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Thassia Ohphata/IPCJAPAN
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Jimmy, Cintia, Cristhian e Ernesto Sakurai
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Cristhian Sakurai, 3, segue os passos de Jimmy, 9. Assim como o irmão mais velho, ele começou a freqüentar com dois anos de idade, uma creche municipal em Ota (Gunma), onde vivem. Por causa disso, hoje, eles são trilíngües, falam português, espanhol - já que o pai, Ernesto, 39, é peruano - e também japonês. "Meus filhos nasceram aqui e precisam se adaptar à rotina de estudos no país", afirma a mãe Cintia, 38.
As vagas são concorridas nas creches públicas e é preciso ficar atento ao período de inscrições - que geralmente ocorre entre outubro e novembro, com início das atividades em abril do ano seguinte. Os pais precisam comprovar que trabalham fora. No entanto, Cintia diz que o procedimento é simples. "Podemos visitar as creches e na inscrição colocamos três opções que fiquem próximas à nossa residência ou trabalho. A matrícula é feita naquela em que houver vaga disponível", explica.
Apesar de não saber ler em japonês, a brasileira conta que os professores se esforçam bastante para que todos possam entender. "Quase não há estrangeiros na creche em que o Cristhian está, mas por exemplo, quando recebo algum informativo, os professores explicam tudo, sempre com boa vontade", elogia. Mesmo trabalhando em fábrica, Cintia sempre participa de todas as atividades programadas pela creche. "O importante é marcar presença e mostrar que mesmo sendo estrangeiros, estamos interessados em tudo", diz. "É preciso ter em mente que não dá para fazer muitas horas extras. Faço no mínimo uma hora e sempre que tem alguma atividade, aviso aos chefes e saio mais cedo", acrescenta.
Débora Midori Aoki Shimabukuro, 32, de Ota, também não teve dificuldades de matricular o filho Cauê Yuichi, 3, em uma creche municipal. "Acho que a creche japonesa tem uma estrutura melhor, tanto no espaço como nas atividades. Como não temos previsão de voltar ao Brasil, vai ser importante para que ele possa continuar os estudos aqui", justifica.
Ao ouvir os comentários sobre maus-tratos, Débora conta que ficou com um pouco de receio e resolveu optar por uma creche indicada por amigos. "Não era nada daquilo que o pessoal comentava. Eles tratam muito bem os estrangeiros e o meu filho nunca sofreu maus-tratos e se dá muito bem com os japoneses", diz. Por receber vários alunos
brasileiros, a creche freqüentada por Cauê disponibiliza de uma intérprete.
Segundo a mãe, todos os informativos são em português. O trabalho dela também é em função do filho, que sai da creche às 16h. "Participo de todos passeios e atividades, como aquela em que acompanhamos as atividades das crianças na creche. É tudo durante a semana, mas vale a pena e é também uma oportunidade para os pais se conhecerem".
MATRÍCULA FORA DE ÉPOCA
Quando tinha apenas um ano e seis meses de idade, Vinicius Sakugawa Peres, hoje com 3 anos, começou a freqüentar a creche japonesa. "Resolvi que iria voltar a trabalhar e visitei várias creches até conseguir uma vaga, já que era final de maio, fora do período de inscrições", diz a mãe Erika, 34.
Ela conseguiu a vaga em uma creche particular, mas que é mantida pela Prefeitura de Oizumi (Gunma), cidade em que ela trabalha. Apesar de ser particular, o procedimento de matrícula e o valor da mensalidade são parecidos com as creches públicas, conforme relata a brasileira. "Em poucos dias, ele começou a adaptação. Ele aprendeu português e japonês ao mesmo tempo", revela. "Há muitas atividades e passeios. Ele gosta muito e quando acorda já quer ir para a creche", completa o pai, Demétrius, 32.
Apesar de não falar fluentemente o idioma japonês, o casal sempre procura estar em contato com os professores. "A educação é em conjunto entre os pais e a escola e somos informados de tudo o que acontece, tanto pelo filho como também pelos professores", diz o pai.
Erika explica que, ao contrário do que muitos pensam, na creche japonesa as crianças são socorridas quando há alguma emergência. "Quando é uma emergência, eles levam ao hospital e avisam o que ocorreu. Além disso, a creche também tem um seguro, caso aconteça algo lá dentro".
A avó, Eiko Sakugawa, 58, também ajuda a cuidar de Vinicius. Quando a filha não consegue sair no horário, é ela quem vai buscar o neto. "Tem dia que ele fica até o último horário, às 18h30, mas os professores têm todo cuidado e sempre têm atividades", conta Erika.