Entrar para o seleto mundo de modelos não é fácil. E assim como em diversas partes do mundo, na comunidade brasileira, o sonho de muitas meninas é o mesmo: brilhar nas passarelas e nas páginas de revistas.
A japonesa Miki Kobayashi tem 17 anos, e trabalha há dois na profissão. Ela diz que gosta de moda e que o prazer do trabalho é saber que está sendo vista pelas pessoas. Mas não é só de glamour e sucesso que vivem as modelos. Miki explica que tem vezes em que é difícil executar a pose ideal para uma boa foto. E se para a modelo japonesa que não tem a barreira do idioma existem dificuldades, imagine então para as brasileiras.
Cristina é uma das mais novas contratadas da agência. Há três meses se mudou de gunma para Nagoya (Aichi) por causa da profissão. “Confesso que pensava que fosse mais fácil, mas exige bastante da gente. Tem que pegar bastante shinkansen, e pra mim que não sei falar nihongô é bem difícil. Querendo ou não ia ajudar bastante se soubesse, mas eu estou estudando, fazendo curso e aprendendo”, afirma. E mesmo para quem estuda em escola japonesa, às vezes é difícil conciliar o tempo. Monise Amemiya cursa o segundo ano do chuugakko. “É bem mais puxado do que eu imaginava. Às vezes tenho que faltar na escola e o estudo fica mais difícil”, comenta.
Para Dápena Tigre, diretora da agência Elite de Nagoya, só o dominío do idioma japonês não garante um futuro promissor. “Se ela quer uma carreira internacional, ela precisa do inglês, que é fundamental lá fora. As minhas modelos, uma boa parte são estudantes. Eu tenho modelos que começaram comigo aos 12 anos na época, hoje já estão adultas e continuam fazendo faculdade no Japão. Entao o estudo é fundamental, porque quando elas pararem de ser modelo, elas precisam ter uma estrutura pra continuar a vida delas depois. Para quem não gosta de estudar é complicado virar modelo”, explica.
Mesmo diante das exigências, muitas querem ter a chance de entrar na profissão. Mais de 10 candidatas participaram da seleção. Tem gente que viajou cinco horas em busca do sonho de ser modelo. Mayara Shiwa, 16 anos, veio com o pai da província de Yamanashi para disputar uma vaga no time de modelos. Eles embaracaram no trem às 7h para chegar a tempo da seleção que estava marcada para começar às 14h.
“Valeu a pena! Gostei muito de ter vindo aqui, e também valerá como experiência”, diz a candidata que sonha desde criança com a profissão. “Eu vim pro Japão, e queria ser aeromoça, mas voltou o sonho de ser modelo, e essa oportunidade pintou pra mim”, acrescenta. O pai Paulo sabe que se aprovada, a filha vai passar mais tempo distante.
“A gente já está preparado pra isso. Faz tempo a gente tem conversado em casa, eu e minha esposa, e estamos investindo na carreira da minha filha”, conta.
As brasileiras vão conquistando cada vez mais espaço entre as modelos japonesas, e se depender delas, quem sabe, o exigente mercado não se renda ainda mais à beleza que veio do outro lado do mundo.