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/ Alexander Kanashiro/IPC
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Manoel Takashi Aoki reside em Shiga e leva produtos brasileiros para regiões afastadas do comércio brasileiro como Hyogo e Osaka
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“Caminhoneiro não tem hora marcada para trabalhar. Trabalha de dia, de tarde, de noite e dorme picado. Não é fácil acompanhar o ritmo”, afirma Hélio Shinohara, proprietário de uma loja de produtos brasileiros em Higashiomi, Shiga, que em 11 anos de Japão trabalhou durante cinco nas estradas do país e hoje abastece quatro caminhões.
Shinohara conta que chegava a percorrer 600km por semana num trajeto que passava pelas províncias de Shiga, Osaka, Kyoto, Fukui e Gifu atendendo a comunidade que vive em áreas desprovidas de comércio brasileiro. Seu irmão que ainda está no ramo vai até Ishikawa. “Quem não gosta de dirigir não consegue acompanhar o ritmo. Tem que conhecer bem a rota. Não é para qualquer um”, destaca.
Neste período de inverno, ele recomenda atenção aos motoristas para o perigo da pista congelada. Recentemente um de seus funcionários se envolveu num acidente. “Foi uma colisão. O carro teve perda total e o caminhão não foi muito danificado. Graças a Deus ninguém se feriu”, recorda.
“Imprevistos são comuns”, diz Manoel Takashi Aoki, 34, há quatro anos no caminhão que no momento desta entrevista havia acabado de retornar para Shiga depois de dois dias de viagem por Hyogo, Nara e Osaka. Ele revela que o veículo já o deixou “na mão” várias vezes. “O que mais acontece é problema com bateria. Aí tem que chamar o guincho e a viagem atrasa. Não tem jeito”.
O descanso é numa cama adaptada e o kombini é o ponto de parada para uma pausa na viagem e para ir ao banheiro. Já o banho é tomado no primeiro Internet Café que encontrar pela frente. “O horário é bagunçado mesmo. Só paramos e descansamos na hora que der”, aponta. Mas o serviço não termina após o retorno para casa. Há ainda o controle do caixa. Relatório do veículo e a reposição do estoque. Shinohara acrescenta que o caminhoneiro precisa ser motorista, vendedor e administrador. “Afinal, o estoque é por conta dele”, pondera.
Para ele, o comércio ambulante já teve seu auge no qual os consumidores faziam filas e chegavam cedo aos postos de parada para adquirir as mercadorias, mas hoje, sobrevive depois da crise econômica de 2008. “Antes os clientes vinham toda semana. Agora aparecem uma vez para fazer a compra do mês”, compara. “Antes, você determinava um valor e batalhava para fazer essa quantia. Hoje, você precisa percorrer uma distância bem maior para obter o mesmo faturamento”, completa ressaltando também que depois de 20 anos no Japão a comunidade está enraizada se acostumando aos alimentos japoneses.
A rotina diária pessoal e também da família muda completamente quando o trabalhador troca a fábrica pelo caminhão. “Aqui você abre mão de muita coisa. Enquanto está todo mundo de folga, estou trabalhando. É como se trabalhasse por conta. Sem chefe, mas por outro lado a responsabilidade é bem maior”, garante Aoki que não pensa em trocar de ramo. Shinohara, porém, diz que se for pensar nos ganhos a fábrica hoje, é a melhor opção. “Antes o sacrifício compensava mais. Agora se for levar em consideração o stress e o lado financeiro, hoje a fábrica está melhor”, finaliza.