Gifu


Publicado em  02/02/2011 16:35

Jovem brasileira é contratada como professora de inglês em chuugaku

Bruna Akutsu queria terminar o ensino fundamental e trabalhar, mas os conselhos da mãe e de uma professora a fizeram mudar de idéia e avançar à universidade

Japão , Gifu , Minokamo / Alexander Kanashiro/IPC

/ Alexander Kanashiro/IPC
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Bruna Harumi (esq.) lecionará língua inglesa para alunos do ensino fundamental em Kariya, Aichi

Bruna Harumi Akutsu, 22, de Minokamo, Gifu, está prestes a se formar no curso de línguas estrangeiras da Universidade Gifu Shotoku Gakuen Daigaku, foi recém contratada para lecionar inglês no colégio Karigane Chuugaku de Kariya, Aichi, e é um dos destaques da equipe de softball de sua faculdade.

Não fosse a insistência de sua mãe a jovem teria abandonado os estudos para ir em busca de um objetivo comum de boa parte da juventude brasileira de sua geração: desistir da escola para começar a trabalhar e ter a tão esperada independência financeira.

“No Japão até o chuugakoo (ensino fundamental) a educação é obrigatória. Mas o kookoo (ensino médio) é opcional. Na época eu preferia começar logo a trabalhar, ter o meu próprio dinheiro e me tornar independente”, revela Bruna que chegou ao Japão com três anos de idade em 1991. A desistência só não se concretizou graças à resistência de sua mãe Elza Akutsu, que através de uma conversa séria de mãe para filha mudou a trajetória da menina.

“Enquanto estiver te sustentando com alimentação e moradia você irá me obedecer. Então você vai para o colégio!”, determinou a mãe. Bruna teria duas opções: obedecer a ordem ou sair de casa. Felizmente optou pela primeira e foi matriculada no ensino médio. “Com 15 anos, eles não tem noção do que é o futuro. Na época, o brasileiro ganhava bem e podia comprar o bem material que quisesse. Não havia a noção da importância de uma profissão”, analisa Elza, professora de uma classe de alfabetização de crianças estrangeiras em escolas japonesas da província de Gifu.

No ensino médio Bruna conta que passou a se empenhar mais já que diferentemente do ensino fundamental, no médio a aprovação não é automática e o desempenho ruim resulta em reprovação. “Mas só estudava na última hora. Apenas o suficiente para ser aprovada nos exames”, confessa.

A idéia de ingressar no ensino superior nem passava pela sua cabeça quando no segundo ano conheceu o trabalho de uma professora pesquisadora da educação de alunos estrangeiros. E, se para avançar ao ensino médio foi necessária a imposição da mãe, desta vez foi a educadora japonesa quem interveio para que Bruna não parasse após a formatura no colégio, mas seguisse para a universidade.

“Eu sempre gostei de crianças. Então, ela me convidou para conhecer o seu trabalho que era o mesmo que minha mãe fazia. Acabei me empolgando e decidi por estudar línguas estrangeiras para me tornar professora”, recorda Bruna que foi voluntária no projeto Centro de Apoio Educacional (Caed), que atende crianças estrangeiras com aulas de reforço escolar em Minokamo.

Logo no primeiro ano da universidade a estudante foi contemplada com um curso intensivo inglês de duas semanas de duração no Canadá. Escolheu o softball como modalidade esportiva e passou a integrar o time que disputa competições universitárias. Durante os dois primeiros anos de curso, Bruna saia de casa às 6h10, de Minokano e ia até a cidade de Gifu, onde a instituição está situada. A viagem durava cerca de 50 minutos. Lá pegava um ônibus para chegar à universidade em mais 30 minutos.

Depois de frequentar as aulas nos períodos matutino e vespertino, participava do treinamento esportivo das 16h30 às 20h30, e retornava para casa às 22h. A rotina desgastante fez a jovem pedir permissão aos pais para se mudar para Gifu. “Gastava muito tempo no trajeto de ida e volta para a faculdade. Morando lá teria mais tempo para estudar e poderia pagar o aluguel fazendo arubaito (trabalho temporário)”, explica.

Estudando e trabalhando Bruna diz que aprendeu a valorizar ainda mais o esforço dos pais e para arcar com as despesas do aluguel e manutenção do apartamento chegava a dormir apenas três horas por dia quando trabalhava no período noturno (yakin). “Às vezes trabalhava das 19h às 6h. Chegava de manhã, tomava banho, dormia um pouco e ia para as aulas. Não queria que meus pais gastassem dinheiro comigo”, lembra.

