Alunos da escola Opção de Joso (Ibaraki) aprenderam com mestres japoneses a confeccionar vasos artesanais de cerâmica e fizeram a queima em um templo budista erguido 600 anos atrás. “É um intercâmbio muito interessante porque são artistas vindos de outros lugares para fazer esse trabalho volutntário”, explica a coordenadora da escola, Mayumi Uemura. Nada melhor do que a tranquilidade de um templo budista para uma atividade ao ar livre. Os alunos aproveitaram para lanchar enquanto seus trabalhos queimavam a 900 graus Celsius.
Segundo os artesãos japoneses, esta arte de fabricação de vasos remonta mais de cinco mil anos e é a forma tradicional de se queimar a cerâmica. Numa demonstração, o aluno Rafael e o monge Kaneda confeccionaram um vaso extra. A argila usada é própria para a fabricação de potes de flores. A confecção é totalmente manual. Em etapas prepara-se primeiro a base. Depois vêm as camadas de roletes de argila, sobrepostas até a altura desejada.
Depois de dar forma, os antigos também enfeitavam o vaso com ranhuras usando um pedaço de corda. A queima só pode ser feita depois da argila secar, processo que leva até uma semana.
O cozimento também é demorado. Sete horas, no mínimo. Nesse dia foram queimados 23 vasos e nenhum se quebrou. O processo de queima às vezes deixa manchas pretas que dão um charme aos trabalhos que ficam ainda mais originais. As formas dos vasos variam bastante. Cada aluno investiu criatividade e incluiu personalidade à obra. Para o monge Daisuke Kaneda foi muito interessante ensinar aos brasileiros a antiga arte da cerâmica japonesa. O resultado agradou alunos e professores.
O pofessor voluntário Yoshinori Saito transmitiu a lição de que ¨cada obra é única, não existe nada igual no mundo. Espero que os alunos dêem valor a isso”. Gabriela Shiotsuka, aluna da 8ª série do ensino fundamental participou pela primeira vez de uma atividade com artesanato e saiu satisfeita. “Foi o maior prazer ver o resultado pronto”, contou.
Em atividades como esta pode-se descobrir talentos até então escondidos na personalidade. Alguns já fazem planos para o futuro como Rafael Eguchi. “Estou querendo fazer um vaso, mas não desse jeito. Tem a máquina que você fica pisando, gira, e faz com água na mão, mas o sensei disse que é muito difícil pra gente”, revela.
Esta é a terceira vez que a escola promove este tipo de atividade. Os vasos são a prova desse intercâmbio cultural. E são utilitários. O próximo encontro com os artesãos acontece no dia 20 de outubro, quando os alunos vão escolher qual flor plantar em seus vasos. Depois os trabalhos ficarão expostos na biblioteca da cidade de Joso.