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/ Arquivo/IPC
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Para Borges, o Focus-Brazil e Prêmio Press Award representam um estímulo à motivação e autoestima do brasileiro no exterior
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Em setembro deste ano, o mês do Brasil no Japão, a comunidade ganha mais dois eventos com a realização pela primeira vez na Ásia, do Prêmio Press Award e o Congresso Internacional de Comunicação Brasileira Focus-Brazil trazidos dos Estados Unidos pelo jornalista, Carlos Borges, que vive há mais de duas décadas fora do Brasil.
Desde o ano passado, Borges percorre países com grande concentração de brasileiros para a viabilização de parcerias que tornem possível a realização de eventos regionais. “Desde que eu me tornei um imigrante, há 22 anos, conhecer a fundo a realidade dos brasileiros no exterior é uma paixão para mim. E tem que ser assim. Esses eventos não dariam certo se fossem decididos ‘em gabinete’ sem a experiência in loco”, comenta.
Em entrevista ao International Press, Borges contou sobre o alcance das duas atrações na comunidade brasileira radicada nos EUA, os desafios superados para conquistar a credibilidade dos parceiros e a expectativa da realização da primeira edição na Ásia. Justifica também a importância do Press Award e do Focus-Brazil para o crescimento e integração dos brasileiros que vivem no exterior.
“Antes, os imigrantes brasileiros viviam isolados, sem representatividade e sem nenhum nível de organização. A realidade gerada pelo Focus-Brazil e Press Award é a de comunidades que se respeitam e celebram suas vitórias, ao mesmo tempo que sentam uns diante dos outros para debater as questões que lhes afetam”, analisa.
INTERNATIONAL PRESS: Como surgiu a ideia de criar o Congresso Internacional Focus Brazil e o Prêmio Press Award?
Carlos Borges: Nós sempre estivemos muito envolvidos com eventos comunitários e populares. O Press Award surgiu em 1997, como consequência da necessidade de valorizar as atividades artísticas, culturais, comunitárias e da mídia brasileira nos Estados Unidos. Em poucos anos chegaram a estar atuando cerca de 150 veículos de comunicação servindo a comunidade brasileira, e dezenas de atividades musicais, artísticas em geral. O nome do prêmio surgiu do fato de que a comissão final que determina os ganhadores é formada por representantes das mídias comunitárias.
O surgimento do Focus-Brazil, em 2006, foi resultado da demanda cada vez maior, por parte dos emigrantes brasileiros, em expor suas necessidades e reinvindicações. Não foi por acaso que dois anos depois surgiu a iniciativa “Brasileiros no Mundo”, que hoje está bastante associada ao Focus-Brazil tanto nos Estados Unidos quanto na Europa e Japão.
IP: Quais foram as dificuldades superadas no início e quais são seus planos para o futuro?
Carlos Borges: Nunca deixo de falar que quando eu conversei com amigos, colegas e parceiros sobre o conceito do Press Award, tudo o que ouvi foi desânimo, dizendo que seria muito difícil de conquistar a credibilidade do brasileiro. Eu acreditava. Na verdade, algo me dizia interiormente que havia espaço para esse tipo de iniciativa entre os brasileiros no exterior.
O tempo provou que eu estava certo em apostar que o brasileiro sim, gosta de celebrar quem vence, quem promove o positivo e quem aposta no Brasil no que temos de melhor. Hoje já não temos esse problema. Completamos 14 anos em 2011, ano em que estamos expandindo para Europa e Ásia e até possivelmente um quarto evento na América do Sul antes do final do ano.
Para 2012, ano em que completaremos 15 anos nos Estados Unidos, almejamos estrear eventos em Angola, Portugal e Canadá. E estamos recebendo convites e propostas semelhantes de vários países, até mesmo os que não possuem comunidades brasileiras tão expressivas. Vamos tentar crescer passo a passo, analisando a coerência de cada novo projeto.
IP: Qual a importância desses eventos para a comunidade brasileira nos EUA?
Carlos Borges: Acho que é muito relevante. O Press Award se tornou o "Oscar" da comunidade brasileira, evento esperado o ano todo, com grande prestígio e participação popular, mais de 150 mil votantes pela Internet (um número incrível se tratando de comunidade brasileira) e um grande estímulo à autoestima dos brasileiros.
O Focus-Brazil cada vez mais amplia seu elevo de temas e painéis cobrindo os mais variados assuntos da comunidade. Dentro do Focus-Brazil foram fundadas diversas entidades e iniciativas importantes, como a ABI-International, a American Organization of teachers of Portuguese, a Brazilian-American Advertising Association. o Focus Video Fest e o Projeto Minha Pátria, Minha Língua, para citar só alguns.
IP: E como o Focus-Brazil e o Press Award contribuem para a autoestima do brasileiro no exterior?
Carlos Borges: Eu cito os embaixadores Eduardo Gradilone e Oto Agripino Mais, que são os primeiros a alardear que o benefício gerado pelo Focus-Brazil e Press Award à autoestima dos brasileiros é de uma relevância única e inédita. A emoção de cada membro da comunidade agraciado com o Press Award é visível. O entusiasmo de quem participa do Focus-Brazil fica estampado no rosto de cada um.
É uma experiência que se repete ano após ano. Há um grande número de pessoas que são hoje "frequent flyers" desses dois eventos. Não perdem um! E há quem esteja garantido que irá a Londres e virá ao Japão. Eu não duvido..