Ao longo dos quatro anos de graduação, Bruna consultou frequentemente a professora que lhe motivou no ensino médio pedindo conselhos para melhorar sua formação até atingir o objetivo de dar aulas em escolas japonesas. Em outubro do ano passado prestou concursos públicos para o cargo de professora efetiva nas províncias de Aichi, Osaka e Kanagawa. Sem ser aprovada enviou currículo para as secretarias de educação das cidades de Anjo, Chiryu, Kariya, Okazaki e Toyota pessoalmente.

Após passar por entrevista e teste de redação foi aprovada para trabalhar a partir de abril deste ano no colégio Karigane Chuugakoo de Kariya, escola que possui muitos alunos estrangeiros, a maioria filipina e brasileira. Ao olhar para o passado Bruna agradece o empenho da mãe Elza por obrigá-la a estudar mesmo contra a sua vontade, pois hoje, reconhece que a educação foi o melhor caminho que poderia ter seguido. “Valeu à pena ter feito o ensino médio, especialmente a faculdade”, aponta.

“Trabalhando em fábricas a gente sabe como é difícil a vida de um estrangeiro. Não entendemos a língua e por isso, somos subordinados. Não queria isso para o futuro da minha filha por isso briguei pela educação dela. Mas o esforço maior foi dela, se não quisesse poderia ter escolhido outra opção”, finaliza Elza.


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COMENTÁRIOS
Johnnygogogo (Sexta-Feira, 18 de Fevereiro de 2011, 9:50:54) x 6
Nossa, parece um bando de animal, um querendo ser melhor q o outro... q zoado. Queria ter orgulho do Brasil, mas com um povo desse, n da animo. Eu até tento entender o motivo q leva a vcs serem assim, uns tem um passado de pobreza... outros conseguiram uma oportunidade de estudar fora do pais(dai ta com sindrome do brasileiro ''fodão''). Mas na verdade se fossem tão importante n ficariam discutindo com a plebe(Estude, seje alguem e expulse os BR do Japão, mas n fica chorando e reclamando aqui, cade a AÇÃO?) outros escrevendo igual um imortal da lingua portuguesa(procurando no goole palavras q nem deve usar no dia a dia na vida q leva.). resumindo: vcs são ZOADOS. Po vamos parar de discutir. ''Nowhere man'' Beatles, the world is at your command!
C$ (Quarta-Feira, 16 de Fevereiro de 2011, 21:16:57) x 879
eu nao miriann , quem ta atacando e sambando em cima da tristeza dos outros sao voces , no caso aqui culparam os pais dos estudantes , mas voce foi a mais equilibrada no modo de pensar , teve outros aí que só falaram abobrinha hahaha

incrível como as pessoas estao há 10 , 15 , 20 anos no JP e insistem em comparar com a situaçao se fosse no BR .. vivemos no JP , temos que tentar melhorar nossa situaçao aqui , falar mal ou bem da onde a gente vive ..

coisa de fracassado é muita gente daqui que vive dizendo : -tem preconceito mas estou melhor aqui do que no BR .. nisso pergunto , voce vive aonde ?? acho que deu pra entender né =D
xocrizy (Segunda-Feira, 14 de Fevereiro de 2011, 19:11:15) x 183
Para quem está há anos no Japão trabalhando como operário ou sei lá o que, melhor que voltem a estudar para algum dia voltar ao Brasil com alguma esperança de ser inserido no campo de trabalho.
Está cheio de nikkeis passando em concursos públicos lá no Brasil.
Melhor começar agora, pois japão esta cada vez mais afundando em sua divida, o que leva a crer que, em um curto prazo de tempo, isso aqui vai paras as cucuias!!!!
Sorte a todos.
miriann (Segunda-Feira, 14 de Fevereiro de 2011, 14:07:52) x 279
C$- Ninguém aqui está dizendo que o preconceito não existe no Jp, o preconceito existe em qualquer lugar do mundo. O que estamos à dizer é que isso não pode é virar desculpa para não conseguir alcançar seus objetivos ou justificativa para ficar estagnado exigindo isso ou aquilo.
Ao invés de "atacar" ou "chorar", experimente eliminar essa frustração e rancor, mas tem de ser com o coração sincero C$... assim vc conquistaria muito mais portas abertas para o teu sucesso e sua vida deixaria de ser tão amarga quanto deixa transparecer por aqui em suas reclamações e insatisfações.
C$ (Segunda-Feira, 14 de Fevereiro de 2011, 4:06:17) x 879
ah american tu é muito mentiroso.. todo mundo vive te menosprezando aqui na ipc e tu já ta ha mais de 1 semana huauhauha

hmmmmm faz sentido então pq tu adora o JP kkkkkkkkkkk
AMERICAN-the ☆real☆ gaijin (Domingo, 13 de Fevereiro de 2011, 18:59:32) x 140
o gaimushou,roudoushou,qualquer coisa, deveria fazer um questionário com esses nikkeis pra quem um dia ousaram abrir as porteiras, perguntando "está feliz vivendo no Japão?", justifique.

