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Publicado em  13/10/2006 2:55

Família grande não é coisa do passado

Sem medo do “aperto no bolso”, casais preferem ter muitos filhos e dizem que o lar fica mais alegre

- ipcdigital.com

Thassia Ohphata/IPCJAPAN
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Willthon, Willberth, Gabriel, Cendy, Willy e Wendy Kosaka

Os irmãos Willy Nishimoto, 12, Cendy, 11, Willthom, 5, Willberth, 3, de Oizumi (Gunma), sentem-se privilegiados por terem uma grande família. Eles estão sempre juntos, seja na hora das brincadeiras, do estudo e também das brigas típicas entre irmãos. "Seria triste se fosse filho único", diz Willy.

Os quatro ainda têm outros dois irmãos por parte do pai, William, 19, que atualmente mora com a mãe em Nagoya (Aichi), e Wendy Kosaka, 22, casada, mas que também vive em Oizumi. Os garotos ainda têm a companhia de um sobrinho, Gabriel, 3, filho da irmã mais velha. Em breve, o grupo terá mais um companheiro, já que Wendy está grávida do segundo filho.

Única garota no meio de cinco, Cendy sente a falta de uma irmã. "Gostaria de ter uma para brincar", revela. Nem por isso, ela deixa de participar das brincadeiras dos irmãos, como o futebol no parque, que reúne todos, inclusive o pai. "O que mais gosto mesmo é de brincar de pega-pega".


OITO FILHOS

O Dia da Criança, 12 de outubro, é comemorado sem muita pompa na família de Alcides, 45, e Neise Tanaka, 41. Residentes em Toyohashi (Aichi) desde quando chegaram ao Japão, há 15 anos, os Tanaka seriam mais um casal comum de brasileiros, não fosse a quantidade de filhos deles: oito.

Neise é quem administra o lar, enquanto o esforçado pai Alcides acumula a função voluntária de presidente da Associação Brasileira de Toyohashi e Região (ABT). "Lá em casa não compramos artigos Louis Vuitton, nada que seja superficial. As crianças ganham presentes de natal e de aniversário juntos e limitado em ¥ 2 mil. Se querem algo mais caro, a instrução é para juntar dinheiro entre eles e comprar para uso coletivo", diz Neise.

O casal está cansado de explicar porque tem oito filhos. "A gente casa para constituir uma família e dar continuidade", responde. "Não diria que nossa casa virou uma creche, mas uma minisociedade na qual as crianças crescem com senso coletivo e prontas para enfrentarem a vida", diz Neise.

Para Alcides, criar um filho é mais difícil do que três ou mais. "Quem tem só um filho corre o risco de mimá-lo e ele crescer individualista". Para ele, a diferença pesa é no bolso. "Na medida em que os filhos vão nascendo, a gente vai gerenciando a parte econômica. As coisas vão se arranjando", diz.


SEM DESPERDÍCIO


Só de arroz são mais de 20 quilos consumidos por mês. A família Tanaka tem duas panelas elétricas de arroz para dez medidas. "Isto porque as crianças almoçam na escola, senão, o consumo seria o dobro", contabiliza a dona-de-casa. Desperdiçar está fora dos planos desta grande família. Por isso, o quinto filho, Pedro Hugo, de 11 anos possui guarda-roupa quase todo herdado dos irmãos mais velhos. "Quase nunca ganho roupa nova", conta, sem se importar com a vaidade. Com exceção da caçula Natalia Maria, os demais freqüentam escolas japonesas.


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