Mie


Publicado em  18/10/2006 19:49

Sindicato luta pelos direitos trabalhistas

Movimento sindical de Mie defende estrangeiros e já tem 450 filiados de diferentes nacionalidades

Tokai , Mie , Tsu -

Danilo Nuha/ipcdigital
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Desde 2003, o grupo passou a defender causas envolvendo estrangeiros

Quando se fala em greves, piquetes e protestos, muita gente pensa que isso não acontece no Japão. E poucos são os brasileiros que conhecem seus direitos dentro da legislação japonesa. Menos ainda são os que têm consciência sobre a força que os movimentos sindicais estão adquirindo no Japão. Uma prova disso é a Union Mie, que há quase 50 anos luta pela defesa dos trabalhadores. Com sede em Tsu (Mie), o grupo começou a defender causas estrangeiras só em 2003 e desde então já realizou dezenas de "panelaços" em portas de fábricas.

Um dos casos mais recentes em que a Union se envolveu foi o do brasileiro Antônio Antunes de Souza, 44, que depois de oito anos na mesma empresa, começou a sofrer agressões físicas e a ser discriminado pelos colegas japoneses. "Após todo esse tempo, eles me mandaram para um lugar muito sujo, onde o serviço era corrido e todas as pessoas estavam estressadas por causa da pressão dos chefes. E, logo no começo, os japoneses começaram a me tratar mal, davam chutes, tapas e me humilhavam o tempo todo. Para você ver como era pesado, eu era o único brasileiro nesse setor". Souza relata também que nunca deixou de fazer seu trabalho corretamente e para provar isso ele mostra um documento em que dez pessoas foram testemunhas no seu caso.

Através de relatos sobre os abusos que sofria, Souza foi aconselhado por amigos a procurar a Union. "Desde a primeira vez em que fui ao sindicato já me senti amparado", diz ele. Mas o estopim para que a Union entrasse no caso foi quando Souza levou um chute nas costas de um chefe e ficou com um hematoma. "Primeiro, eu fui reclamar na polícia, depois fui fazer um laudo no hospital, mas os próprios médicos não quiseram se intrometer e me mandaram voltar para a fábrica". Souza diz que ainda trabalhou alguns meses após a agressão mais séria e decidiu procurar um outro médico, que também detectou depressão e surdez em um dos ouvidos. Com os laudos prontos, a Union colocou a fábrica na justiça.

A empresa teve que pagar indenização, seguro desemprego, tratamento psicológico, demitir um dos agressores e ainda fazer um pedido público de desculpas assumindo a culpa. "Se não fosse a Union, talvez eu tivesse me matado, ou até mesmo feito coisa bem pior", relata.


TRABALHO PERIGOSO


Há quinze anos no Japão, Hélio Takessako, 37, só conheceu o sindicato em maio deste ano. "Acredito que grande parte dessa desinformação se deve aos próprios patrões, que não deixam os movimentos divulgarem seu trabalho educacional. E não é de interesse de algumas fábricas que os operários conheçam seus direitos", afirma.

Takessako diz que trabalha na mesma empresa há 13 anos. "Nesse tempo, eu já vi de tudo, desde abusos, discriminação e pessoas amputadas. Eles nunca assumem nada e se a pessoa fica doente eles falam: "você não vai trabalhar, então procure seu caminho", explica.

Após alguns anos, Takessako diz que teve úlcera e problemas estomacais e que muitos colegas viviam na mesma situação, mas isso foi até eles descobrirem que o problema estava na tinta que manuseavam. "Um dia, eu estranhei a suspensão de um produto que a gente sempre usava, então pedi para ver o nome. E já desconfiado do que estava escrito em japonês, decidi guardar esse papel e o levei para o sindicato".

A Union fez uma pesquisa para saber a origem do produto com nome esquisito: hexaclorobenzeno. Foi então que eles descobriram a gravidade, pois segundo o laudo, é um dos doze produtos mais tóxicos de se manusear (outro nome famoso na lista é o amianto). E o contato com esse elemento "altamente tóxico" pode causar uma mudança genética que pode afetar até os netos dos operários e, a curto prazo, gerar vários tipos de câncer.

Logo após a descoberta, Takessako sofreu um acidente de carro, e a empresa decidiu demiti-lo alegando que ele havia "sujado" o nome da empresa e também por não cumprir as regras de trabalho. Então, a Union montou um dossiê e descobriu que além dos produtos ilegais, a firma também não pagava o Seguro Social (Shakai Hoken) e nem dava férias remuneradas. Os sindicalistas pressionaram a empresa e agora a batalha está em processo.



ONDE BUSCAR AJUDA

Existem sedes da Union espalhadas por todo o Japão. Veja as principais:


  • Mie, Shiga e Gifu
    tel.: (059) 225-4088 (Marlene)
  • Aichi e Shizuoka
    tel.: (052) 679-3079
  • Hyogo
    tel.: (06) 6481-2341 ou (06) 6481-4727
  • Kanagawa
    tel.: (044) 555-3411 ou (044) 555-3362
  • Kyoto
    tel.: (075) 691-6191 ou (075) 691-6145
  • Osaka
    tel.: (06) 6315-7667
  • Tokyo e Gumma
  • tel.: (03) 5338-1266
  • Hiroshima
    tel.: (082) 264-2310 ou (082) 873-1446

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COMENTÁRIOS
marquinhos (Quarta-Feira, 28 de Abril de 2010, 16:26:34) x 2

me associei a este sindicato com a esperanca de haver meus direitos porem eles me enrolaram e me enganaram e me iludiram alem de me fazer assinar um contrato dizendo q pagaria as mensalidades durante 3 anos e pagaria 20% da indenizacao q disseram q eu receberia e q nao vi esse dinheiro ja tem 1 ano e meio.
abre o olho gente esses caras soh kerem nosso dinheiro...se eles kizessem realmente ajudar os trabalhadores em geral eles nao cobrariam esses valores absurdos.
sem contar q fiquei queimado nas empreiteiras parece q eles tem ate lista das pessoas q faz parte deste sindicato

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