Mais de vinte anos depois da reforma na lei de imigração que deu início ao movimento dekasegui, muitos dos brasileiros que vieram naquela época, estão no Japão até hoje. Com o envelhecimento da comunidade, algumas doenças, antes raras, começam a aparecer em maior número. É o que afirma o médico Taro Nagai.
Ele oferece aconselhamento clínico através do sistema Disque Saúde, e diz que só esse ano, já atendeu cinco casos de brasileiros que foram diagnosticados com câncer. A melhor maneira de combater a doença, segundo o médico, é realizar exames preventivos anualmente.
Esse exame é chamado em japonês de ‘gan-yobou kensa’. “Cada morador tem a obrigação de ter um médico pessoal, ou médico da família, que chama-se ‘kakaritsuke no isha’, perto de casa, e a maioria é ‘naika’, clínico geral. E qualquer consulta com ele, se esse médico achar necessidade, chamará outro especialista. Ele faz todo o relatório desde a primeira consulta e isso ajuda o especialista que não precisa repetir exame que já foi feito no bairro”, explica Nagai.
A vantagem de ter um médico pessoal é que conhecendo melhor o organismo do paciente, fica mais fácil identificar anomalias. Dessa forma, as chances de diagnosticar um possível tumor logo no começo são maiores. isso aumenta as chances de cura do paciente. Mas segundo pessoas que conseguiram vencer o câncer, outro fator que contribui no combate à doença é a força de vontade.
Verônica Almeida foi diagnosticada com câncer no útero há dois anos. Depois da cirurgia, ela continuou o tratamento à base de remédios. Curada, voltou à rotina, e hoje trabalha numa indústria de alimentos.
“Desânimo não! Não gosto dessa palavra. E não desista. Olhe as pessoas ao seu redor. Olhe também que tem pessoas pior do que você, e vá em busca de uma solução. Se você não for atrás, as pessoas podem te ajudar mandando você correr atrás da ajuda, mas se você não for, não tem como”, aconselha.
Aos 23 anos de idade, Eduardo Tanque, que é genro de Verônica, passou por situação semelhante. “O complicado foi logo em seguida ao diagnóstico, mas tive muito apoio da família e dos médicos também. Os médicos foram muito sinceros e não teve aquela coisa de esconder a gravidade doença, foi ao contrário. Ele instruiu e isso deu confiança para entender e batalhar pra curar isso”, recorda.
Assim como a sogra, ele também reuniu forças pra lutar contra a doença. E a ajuda também veio dos outros pacientes. “Não é só você que está lutando. Tem um hospital inteiro, tem um mundo inteiro lutando. Então por que você vai desistir?”, completa.