Os verbos representam para os japoneses o mesmo que os kanjis para os brasileiros. Eles são os tormentos de quem estuda português. “Eu não gosto de conjugação de verbo porque é bastante confuso. Presente, pretérito imperfeito, futuro, não tem em japonês conjugação de verbo”, diz Yuko Shiono, esposa de diplomata.
Mesmo com os tropeços nos tempos verbais, os alunos não desanimam. Na Aliança Cultural Brasil-Japão em São Paulo, a procura pelos cursos de português só aumenta. Filhos de brasileiros que passaram por escolas japonesas e retornam ao Brasil, têm frequentado o curso em maior número. Eles se juntam aos japoneses apaixonados pela cultura brasileira.
A professora Jaqueline Mami Nabeta comenta o perfil dos estudantes. “É um perfil de pessoas jovens que querem ter uma experiência diferente no Brasil. E o que a gente percebe é que são pessoas que gostam do Brasil. E além disso, temos pessoas que vivem há muito tempo no Brasil. Vivem 40, 50 anos, e não tiveram oportunidade de estudar o português”, conta.
Quem entra na sala, quer sair fluente. Para conseguir esse resultado, o consulado do Japão em São Paulo pediu à escola para aumentar a carga horária de português. De 3, o curso passou a ter 15 horas semanais. Nozomi Kikuchi mora no país há nove meses e quer aprender cada vez mais. “Eu estudava português na faculdade no Japão e quero estudar mais, quero falar mais. Eu decidi morar aqui”, revela.
“Quando eu cheguei aqui, eu não sabia nada de português. Então com seis meses vou levando assim o curso”, diz Yu Miwa, aluno casado com brasileira. O choque cultural é sentido no primeiro dia de aula. “Quando eles vem para o Brasil, o primeiro dia de aula é o quebra-gelo. Eles vem com aquela imagem, e é o próprio Japão entrando aqui. Cada um tem as atitudes e a educação japonesa”, explica Noriko Shindo da Aliança Cultural Brasil-Japão.
Gostam tanto do país, que pensam em criar raízes. “Eu quero morar para sempre aqui. Agora gosto mais porque eu gosto de brasileiros e cultura e música brasileira”, diz Hidenori Matsumoto que vive há cinco meses no Japão. No fim do curso, eles conjugam os verbos sempre no presente do indicativo. ¨Eu gosto, eu amo o Brasil¨.