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/ Alexander Kanashiro/IPC
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No workshop, participantes conheceram os detalhes dos bastidores do mundo da moda
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O interesse na profissão de modelo atraiu dezenas de jovens da comunidade ao Studio Flexx em Nagoya, Aichi, na tarde de domingo (27), para palestra promovida pela agência Elite Model com a diretora e scalter (caça-talentos) Dápena Tigre e a modelo brasileira Candice Robinson. As profissionais contaram detalhes dos bastidores das passarelas e deram dicas para quem pretende ingressar na carreira.
Com franqueza e sinceridade a dupla esclareceu que por trás do luxo e glamour dos desfiles existe um caminho marcado por sacrifícios, privações e muito trabalho, mas gratificante para quem possui vocação para modelo. Conforme Dápena, ninguém se torna modelo em apenas três meses. “A maioria das meninas chegam agências com 14 ou 16 anos e só ficam prontas para o mercado após dois ou três anos”, relata a diretora que trabalha há nove como caça talentos.
A agência recruta jovens a partir dos 12 anos e realiza cursos duas vezes ao mês para que a evolução das candidatas seja gradual e não atrapalhe o desempenho escolar. A formação educacional é um dos requisitos essenciais para uma carreira de sucesso de acordo com Dápena. “Não existe a certeza de que uma menina vai realmente se tornar modelo. E se virar, ninguém vai querer uma modelo burra”, destacou.
“Trazemos elas jovens para serem educadas e vamos trabalhando aos poucos para ensiná-las a lidar com a pressão e a concorrência. Mas só vou ter liberdade com elas quando terminarem os estudos”, acrescentou. A importância da formação se deve ao fato de que ainda jovens elas irão trabalhar num ambiente adulto e com responsabilidades longe da família e dos amigos. A rotina de ensaios e treinamentos exige ainda preparação física e psicológica.
Como exemplo de persistência, Dápena contou a história da modelo Gisele Büdchen que conseguiu entrar no mundo da moda depois de seis anos de tentativas. “Pode ser que hoje a menina não tenha o rosto da hora, o rosto da moda. Mas as tendências mudam. Agora, se não treinar, suar a camisa, se aperfeiçoar, não entra no mercado”, avalia.
NIKKEI BRILHA NA ÁSIA
A brasileira nikkei Candice Robinson, conhecida no mercado como Candy, falou no evento de sua trajetória desde a chegada no Japão até estampar revistas e campanhas publicitárias no país e na China. A jovem de 21 anos, nasceu no Rio Grande do Sul e cursava a graduação de design de moda antes de se tornar modelo. Ela conheceu a caça talentos Dápena Tigre pelo Orkut e enviou fotos para avaliação.
Dápena pediu para Candice vir ao Japão para fazer testes na agência Elite Model. Sem a certeza de que conseguiria a aprovação, a gaúcha trancou a faculdade e desembarcou no arquipélago há três anos. “Não dei certeza de que ela conseguiria. Mesmo assim ela deixou tudo para trás e arriscou”, diz Dápena.
Candice relatou que teve inúmeras dificuldades principalmente na comunicação. “O fotógrafo me pedia para fazer a pose e não sabia falar. Chegava à estação e não conseguia pedir uma informação. Não tinha experiência com a cultura e nem com a comida”, lembra. Decidida a aprender o idioma, Candice passou a anotar as palavras que ouvia em japonês numa folha e depois procurava o significado no dicionário. “Depois que comecei a falar o básico, o cotidiano melhorou bastante. Hoje estou bem acostumada, preferi ficar e não penso em voltar ao Brasil”, afirma.
SONHO DE MODELO
Com o sonho de se tornar modelo jovens da comunidade acompanhadas principalmente pelas mães foram ao evento conhecer os detalhes da profissão. Gisele Prado de Sano, Tochigi, levou a filha Rayra, 13, para participar da palestra. Foram cinco horas de percurso que, para ela valeram a pena pelos esclarecimentos. “Queria que minha filha conhecesse como é realmente a profissão por isso viemos de longe”, conta Gisele.
“Aprendi que é importante ter em mente que não vai conseguir entrar logo de cara. É necessário muito aprendizado antes, mas penso em seguir e ver até onde consigo chegar”, diz Rayra. De Iwakura, Aichi, Silvia Suzuki foi com a filha Lívia de 14 anos, que aproveitou a oportunidade para fazer cadastro na agência. “Ela tem altura e as pessoas sempre falam que leva jeito. Hoje, deu para entender como funciona o mundo da moda”, diz a mãe.
Único pai presente na palestra, Mauro Takahashi, de Toyota, foi incentivar a filha Natalia, 13, que desde criança alimenta o sonho de desfilar na passarela. “Dou aquela força e incentivo em tudo o que ela faz. Para o que ela decidir no futuro vai ter o apoio da família”. Natália bem-humorada saiu animada do workshop e já ensaia um nome artístico. “Vou usar o sobrenome Oliveira da minha mãe que fica mais bonito com o meu nome”, brinca.
As amigas Fabiana Kaori Takaoka, 16, de Yokkaichi, e Bruna Ayumi Hirata, 17, de Kuwana, Mie, foram sozinhas em busca de informações. Assim como Natalia pensam desde criança e entrar no mundo da moda. “Não esperava que fôssemos fazer tantos contatos aqui hoje e receber todo esse tratamento”, diz Fabiana. “Pretendemos investir e se conseguirmos realizar esse sonho vai ser o máximo”, completa Bruna.