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Kelsen Sato/ipcdigital.com
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Akemi se naturalizou japonesa para conseguir ser professora no país
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Aos seis anos de idade, Renata Akemi Zukeyama chegou no Japão acompanhada dos pais e irmãos. Naquela época, a sua estória não era diferente das muitas crianças brasileiras que vêm para o país. Logo foi matriculada no 1º ano da escola primária japonesa e, como não entendia quase nada do idioma, teve dificuldades para se adaptar. "Foi bem difícil, eu chorava quase todos os dias", lembra.
Hoje, 17 anos depois, Akemi, japonesa naturalizada, acaba de se tornar professora da turma de 2ª série do Mito Shoogakkoo, sendo a primeira estrangeira a conseguir o feito em toda província de Shiga. "Essa foi a segunda vez que eu prestei a prova para conseguir lecionar. Confesso que nem eu acreditei que tinha sido aprovada", conta.
O sonho de ser professora primária no Japão surgiu aos 10 anos de idade, quando Akemi estava na 4ª série. A professora rigorosa e que sempre lhe chamava a atenção foi a motivação. "No início eu não gostava dela, mas com o tempo percebi que ela se preocupava comigo, por isso cobrava. Os professores anteriores diziam que eu não precisava fazer a lição quando não conseguisse entender", conta Akemi.
Vida de professor
Segundo Akemi, os professores recém-formados dificilmente conseguem atuar em escolas próximas do local em que moram. Apenas os professores veteranos têm a opção de escolher, uma vez que a maioria já possui família. No entanto, Akemi conseguiu uma vaga na escola em que desejava atuar.
O pedido foi aceito pelo comitê educacional por ela entender a língua portuguesa. "Na escola em que eu trabalho tem muitos alunos estrangeiros, e os brasileiros são a maioria, cerca de 50. Como já passei pela mesma experiência, acho que posso ajudar na adaptação dessas crianças", explica.
Akemi confessa que o trabalho como educadora não tem sido nada fácil. "O problema nem é tanto os alunos, mas os pais. Praticamente todos os dias eu recebo alguma reclamação de mães que não concordam com a minha forma de trabalhar. Em uma sala de 33 alunos, imagina atender a vontade de todos os pais, isso dificulta bastante o meu trabalho. Mas, quero acreditar que isso está acontecendo porque é o meu primeiro ano", desabafa.