|
/ Edson Xavier/JPTV
|
|
O ramo de restaurante brasileiro tem fidelizado a clientela japonesa
|
|
|
O comércio brasileiro no Japão está passando por mudanças em vários segmentos: não é o mesmo de anos atrás porque os consumidores andam escassos nas compras, em reflexos da crise – e também porque grande número regressou ao Brasil.
E tal situação tem levado muitos comerciantes a uma mudança de foco. O esforço é para conquistar a clientela japonesa e fidelizar estrangeiros de outras nacionalidades, a tal ponto que em muitos estabelecimentos, o consumidor brasileiro já não representa um grande volume de negócios.
É o caso de uma das mais tradicionais lanchonetes brasileiras localizada no bairro de Kamimaezu em Nagoya. Lá as vendas são lideradas pelo frango assado bem ao estilo brasileiro. Mas a clientela é na maioria japonesa.
Márcio Murakami, gerente da Lanchonete, conta que durante a semana vende cerca de 100 frangos assados, no sábado chega a 300, e no domingo vende até 400 unidades. Pelo menos 70% dos clientes são japoneses. Depois vêm os vietinamitas, filipinos, chineses, peruanos, e os brasileiros em bem menor número.
De acordo com o ramo do comércio, não é tarefa fácil ter assim volume expressivo de clientes japoneses. Que o diga o lojista Marcos Miura, também do bairro de Osu Kanon, em Nagoya. Ele trabalha no ramo de roupas e acessórios, livros, CDs e produtos de beleza.
Marcos conta que em sua loja é ainda pequeno o volume de vendas a japoneses, cerca de 10% do faturamento, mas gostaria que fosse volume maior. O comerciante sabe que para isso teria que fazer mudanças na loja, e revela: “Estamos tentando encontrar um balanço, se deixar totalmente de forma japonesa não vai atrair os brasileiros. Preciso de equilíbrio para atrair mais clientes japoneses sem perder os brasileiros”, diz.
Já no ramo de produtos alimentícios, algumas lojas tem priorizado 100% o atendimento aos japoneses, com gerentes e funcionários que fazem o possível para que o cliente sinta-se a vontade para provar e perguntar sobre os produtos. Pela primeira vez em uma loja brasileira o casal japonês Taniyama Yasuiyuki e Kanayama Maiyumi surpreendeu-se com o atendimento e com a variedade de produtos.
Taniyama mora em Seto (Aichi), e a namorada Mayumi é de Hyogo. Na visita a um mercado brasileiro em Komaki provaram e gostaram da carne com tempero do Brasil, e se mostraram curiosos sobre como preparar os produtos e usar os condimentos.
A gerente lojista Helena Sabanae conta que os japoneses na maioria têm dúvidas sobre os produtos. “E a gente não pode ter vergonha de explicar, mesmo que não fale bem o japonês”, afirma ela, que já ensinou clientes a preparar feijão, feijoada, brigadeiro e até caipirinha.
A gerente do mercado garante que 40% da sua clientela é japonesa, e depois vêm outros outros estrangeiros. Os brasileiros já são minoria. O mercado tenta fidelizar clientes como Maria Victoria, filipina que costuma comprar carnes, vegetais e pães no mercado brasileiro – e que engrossa a lista de clientes de outras nacionalidades como peruanos, chineses e vietnamitas.
Em um outro estabelecimento de Komaki, no segmento de restaurante e churrascaria os japoneses já representam 25% de clientela.
Segundo o dono da churrascaria, Anderson Paes, “para atender o público japonês tem que ter uma divulgação pra ele saber que você existe. A partir disso tem que se preparar para ter o mínimo da compreensão, pra atender bem, e se preparar, na parte de restaurante, para o paladar. O paladar do japonês é um pouco diferente do brasileiro”, afirma.
O dono da churrascaria concorda que o mercado brasileiro está sim encolhendo a cada dia, e que para superar os tempos difíceis os comerciantes devem dar atenção ao mercado japonês. “Quem conseguir cuidar do público japonês, pode se dizer que vai se perpetuar no mercado”, diz.