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Thassia Ohphata/IPCJAPAN
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Sanyo de Ueda (Nagano) fechou parte do setor de aparelhos celulares e dispensou muitos funcionários
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O ano de 2007 começou difícil para alguns brasileiros que trabalhavam em duas fábricas do setor de eletrônicos, de Ueda (Nagano). Um plano de recuperação e a possível transferência de um setor para um outro país da Ásia fizeram com que essas fábricas reduzissem o quadro de funcionários.
No final do ano passado, a Santa Keikinzouku, de montagem de placas de circuito interno e peças de motores para aparelhos eletrônicos, dispensou cerca de 80 funcionários, sendo a maioria estrangeiros. O principal motivo da redução no número dos funcionários foi um plano de recuperação, já que a fábrica não passava por uma boa situação. "Tudo isso é em razão da má administração e precisou entregar o controle para uma outra empresa. A fábrica vai continuar com as atividades, mas agora passa por um plano de recuperação na tentativa de voltar a situação que era antes", revela Milton Hiroshi Otomo, gerente da empreiteira Avance Corporation, filial de Ueda, que contrata funcionários para a fábrica.
No início do ano, foi a vez da Sanyo reduzir o número de funcionários. Uma parte do setor de aparelhos celulares da fábrica foi desativada para uma possível instalação em um país asiático. Aproximadamente 300 funcionários ficaram sem trabalho.
A situação atual da região não é animadora. O gerente da Avance Corporation, percebe que, nos últimos tempos, as ofertas de emprego na cidade têm caído bastante. Segundo Otomo, as fábricas estão cortando horas-extras em razão das leis trabalhistas estarem mais rigorosas. "Houve muitos problemas de saúde com funcionários que faziam muitas horas-extras", afirma o gerente.
A situação atinge também o comércio e as instituições de ensino. Ueda é considerada, hoje, uma das cidades da província de Nagano com maior número de brasileiros. Segundo dados da Prefeitura, 2.911 brasileiros estão registrados na cidade. O diretor do Centro Educacional Novo Damasco, Daniel Tuyoshi Yoshinaga, é um dos que sentem esse impacto, já que vários pais de alunos trabalham na Sanyo.
Somente no início desse ano, cerca de 10% do total de alunos deixaram a escola e mudaram para outras localidades, outransferiram-se para escolas japonesas. De acordo com o diretor, mais da metade da família desses estudantes aproveitaram o momento para retornar ao Brasil. "Essa é uma época difícil para todos, mas vejo que a atual situação é atípica. Já passamos por outras crises parecidas, mas sempre havia transferência de funcionários ou logo construíam outros setores. Dessa vez, não ouvimos nada nesse sentido", revela.
O Colégio Pitágoras, de Tomi (Nagano), cidade vizinha de Ueda, contabiliza dez famílias de alunos que mudaram-se para outras regiões. "Soubemos que eles foram para Aichi, Shizuoka, Shiga, onde as oportunidades são melhores. Também tivemos conhecimento de famílias que foram Tochigi e Ibaraki", afirma a coordenadora da unidade, Juliana Matta. "Muitos desses alunos estavam conosco desde a inauguração da escola na cidade, em 2002", acrescenta.
O comércio percebe o impacto. A proprietária da loja Lara Modas, Lara Mertz, diz que suas vendas caíram cerca de 20%, se comparadas ao mesmo período de 2006. "Sempre há a rotatividade de pessoas, mas dessa vez, muitos foram embora. Principalmente por causa da Sanyo, onde a maioria dos funcionários eram mulheres. Isso afetou bastante o movimento".
Valter Egawa, gerente da loja Real Produtos Brasileiros, aposta no movimento do feriado da Golden Week para tentar recuperar as vendas e impulsionar o movimento. Há três meses na gerência da loja, Egawa percebe uma queda de 15% nas vendas.