Quem respondesse que "queria mudar o sistema japones", "o sistema daqui tá errado", "sofro preconceito diariamente" (mesmo que só dentro da própria cabeça), teria a opção de VAZAR,e entrar numa listinha especial pra só pisar no país de novo como turista,se bem que uma pessoa dessas não viria fazer turismo logo no Japão "racista" né.. rs ou seja, cada qual no seu lugar.

Francamente não conseguiria viver 1 semana sequer num lugar onde não me sentisse bem.
Preferiria viver o "terror" que é voltar pro Brasil.
Falo terror pois é o que parece,todo mundo AMA o Brasil,mas ninguém quer voltar! hahahaha
MELISSA (Domingo, 13 de Fevereiro de 2011, 8:55:12) x 1866
C$
Quem esta afirmando isso eh VOCE. Diante essa situacao, torna-se contraditoria a sua propria afirmacao. Se o sistema japones eh o culpado como diz, eh a mesma cois afirmar que os pais sao culpados por deixar os seus filhos em um sistema culpado. Mania de perdedores: Procurar um culpado! SO VOCE esta procurando um culpado! Oras, C$, se vc tem cabeca, pense um pouco! Affffff!!
MELISSA (Domingo, 13 de Fevereiro de 2011, 8:54:46) x 1866
C$
Quem esta afirmando isso eh VOCE. Diante essa situacao, torna-se contraditoria a sua propria afirmacao. Se o sistema japones eh o culpado como diz, eh a mesma cois afirmar que os pais sao culpados por deixar os seus filhos em um sistema culpado. Mania de perdedores: Procurar um culpado! SO VOCE esta procurando um culpado! Oras, C$, se vc tem cabeca, pense um pouco! Affffff!!
C$ (Sábado, 12 de Fevereiro de 2011, 22:08:23) x 879
ok , vc acha que os pais das crianças sao culpados pelo preconceito que nós brasileiros temos no JP , nao consegue admitir que o preconceito parte dos japas e eu que sou idiota huaahuuhauhaauhauhuha
MELISSA (Sábado, 12 de Fevereiro de 2011, 20:16:55) x 1866
C$
" É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a duvida!"
C$ (Sábado, 12 de Fevereiro de 2011, 13:59:26) x 879
mais uma que acha que os culpados sao os pais das crianças hahaha
MELISSA (Sábado, 12 de Fevereiro de 2011, 7:50:04) x 1866
Mania dos incompetentes e perdedores: Se um brasileiro se sair bem,
eh porque teve "sorte" ou foi "marmelada", dificil atribuirem sua conquista ao esforco dessa pessoa. Sempre procura um culpado pra tudo que nao da certo. Infelizmente, enquanto nao enxergar que a culpa por ser infeliz esta em vc mesmo, vai ser dificil. No seu caso, culpa o sistema japones...entao, por que nao aprende o basico sobre ele? Tanta gente reclama do Japao, mas sabem que no Brasil ia ser pior. La, "nao existe" discriminacao. Experimenta entrar no Banco, em lojas de grife,
ter um atendimento VIP no hospital, na Delegacia, na Prefeitura. Vao sentir na pele o que eh ser mal tratado em seu proprio pais. Irao sentir saudades do "sistema japones"!
AMERICAN-the ☆real☆ gaijin (Quinta-Feira, 10 de Fevereiro de 2011, 22:23:40) x 140
é verdade, o sistema japonês está errado.
incrível é ter tanta gente dependente desse sistema.
C$ (Quinta-Feira, 10 de Fevereiro de 2011, 21:17:32) x 879
eu ponho a culpa no sistema japones , e vc nos pais das pessoas.. como eu queria que vc estivesse certa =P
miriann (Quinta-Feira, 10 de Fevereiro de 2011, 11:58:57) x 279
Resposta errada C$...
A resposta certa talvez seria:
Quando aumentar o número de Brasileiros que realmente se esforçam se preocupando não só com o próprio futuro + com o futuro de seus filhos, gastando menos tempo e dinheiro com futilidades e investindo + nas capacitações necessárias para se vencer as barreiras, diminuindo assim o número de Brasileiros como vc, que propaga + preconceito do que incentiva a elimina-los.
Preconceito não é desculpa para se tornar um fracassado como tbm não é privilégio de se sofrer apenas no Jp, como mostra as repostagens do Br de professoras que são reprovadas apenas pelo preconceito de serem obesas.
Parabéns Mãe e filha!
Que mais Brasileiros como vcs prefiram mostrar que tem garra para vencer as barreiras do que estagnarem nos choros e reclemações!
C$ (Segunda-Feira, 7 de Fevereiro de 2011, 21:19:18) x 879
