O tocador de horagai, trompete de concha do mar, anunciou a chegada dos brasileiros em Sendai (Miyagi). O grupo trouxe condolências nas mãos, lanternas de bambu com mensagens de apoio e no coração, a tristeza pelo que aconteceu. Essa chama da solidariedade brasileira mais uma vez se estendeu às vítimas da tragédia de um ano atrás. “Simboliza a luz que nós brasileiros em nome de toda a sociedade brasileira queremos levar às vítimas do terremoto e ao conjunto da sociedade que nos acolhe”, disse o embaixador Marcos Galvão.
A tocha acesa no prédio da embaixada, na prática está flamejando desde os primeiros dias que se seguiram à tragédia. Eber Iyama percorreu diversas vezes o caminho de Gifu, onde mora, até Tohoku. “O tsunami destruiu tudo, quando vi aqui pela primeira vez foi três, quatro dias depois que o tsunami tinha acontecido. Eeu tinha visto um monte de tudo, casa, carro, e hoje eu vejo tudo isso limpo, então é uma coisa que a gente tem que aprender com eles, os japoneses. Eles conseguiram limpar tudo isso em um ano, e não duvido que consigam construir tudo em um ano”, relata Iyama. Desta vez, a expedição reuniu dois ônibus e uma van.
Em cada parada, uma oração. Da Universidade Tohoku, o grupo seguiu para a cidade vizinha de Natori, onde mais de 900 pessoas morreram tragadas pelas ondas de março. ¨Ainda não dá para acreditar. Perdi 11 primos aqui em Natori¨, contou uma senhora.
Os brasileiros repetiram os gestos de Pelé, que esteve na cidade seis meses atrás em solidariedade ao povo japonês. E viram o mesmo cenário que tenta retomar ao que era antes das 2h46 da tarde daquele gélido 11 de março.
¨Somos gente do mar. Não podemos ficar com medo do mar. Todos queremos voltar pra nossa terra¨, desejava um japonês, que vive hoje em abrigo temporário.
Paulo Batalha, do Setor de Comunidade da embaixada apontou que “mesmo percebendo que não sobrou nada, é impressionante ver como foi destruído isso daqui, e como eles tem colocado muito trabalho para conseguir reconstruir”. Há quatro séculos, uma floresta separava a população de Natori do mar. Durante o tsunami, a vegetação diminuiu a força e velocidade das ondas, salvando muitas vidas.
“Hoje viemos transmitir os nossos sentimento para as pessoas. Nada mais simbólico do que um pé de ipê, uma araucária, e a gente vai deixar aqui. Esperamos vingar para a nossa mensagem de apoio para o pessoal”, disse Shinji Mogi do Movimento Brasil Solidário.
Os brasileiros plantaram sementes na terra lavada, como símbolo de força e respeito aos que morreram. As mudas de ipê roxo, araucária e pinheiro do paraná não formam volume. Mas poderão se transformar em árvores frondosas para lembrar ao povo de Tohoku, que o Brasil se solidariza com a dor dos japoneses.
O terremoto e tsunami de 11 de março deixou quase 16 mil mortos confirmados e mais de 3 mil pessoas desaparecidas. Ainda restam 341.411 pessoas divididas por todo o país em mais de 50 mil abrigos provisórios.