Uma adolescente de 16 anos portadora de anorexia nervosa precisou esperar dois meses para receber tratamento médico especializado do Hospital das Clínicas de Curitiba, no Paraná. Devido à sua debilidade física, desde abril que a garota permanecia deitada em um sofá na sua residência.
A jovem, que foi transportada até a unidade hospitalar de ambulância, será submetida a check up médico e ficará internada até sua completa recuperação. "Quero estudar e passear, algo que já não posso fazer", disse a jovem a uma emissora de televisão local.
A família da adolescente, que vive em Ponta Grossa, fez a solicitação de tratamento para a menor desde abril, mas "os médicos consideravam que o caso não poderia ser resolvido na cidade".
Em 60 dias a paciente já foi internada quatro vezes em uma clínica local de Ponta Grossa, mas sem receber o tratamento recomendado, de acordo com os familiares. Desde que ficou doente, a menina perdeu 20 quilos.
Nos últimos sete meses, pelo menos quatro jovens brasileiras morreram por complicações decorrentes de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia. O assunto vem causando polêmica no país desde que a modelo Ana Carolina Reston Macan, de 21 anos, faleceu devido à anorexia, no dia 14 de novembro de 2006.
O caso de Ana Carolina, que teve repercussão internacional, levou as principais agências de modelos brasileiras a exigir certificados médicos e exames de sangue das jovens que aspiram subir às passarelas.
As semanas da moda do Rio de Janeiro (Fashion Rio) e São Paulo (São Paulo Fashion Week), no mês passado, também refletiram a preocupação pela luta contra a anorexia. Durante os desfiles, houve distribuição de folhetos explicativos para se prevenir a doença.