Com medo de uma possível mudança na lei da imigração, Milton Maehata, 43, de Oizumi (Gunma), resolveu há poucas semanas dar entrada no seu visto permanente e também da família. "É uma medida de segurança para evitar transtornos no futuro. Foi também pensando nos meus filhos que são yonsei, já que o visto está cada vez mais complicado para eles", justifica ele que mora há 14 anos no país.
Recentemente, Maehata também precisou renovar o seu visto de sansei. A espera foi de quatro meses. "A greve na Polícia Federal no Brasil também contribuiu para a demora. Fiquei muito preocupado, com medo do visto não sair, mas a assessoria que cuidou da minha renovação me tranqüilizou, dizendo que o fato de eu ter emprego e residência fixa ajudaria", revela.
Também com receio dessa polêmica gerada em torno das sugestões apresentadas em maio pelo ex-vice- ministro da Justiça do Japão, Taro Kono, Sérgio Minoru Gundi Júnior, 24, de Oizumi, resolveu se precaver. Há cerca de dois meses, deu entrada no seu visto permanente. "Sou sansei e fiquei preocupado ao ouvir esses comentários. Como não domino o idioma japonês, resolvi tirar logo", diz o brasileiro que vive há cinco anos no Japão.
De acordo com ele, não houve nenhuma dificuldade para fazer o pedido. "O único problema é a demora, que pode chegar a um ano para sair. Ainda tenho oito meses de visto de sansei e, se não sair até lá, serei obrigado a fazer a renovação".
O que mais preocupa Gundi Júnior é a possibilidade do Japão exigir domínio da língua japonesa. "Falta mão-de-obra e não tem como o país expulsar os sansei. Quanto ao idioma japonês, já estou praticando na fábrica", conta.
Casos como deles não são raros. A procura por visto permanente nos escritórios que prestam assessoria aumentou bastante nos últimos meses. "Já recebíamos pedidos de pessoas interessadas em comprar imóvel no Japão, mas nos últimos meses, a procura aumentou mais ainda, cerca de 80%", revela Andréa Kohori, gerente da assessoria SOS Brasil.
Segundo a gerente, os documentos exigidos para dar entrada no visto continuam os mesmos. "Está mais rigoroso e quem cometeu alguma infração grave já pode ter o visto negado. Também é observado o se o pagamento dos impostos municipais e provinciais estão em dia e no caso dos não descendentes possuir visto de três anos", esclarece.
Shoko Takano, do Centro Nippo Brasileiro, que também presta assessoria, explica que o visto permanente demora, hoje, um ano para sair. "Está mais rigoroso e tudo isso fez com que o trabalho da imigração aumentasse. O número de funcionários continua o mesmo e acumula-se os pedidos de visto", diz. "Se de um lado, a imigração está mais rigorosa nas investigações, de outro, no caso da imigração de Gunma, a questão do fiador foi eliminada para quem tem renda razoável. É bom para os brasileiros que querem tirar o visto, que ainda está fácil e não tem tanta burocracia", acrescenta Shoko.