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Priscila Hayashi/ipcdigital.com
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Matheus Hideki Hayashida de Moura, de 9 meses
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Retinoblastona. É o nome da doença contraída pelo menino Matheus Hideki Hayashida de Moura, 9 meses. Trata-se de um tipo de câncer na retina que atinge principalmente crianças até 5 anos.
A doença foi descoberta há cerca de 2 meses, quando já se encontrava em estado avançado. O menino passou por uma cirurgia no final de janeiro. Seu olho esquerdo foi substituído por um de vidro. Exames pós-operatórios, no entanto, mostraram que o câncer havia se alastrado ao olho direito, onde existem dois nódulos de tumor.
Matheus está internado em Nagoya (Aichi), e passa por seções de quimioterapia na tentativa de diminuir o tamanho do câncer e eliminá-lo através de uma cirurgia à laser.
O menino já perdeu 6,5 kg - antes pesava 12 kg - e boa parte dos cabelos. Mas a mãe conta que a pior parte do processo já foi superada. "O choque ao saber da doença, a retirada do olho e o medo de perder meu filho já passaram", conta Sandra Hayashida, 35 anos, que acompanha o menino no hospital 24 horas por dia.
Sandra está impossibilitada de trabalhar e depende financeiramente da mãe para gastos com fraldas e alimentação, além das contas da casa. "Tenho recebido muita ajuda de parentes e amigos e até de gente que não conheço. Agradeço às comunidades de Hamamatsu (Shizuoka) e de Iwakura (Aichi), pelas contribuições de roupa, leite, fralda e até dinheiro. Sou muito grata por isso".
Inscrita no seguro nacional de saúde (kokumin kenkoo hoken), Sandra tem boa parte dos gastos hospitalares cobertos, mas o olho de vidro, implantado no lugar do olho esquerdo em meados de março, será pago inteiramente por Sandra, já que o seguro não cobre gastos com estética.
Tratamento e cura
O médico que acompanha o caso, Dr. Keizo Horibe, chefe do Departamento de Pediatria do Hospital Público de Nagoya (Aichi), afirma que no Japão, a cada 15 mil crianças, uma é portadora de câncer na retina. "É uma doença rara, se a analisarmos entre os tipos de câncer existentes". Ainda segundo o pediatra, o caso de Matheus é ainda mais raro, já que atingiu os dois globos oculares.
Segundo ele, a causa da doença é uma falha no gene que impede o trabalho das células responsáveis por combater o câncer. A doença pode ser congênita ou contraída nos primeiros anos de vida da criança. "Com os avanços da ciência, já é possível identificar o dano antes do nascimento. Mas a questão ética está entre uma das causas que impedem a realização deste tipo de exame", diz o Dr. Horibe.
O sintoma mais comum é o mesmo identificado por Sandra. Um ponto branco nos olhos da criança aparece quando a foto é tirada com o uso do flash. "Verificando qualquer anormalidade é importante consultar um pediatra e solicitar um exame específico", explica o pediatra.
O tratamento depende do estágio da doença, mas em geral, a quimioterapia e a eliminação do nódulo através do laser são os procedimentos mais comuns. "Retirando o glóbulo ocular, a doença é eliminada definitivamente, mas o objetivo é preservar a visão e o olho", diz Dr. Horibe.
No caso de Matheus, a cura é quase certa. "O tratamento tem surtido efeito e acredito que a criança poderá deixar o hospital ainda este mês", conta o médico. "Ele ainda passará por mais três seções de quimioterapia. Como ele é pequeno e o tratamento desgastante, é possível que ele ainda permaneça por mais alguns meses no hospital para não precisar se deslocar de Toyohashi para cá com frequência", completa Dr. Horibe.
Quem quiser ajudar o menino Matheus, pode entrar em contato com Sandra pelo telefone: 090-9199-4550 |