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Danilo Nuha/ipcdigital
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Kawase quer alunos preparados para a universidade no Brasil
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A Hiro Gakuen, sediada em Ogaki (Gifu), foi a primeira escola brasileira reconhecida como Kakushu Gakkoo (Miscellaneous School). Mitsuhiro Kawase, 50, diretor da escola esperava uma resposta desde julho, quando enviou o pedido à província de Gifu.
Até então, a escola vinha funcionando sem nenhum tipo de ajuda oficial. O diretor comenta que lutou por esse reconhecimento desde quando começou a administrar a instituição. "No início, tínhamos apenas 16 alunos e mesmo assim eu já buscava esse reconhecimento do governo japonês", lembra o diretor.
MENSALIDADE
Kawase, que assumiu o comando de uma creche voltada para crianças brasileiras em 1999, decidiu inaugurar a escola em abril do ano 2000. "Com esse título de miscellaneous, o governo não vai cobrar o imposto no valor de 5%, então nós vamos abater na mensalidade dos alunos", promete.
Com exceção das aulas de japonês, o currículo escolar é baseado no sistema de ensino brasileiro para que os alunos não tenham problemas de adaptação quando voltarem ao Brasil. "Minha principal preocupação é que esses alunos retornem para sua terra natal e consigam ingressar numa universidade", espera. Atualmente, a escola possui 280 alunos, de 5 a 17 anos de idade. E apesar de ter sido aprovada como escola pelo Ministério da Educação do Brasil, a Hiro Gakuen, assim como outras escolas, não recebe subsídios do governo brasileiro.
A presidente da Aebj (Associação das Escolas Brasileiras no Japão), Julieta Yoshimura, explica que a maior vantagem no reconhecimento é a anulação do imposto de 5%. "Se formos analisar em termos práticos, o benefício direto é mesmo a isenção desse pagamento. E a partir disso, as escolas reconhecidas podem começar a receber donativos de empresas sem precisar recolher impostos", afirma.
Julieta diz também que o processo para receber esse título é bastante rígido e nem todas as escolas podem cumprir com as exigências. "Por exemplo, nas províncias de Ibaraki e de Saitama, eles exigem que a escola tenha um prédio próprio e isso é praticamente impossível para a maioria dos proprietários. Na minha opinião, essa lei tinha que ser mais flexível", esclarece.
GIFU
A Província de Gifu estabelece dois requisitos básicos para a aprovação de uma Kakushu Gakkoo: imóvel próprio e orçamento extra para subsistência por um terço do ano. Mas, depois de algumas negociações, o governo suavizou as exigências para a aprovação de escolas voltadas a alunos estrangeiros. Com isso, o imóvel não precisa ser obrigatoriamente próprio e o orçamento extra ficou reduzido a um sexto dos gastos anuais. A medida deverá ser copiada por outras províncias como Nagano, Shizuoka e Aichi.