resp: quando esses filhos nao tiverem nenhum nome em portugues , falarem 100% o japones , ter a certidao de nascimento japonesa e os japas nao desconfiarem que sao filhos de gaijins ..
piaodojapao (Domingo, 6 de Fevereiro de 2011, 23:34:02) x 7
Quando teremos filhos de dekasseguis médicos, advogados e engenheiros no Japão formados pelas melhores universidades?
mardita (Sábado, 5 de Fevereiro de 2011, 20:06:46) x 14
vixi
Isis (Sexta-Feira, 4 de Fevereiro de 2011, 12:34:24) x 3
E ainda faço faculdade pela UNIP Interativa pois assim como a Bruna, meu objetivo é me tornar professora de Ingles nas escolas japonesas, uma tarefa difícil, sim, com certeza, mas nada é impossível qdo se há força de vontade e qdo vc acredita na sua capacidade. Este relato é para mostrar para as pessoas que barreira, é vc mesmo que constrói, dificuldade existe, sem duvida, mas que graça seria se tudo na vida fosse fácil. As dificuldades e obstáculos apenas fortalecem mais o ser humano.
Isis (Sexta-Feira, 4 de Fevereiro de 2011, 10:24:40) x 3
Fico mto feliz de saber que há no Japão pais ainda muito preocupados com o futuro e educação dos seus filhos. Dna Elza e sua filha são um exemplo de que a língua e nacionalidade não são barreiras quando se trata de alcançar um objetivo. Há um ano leciono Ingles em uma escola de línguas em Mie-Ken mas a minha rotina anteriormente era a mesma de todos os brasileiros aqui no JP, trabalhar em fabrica, mas por ter 3 filhos, a minha intenção era dar um exemplo e um futuro melhor aos meus pequenos e foi aí que comecei a estudar firme o Ingles, uma língua que já me interessava há anos. Hj leciono na escola de línguas, tenho alguns alunos particulares e ainda auxilio as crianças brasileiras (com nihongo) nas escolas japonesas.
Isis (Sexta-Feira, 4 de Fevereiro de 2011, 10:20:39) x 3
Fico mto feliz de saber que há no Japão pais aind muito preocupados com o futuro e educação dos seus filhos. DNA Elza e sua filha são um exemplo de que a língua e nacionalidade não são barreiras quando se trata de alcançar um objetivo. Há um ano leciono Ingles em uma escola de línguas em Mie-Ken mas a minha rotina anteriormente era a mesma de todos os brasileiros aqui no JP, trabalhar em fabrica, mas por ter 3 filhos, a minha intenção era dar um exemplo e um futuro melhor aos meus pequenos e foi aí que comecei a estudar firme o Ingles, uma língua que já me interessava há anos. Hj leciono na escola de línguas, tenho alguns alunos particulares e ainda auxilio as crianças brasileiras (com nihongo) nas escolas japonesas.
zeus (Quinta-Feira, 3 de Fevereiro de 2011, 10:12:35) x 512
Meus Parabens!!! Meritos e prova que atraves do esforco e barreiros os sonhos sao tocaveis..hauhau....e força,garra determinacao e o que faz a diferenca ..nao e mesmo ta ai um exemplo pra se espelhar e acreditar que ainda e possivel...realizar sonhos por mas loucos ou distantes que parecam....sempre tem um caminho a percorrer e buscar ...realizar putz deve ser muito gratificante...pra uma extrangeira conseguir o status de professora no japao,sendo que os proff..tem uma hierarquia ai considravelmente boa..nao e igual aqui que prof nao e valorizado e tem que aturar uma par de delinquentes...garotos rebeldes.... era preciso ter reformatarios nao colegio no Brasil regime fechado internato ...sair de la e ir pro servico militar e sair integrado na sociedade ..uma politica dessa que precisaria a
Engio (Quinta-Feira, 3 de Fevereiro de 2011, 5:43:34) x 15
Isso merece mais que "omedetou gozaimasu", parabens, felicitaciones, é muito bom saber que existem pessoas assim, que nao desistem, nao desanimam, e principalmente que contam com o apoio de uma familia de verdade.,Parabens, tudo de bom para vcs. Vcs sao pessoas de garra, e servem de exemplo para muita gente. Mais uma vez, parabens. Tenho certeza que sera uma otima professora e ajudara muito aos estrangeirinhos que necessitam de muito apoio para aprender uma nova lingua, as vezes de uma hora pra outra. Fiquem com Deus.
MELISSA (Quarta-Feira, 2 de Fevereiro de 2011, 21:41:23) x 1866
Omedetou gozaimasu!

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