IP: Como eles promovem a integração e diálogo das comunidades brasileiras?
Carlos Borges: Dialogar sobre nossas necessidades, anseios e reinvindicações é sempre a forma mais correta de se alcançar os objetivos. Antes, os imigrantes brasileiros viviam isolados, sem representatividade e sem nenhum nível de organização. A realidade gerada pelo Focus-Brazil e Press Award é a de comunidades que se respeitam e celebram suas vitórias, ao mesmo tempo que sentam uns diante dos outros para debater as questões que lhes afetam. Crescimento, creio, é isso.
IP: Fale um pouco do desafio de conquistar a credibilidade da comunidade e dos parceiros para a realização dos eventos.
Carlos Borges: Você precisa ter uma vocação para isso, experiência e um amor muito grande aos assuntos públicos. Porque o desafio é enorme. Começa com o sufoco que é convencer uma por uma das pessoas, para a importância de se envolver, se fazer representar, reivindicar e ouvir as reinvindicações.
Temos muita sorte e privilégio de encontrar apoio em instituições que se sentem comprometidas com o brasileiro no exterior, como a TAM, Banco do Brasil, TV Globo Internacional e o Ministério das Relações Exteriores. Isso é o que faz realmente a diferença. Mas com o passar dos anos, o desafio maior deixa de ser a conquista das entidades comunitárias e passa a ser a viabilização financeira dos eventos, que é sempre muito estressante.
IP: Para a implantação do projeto nos demais continentes você viajou para conhecer a realidade das comunidades brasileiras no exterior in loco. Qual o panorama que você faz dos brasileiros no exterior?
Carlos Borges: Eu sempre viajei muito, mas muito mesmo. Conhecer e lidar com pessoas faz parte de minha vida e profissão. E desde que eu me tornei um imigrante, há 22 anos, conhecer a fundo a realidade dos brasileiros no exterior é uma paixão para mim. E tem que ser assim. Esses eventos não dariam certo se fossem decididos "em gabinete", sem a experiência in loco.
Para mim tem sido a mais fantástica das experiências. O brasileiro no exterior pode ser definido de muitas formas. A principal delas é a saudade imbatível que ele tem de tudo o que representa a familiaridade, a brasilidade de cada um de nós. O brasileiro é apaixonado pelo Brasil e ponto final. Mas há importantes segmentos que entendem a escolha que fizeram e sabem viver bem nos países adotados, usufruindo de situações que acreditam não teriam no nosso país. Vivemos num mundo cada vez mais globalizado e nesse quadro os brasileiros se inserem muito bem.
IP: E como estão os preparativos para a edição da Ásia que acontece nos dias 1 e 2 de setembro, em Tóquio?
Carlos Borges: Estamos indo muito bem, "costurando" as parcerias e tentando driblar a conjunção de fatores adversos, a começar pelo ano extremamente difícil por que passa o Japão. Sabíamos disso e foi até justamente para mandar a mensagem correta que insistimos em fazer. Nossos parceiros - TV Globo Internacional, Banco do Brasil e Itamaraty - entenderam da mesma forma e estão nos possibilitando essa realização.
Aqui estamos recebendo apoio da Câmara de Comércio, da Associação das Escolas Brasileiras, do grupo IPC, do CRBE na pessoa de seu Presidente, Carlos Shinoda, dos artistas brasileiros e lideranças comunitárias e culturais locais, enfim. O esforço é coletivo. A expectativa é a melhor possível.
IP: Para finalizar, deixe uma mensagem para os brasileiros residentes no Japão e na Ásia.
Carlos Borges: Eu sou um apaixonado pelo Japão há muitas décadas. Poder estar aqui ajudando a fazer algo em benefício dos brasileiros, é um privilégio incrível. Cada vez que retorno ao Japão (e já são quatro vezes em pouco mais de um ano) eu encontro mais razões para gostar e admirar esse país e entender o papel do emigrante brasileiro em solo japonês. Nós brasileiros somos, no Japão, o que os japoneses emigrantes foram no Brasil. Devemos encarar com seriedade e honra esses laços históricos dos dois países.
A agenda oficial será divulgada a partir do dia 1º de julho, e a exemplo do evento original dos Estados Unidos, a participação será gratuita, com número de inscritos limitado à capacidade da Sala do Barque Shibaura e do teatro do Centro Cultural Akasaka, ambos em Tóquio. A votação online e outras informações estão disponíveis no site www.pressaward.com.
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Perfil do entrevistado
Carlos Borges é baiano, nascido em Alagoinhas, mas criado desde criança em Salvador. Aos 15 anos, iniciou sua carreira no jornalismo. Foi repórter e editor nos jornais Tribuna da Bahia e Jornal da Bahia. Transferiu-se para a TV Aratu (então afiliada da TV Globo) e trabalhou como produtor e editor-chefe das afiliadas das redes Globo, SBT, Bandeirantes e Manchete. Em 1989, mudou-se para a Flórida, nos Estados Unidos, para integrar o elenco original do canal Nickelodeon.
Vive há 22 anos nos Estados Unidos, onde desde 1991, desenvolve eventos e mídias para a comunidade brasileira. Tem 55 anos e duas filhas, Joana (33), residente em Salvador (BA) e Amanda (18), que estuda em Nova Iorque.