeto executivo, orçado em R$ 56 milhões. A Codevasf, com R$ 16 milhões, e o Governo Federal - que já garantiu no PAC outros R$ 20 milhões - são os outros parceiros.
"Pernambuco ganha uma nova fronteira agrícola irrigada, passando a produzir cana-de-açúcar durante os doze meses do ano. A cana do Sertão terá uma época de safra complementar à do litoral, diminuindo consideravelmente os efeitos da entressafra na economia do Estado", explicou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar), Renato Cunha.
A empresa Itochu é uma das maiores trades japonesas, possuidora de uma subsidiária chamada Enex que atua na área de fornecimento de combustível, com uma rede de 2,2 mil postos no Japão.
"A lei do Japão, que ainda é facultativa, estipula em 3% a quantidade de álcool misturado à gasolina, mas há indícios que este percentual pode chegar a 10%. Com isso, o consumo do país pularia para perto de 1,5 bilhão/ano", previu Cunha.
O gerente de energia renovável da Petrobras, Silas de Oliveira Filho, frisou que a empresa, como geradora de energia, não pode se ater às áreas nobres de produção da cana no Brasil. "Precisamos abrir novas áreas e, num caso como este, que serão aproveitadas terras praticamente inexploradas, é o ideal", disse.
MAIS INVESTIMENTOS
Outro setor da economia pernambucana também foi beneficiado com a viagem do governador à Ásia. A Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe) assinou um memorando de entendimentos no valor de US$ 100 milhões com as empresas japonesas TMT e Sojitz, fabricante de equipamentos e trade, respectivamente, para a aquisição de equipamentos de fiação e têxtil do projeto de implantação da fábrica da Citepe no Porto de Suape. O custo total da planta é de US$ 300 milhões.
As partes também se comprometeram a desenvolver tecnologia na área de fiação têxtil. A nova têxtil pernambucana terá capacidade de produção de 269 mil toneladas de filamentos de poliéster liso e texturizado.
A liberação dos recursos deverá ser feita através do JBIC, banco japonês de investimentos que também foi visitado pela comitiva pernambucana e prometeu "máxima colaboração". No próximo dia 14, a diretoria do banco no Brasil irá a Pernambuco visitar o Porto de Suape, local apontado para a instalação do empreendimento.
O último compromisso da missão pernambucana foi uma conversa entre sócios: a Mitsui e o Governo do Estado, que dividem a direção da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás). Na pauta, a implantação de um terminal de regaseificação (GNL) para o Porto de Suape, além de propostas de financiamento para obras de saneamento básico e abastecimento de água.
Os empresários comunicaram ao governador e ao presidente da companhia, Aldo Guedes, que a decisão para construir o gasoduto passaria pelo crivo da Petrobras, sócia do projeto. Em resposta, Eduardo Campos apontou os grandes investimentos feitos em Pernambuco pelo Governo Federal estatal para atrair os japoneses.