Aichi


Publicado em  17/12/2010 10:49

Cartomante japonesa conquista brasileiros em rádio comunitária

Yuki Morishima, conhecida como Maga Yuki, é atração semanal na programação da emissora

/ Alexander Kanashiro/IPC

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Yuki também é passista e cativou a comunidade com sua simpatia e o samba nos pés

Uma cartomante japonesa de alma bem brasileira está fazendo o maior sucesso com a comunidade de Aichi e Shizuoka. Yuki Morishima, conhecida como Maga Yuki, faz suas previsões e atende consultas num programa de rádio aonde chega a receber mais de 200 e-mails semanais. A atração é uma das maiores audiências da emissora comunitária online que já teve o servidor congestionado com a centena de mensagens encaminhadas pelos ouvintes.

Yuki, que reside em Hamamatsu, Shizuoka, conta que atualmente 80% de sua clientela é verde e amarela, porém são os japoneses os mais exigentes com as previsões. “Os brasileiros são mais discretos e não perguntam tantas particularidades. Agora os japoneses querem saber tudo até os mínimos detalhes”, explica e cita como exemplo as consultas sobre relacionamentos. “Quando digo que alguma pessoa vai aparecer em suas vidas eles querem saber a cor da pele, do cabelo, altura e outros detalhes”, argumenta.

PAIXÃO PELO BRASIL

O sucesso na comunidade pode ser explicado pela sua relação com o Brasil. Apaixonada pelo samba a japonesa aprendeu os primeiros passos sozinha através de vídeos há 15 anos, e graças à amizade com nikkeis moradores do conjunto residencial Homi Danchi, em Toyota, Aichi, conseguiu realizar o sonho de desfilar no carnaval paulista em 2008, ano do centenário da imigração japonesa no país.

“Uma amiga brasileira me apresentou para sua colega de São Paulo que me recebeu em sua casa e me ajudou a conseguir uma vaga para desfilar pela Unidos de Vila Maria”, conta agradecida.

De lá pra cá foram mais duas apresentações no Anhembi pela Gaviões da Fiel, escola do seu time do coração. Em 2009, foi destaque no chão pela ala dos cadeirantes e neste ano no carro abre-alas. Só não poderia faltar na vida da sambista um amor brasileiro. E foram dois, em terras nipônicas. Com a ginga e o rebolado de fazer inveja em muitas dançarinas, a cartomante só não previu o ciúme dos namorados, responsável pelo término dos relacionamentos.

“Me deixaram sem escolha. Era eles ou o samba e eu preferi a segunda opção”, revela.

Mas nem por isso ela desanima e sonha em viver definitivamente no Brasil, se tornar madrinha da bateria e encontrar um novo amor. E para evitar uma nova decepção a japonesa já adianta seus critérios de seleção. “Tem que ser brasileiro, compreensivo e claro, gostar de samba”, finaliza a cartomante.


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