O matogrossense Daniel Luna Omine, 29, é sansei e vive em Nagoya (Aichi). Casado com uma chinesa ele trabalhou em fábricas japonesas de 2004 a 2006, quando deixou o emprego para montar uma empresa de serviços de informática.
Atualmente tem parcerias com empresas japonesas na área e está estudando o mercado chinês.
Daniel acredita que, para conhecer melhor as necessidades dos brasileiros no mundo, é preciso um censo demográfico. “Gostaria de ajudar a mudar a imagem negativa dos brasileiros residentes no exterior, principalmente no Japão e em outros locais onde há grande concentração, como nos Estados Unidos”, afirma o candidato ao CRBE (Conselho de Representantes dos Brasileiros no Exterior).
Quais são as principais necessidades da comunidade?
DANIEL LUNA OMINE: No momento, são a garantia de emprego e o tão sonhado acordo previdenciário, além de educação, saúde e moradia. Outras necessidades são: integração da comunidade com a cultura local, procurando sempre preservar a identidade brasileira; realização de eventos para promover a interação entre os brasileiros que vivem numa mesma região; campanhas de conscientização social e fiscal; promover a participação dos governos de ambos os países no incentivo e promoção da cultura e comércio brasileiros na região; fortalecer vínculos comerciais já existentes e abrir mercado para mais produtos e serviços brasileiros; promover o acesso à informação referente a propostas de políticas públicas governamentais de assistência e apoio aos brasileiros no exterior; reforma consular, como é ceder poderes de Tabelião aos Consulados, evitando processos desnecessários; regulamentação e fiscalização das empreiteiras e empresas que contratam brasileiros para serviços no exterior. Não necessariamente nesta ordem de prioridade.
Quais são suas propostas para o CRBE?
OMINE: Primeiramente, gostaria de elucidar que a função do CRBE não será resolver problemas da comunidade. Será servir como canal de comunicação entre a comunidade e o MRE (Ministério das Relações Exteriores). Em relação a propostas não posso julgar preciptadamente quais as reais necessidades dos brasileiros residentes no exterior. Acredito que, como primeiro passo, deveríamos sugerir ao MRE a realização de um censo demográfico, possibilidade que inclusive foi levantada durante a 2ª Conferência Brasileiros no Mundo, realizada no Rio de Janeiro, em novembro de 2009. Mas um censo demográfico requer investimentos e muita mão de obra e talvez seja mais viável aplicar um modelo adaptado do censo do Brasil ou algum tipo de pesquisa de campo. Quem decidirá a viabilidade de quaisquer tipos de propostas será o governo brasileiro. É importante frizar que os candidatos ao CRBE no Japão representarão outros continentes. Portanto, também devemos enxergar as necessidades dos brasileiros residentes em outros países da Ásia, Oceania, Oriente Médio e África.
Os brasileiros no Japão ainda estão temporariamente por aqui ou a maioria resolveu ficar?
Omine: Respondendo com base em experiências pessoais, acho que a maioria dos brasileiros vem ao Japão com objetivo de permanecer temporariamente. Vim com o plano de juntar dinheiro por três anos mas, nesse interim, percebi que não tinha planos para o meu futuro de volta ao Brasil. Tudo o que fiz foi calcular o quanto poderia juntar em três anos, pois, na época era muito imaturo e desinformado. Muitos vêm para cá pensando assim, apenas sobrevivem no Japão e, quando voltam ao Brasil, muitas vezes perdem tudo e voltam ao Japão. As circunstâncias são diversas, por isso, repito que devemos realizar um censo demográfico ou algum tipo de pesquisa séria e auditorada, com apoio do governo brasileiro.
Os trabalhadores podem sonhar em serem funcionários efetivos ou serão temporários ainda por um bom tempo?
OMINE: Isso é uma questão que depende do governo local e das leis trabalhistas. Mas cada cidadão pode fazer a sua parte também. Existem diversos cursos de especialização e idiomas, aos quais os brasileiros poderiam dedicar mais atenção. Mesmo para aqueles que não planejam permanecer no para o resto da vida, é sempre importante possuir um currículo e conhecimento atualizados para obter melhores colocações no mercado de trabalho ou criar oportunidades de empreendimentos, tanto no país onde reside como no Brasil.
Como resolver o problema da quarta geração de descendentes que não tem direito ao visto?
OMINE: Podemos sugerir propostas ao governo brasileiro, pois é praticamente impossível negociarmos algo como cidadãos, por mais barulho que possamos fazer. Sugiro algum acordo maleável que evite ter que expulsar os yonseis já residentes no Japão e estabeleça critérios mais rigorosos para entrada, como, por exemplo, conhecimento básico sobre o idioma e a cultura e acesso ao mercado de trabalho mais qualificado. A maioria dos brasileiros residentes no exterior se submetem a serviços que não exigem qualificação profissional, desvalorizando a nossa imagem perante o povo local e, consequentemente, gerando preconceito e discriminação.
O governo japonês ajuda a comunidade?
OMINE: Não de forma específica a comunidade brasileira, mas ajuda os estrangeiros em geral. Temos que compreender que o governo japonês possui suas prioridades, por isso, mudanças nas leis de imigração, por exemplo, não ocorrerão tão cedo ou do modo como gostaríamos. Também devemos fazer a nossa parte, respeitando o governo e o povo local, apesar de existirem pequenos grupos xenófobos, inclusive dentro do governo. Por outro lado, há esforços por parte do governo japonês em nos ajudar, como, por exemplo, atendimento em português em diversos órgãos públicos, distribuição de panfletos educativos em português, entre outros.
Como você vê a atuação das autoridades brasileiras no Japão?
OMINE: Estou gostando muito do empenho do governo brasileiro. Está cada vez mais atencioso em relação a nós e devemos retribuir como cidadãos, pois até pouco tempo, para o governo brasileiro, representávamos somente números e cifrões. A criação do CRBE é um exemplo do apoio do governo e de que há preocupação conosco. O Conselho está em fase experimental e o sucesso desse projeto, tal como de outros que poderão surgir, dependerá também de nós.
Por que votar em Daniel Luna Omine?
OMINE: Possuo vontade e disposição para assumir o compromisso de forma técnica e responsável. A minha ocupação profissional me permite ter flexibilidade em relação a datas e horários. Procuro sempre ter uma visão global sobre quaisquer tipos de assuntos, sem preconceitos, sempre com a mente aberta, para críticas, sugestões ou elogios. Sou reservado, gosto de tomar iniciativas, criar oportunidades, sou racional, prático e objetivo e, tenho grande vontade de contribuir para a sociedade em geral. Também gostaria de ajudar a mudar a imagem negativa dos brasileiros residentes no exterior, principalmente no Japão e outros locais onde há grande concentração, como nos Estados Unidos. Por fim, compete ao eleitor analisar as palavras de cada candidato e discernir com bom senso aqueles que podem representar toda uma comunidade.