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/ Alexnader Kanashiro/IPC
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A Organização Mundial de Saúde fez o alerta ao estimar que em pouco mais de 10 anos a depressão será a segunda doença mais comum no mundo, podendo atingir o primeiro lugar no ranking em 2030.
Pesquisa do Departamento de Saúde Mental e Bem-Estar da prefeitura de Hamamatsu, Shizuoka, que entrevistou 721 brasileiros residentes na cidade, aponta que eles têm nível de depressão comparável ao dos japoneses, informou o jornal Yomiuri Online.
De acordo com o levantamento, 30% dos entrevistados se sentem depressivos e 10% afirmam já terem pensado em suicídio. Os percentuais são semelhantes ao dos japoneses, que estão entre os mais altos do mundo. A incidência está relacionada ao estresse causado pela piora na economia.
Alves Bernardi, psicólogo do Centro Internacional de Nagoya (NIC), há sete anos, revela que o número de interessados na busca de apoio psicológico vem aumentando progressivamente desde 2008. Naquela época prestava serviços duas vezes por semana na entidade, hoje, faz atendimento todos os dias. Para ele a frustração causada pela não realização dos sonhos e objetivos é a justificativa para que a doença se difunda na comunidade. “Viemos para realizar um sonho através de um projeto de vida que tem tempo determinado. Mas, se esse tempo se prolonga por 20 anos vira pesadelo. É o que está acontecendo aqui”, constata.
“A frustração e a sensação de derrota desencadeia uma crise emocional e nem todos sabem lidar com isso”, acrescenta. O psicólogo conta que suicídios decorridos em função da ansiedade e angústia geradas pela doença poderiam ter sido evitados caso familiares ou amigos próximos das vítimas tivessem identificado os primeiros sintomas e buscado orientação de profissional da área de saúde mental. Um dos primeiros sinais de que o indivíduo está com depressão é o humor, aponta Bernardi. “Quando perceber que alguém está pessimista demais, negativista e sente uma inutilidade e incapacidade de realizar tarefas simples do cotidiano deve aconselhá-lo a procurar ajuda especializada”, recomenda.
Outra situação que indica depressão, mas bastante ignorada pelas famílias é quando os filhos ficam o tempo inteiro no quarto encontrando diversão apenas na TV, videogames e no computador. “Hoje o quarto se transformou no porto seguro dos jovens. Qualquer coisa é motivo para eles se trancarem lá e todos acham isso normal quando algo pode estar errado com o adolescente”, explica.
Na mente depressiva o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor impedem que a pessoa tome decisões sensatas. O próprio raciocínio lógico e o processo de aprendizagem ficam comprometidos podendo o portador se tornar agressivo. “Ele se torna uma pessoa explosiva que não houve ninguém. Por isso se faz necessária a intervenção médica com medicamentos, que controla a parte química cerebral. Mas para a cura definitiva a decisão tem que partir do próprio paciente”, comenta.
Conforme Bernardi, o tratamento que mais vem mostrando resultados positivos nesta área é a da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) que trabalha a reaprendizagem dos hábitos comuns do paciente de forma gradativa. Em Nagoya, Aichi, o NIC conta com três psicólogos brasileiros e quatro de língua espanhola à disposição que oferecem orientação psicológica gratuita com apoio do governo da província. Em Gifu, o Centro Internacional presta serviço de encaminhamento assim como o Disque Saúde por telefone e no balcão instalado no Consulado do Brasil em Nagoya.
Serviço:
Centro Internacional de Nagoya (NIC) 052-581-0100
Centro Internacional de Gifu 058-277-1013
Disque Saúde 0120-05-0062 (ligação gratuita)