Aichi


Publicado em  08/12/2010 16:55

Educadores acumulam funções nas escolas

Escolas brasileiras se adaptam às necessidades dos pais e educadores acumulam funções pela educação das crianças

/ Alexander Kanashiro/IPC

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Levar os alunos ao pediatra e até procurar emprego fazem parte da rotina dos educadores nas escolas brasileiras

Há 27 anos, trabalhando na mesma instituição de ensino com passagens por quatro estados brasileiros e no continente africano, Francisco Pereira Neto, diretor de operações da rede Pitágoras no Japão, se deparou com uma realidade diferente da qual estava acostumado nos lugares por onde passou quando chegou em Gunma há quatro anos. Percebeu que no país os professores de escolas brasileiras exerciam um papel maior que o de educador.

“Além do rigor técnico e lógico das atitudes que buscam levar o aluno ao alto desempenho acadêmico vi que ele precisa cuidar de outras funções inimagináveis para a realidade brasileira como transporte, alimentação, recreação, vacinação, atividades extracurriculares, entre outras”, analisa.

Em visita ao Japão no mês passado, o conselheiro do Ministério da Educação (MEC), Adeum Sauer, comparou o trabalho em regime integral das escolas do arquipélago ao das creches no Brasil. “Aqui elas funcionam praticamente como creches. Os pais deixam as crianças na escola, vão trabalhar e buscam-nas quando voltam do trabalho. Fazem esse papel no ensino fundamental e médio”, constatou.

No arquipélago pode ser dizer que a escola é realmente a segunda casa dos alunos que chegam a permanecer, às vezes, por mais de 12 horas no local quando estudam em período integral, situação na qual se encontram a maioria das crianças e jovens. A relação entre diretores, professores e os pais se torna mais próxima e eles acabam pedindo ajuda na resolução dos problemas para os docentes.

Evangelisto de Mello, diretor administrativo da Escola Expressão de Taketoyo, Aichi, recentemente homologada pelo MEC, ajudou muitos pais de alunos a conseguirem emprego através dos contatos que fez em 20 anos residindo no Japão. “Já conseguimos emprego para muita gente. Não é exagero dizer que fazemos um trabalho de assistência social”, conta.

A escola possui convênio com uma clínica pediátrica próxima para onde encaminha as crianças que chegam às aulas passando mal. “Temos que nos adaptar às necessidades dos pais que não podem faltar ao serviço principalmente nessa época de instabilidade econômica”, diz a diretora administrativa e sócia Karine Hara. “Com os pais trabalhando a criança permanece na escola e não sai”, complementa. “Eles quebram bastante o galho para nós em relação a hospital e tudo mais. Já levaram meu filho, de três anos, na clínica quando precisei já que minha esposa também trabalha”, diz Michel Marques Pereira, 32, morador da cidade de Hekinan.

Outro recurso bastante solicitado pelos pais é o uso do espaço da escola para a realização das festas de aniversário dos filhos. “Aqui no Japão dá trabalho alugar salão com espaço amplo para uma festa. Então a maneira mais prática e econômica é fazer na escola mesmo”, relata Mello, que publica no Orkut, fotos das comemorações dos alunos e eventos para o acompanhamento dos responsáveis que agradecem o empenho e a dedicação dos educadores com seus filhos.

“No nosso caso como é o nosso primeiro filho, eles (professores) são mais instruídos do que nós. Por isso essa força que eles nos dão facilita bastante o nosso dia-dia”, conclui Pereira.


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