Uma campanha da polícia de Aichi em um conjunto residencial de Chiryu (Aichi), onde vivem 2.549 estrangeiros – mais de 90% deles brasileiros – começa a dar resultados e pode se transformar no principal instrumento para que a sociedade e as autoridades deixem de ver estrangeiros como criminosos.
Desde que as ações foram implantadas, em setembro de 2009, o número de delitos na região caiu pela metade e até problemas cotidianos, como os relacionados a carros estacionados em locais proibidos, tiveram melhora. O governo central elogiou o projeto e pode estendê-lo para todo o Japão.
Mais de 130 veículos eram estacionados em locais proibidos por dia no local. Um grupo – com participação da associação de residentes do danchi; da UR, empresa pública que administra o local; da prefeitura e da polícia – criou novas áreas de estacionamento e lançou campanhas informativas com panfletos bilíngues, cursos sobre condução de bicicleta e atividades de simulação de crimes para conscientizar a população.
O projeto foi estendido por mais um ano, até agosto de 2011. A expectativa é de que a Agência Nacional de Polícia o estenda a outras regiões.
O promotor do projeto é o policial Atsushi Hoshino, superintendente da Polícia de Aichi e diretor-geral do novo Centro Internacional da corporação. Sua função é promover entre os policiais a consciência de que a segurança pública deve ser estendida aos imigrantes. "Segundo as leis, nós trabalhamos em prol dos cidadãos. Não há distinção entre estrangeiros e japoneses", afirma.
As diretrizes do projeto incluem não deixar que estrangeiros se convertam em criminosos ou provoquem acidentes de trânsito. Ao mesmo tempo, evitam que sejam vítimas de situações semelhantes ou que a máfia construa laços com a comunidade ao atuarem onde ela se concentra. "Não posso afirmar que o resultado se deva somente à redução de casos envolvendo brasileiros, mas o projeto foi fundamental para melhorar o índice", garante Hoshino, sobre a redução pela metade no número de delitos.
Ele considera a iniciativa um preparativo para o futuro, quando mais imigrantes habitarão o país. A ideia é ajudar a criar agora a base para uma sociedade que conviva com as diferenças para que juntos cumpram seus papéis na segurança da sociedade.