Shiga


Publicado em  31/10/2011 14:05

Caminhoneiros continuam a abastecer a comunidade em regiões distantes com produtos brasileiros

Há 20 anos, atendimento a domicilio é programado pelo caminhoneiro conforme o horário que os clientes saem do trabalho

/ Edson Xavier/JPTV

Desde que os primeiros brasileiros desembarcaram no Japão, se estabeleceu o comércio de produtos do Brasil. O mercado mudou, mas ainda hoje caminhoneiros levam mercadorias a clientes em regiões distantes dos grandes centros. Cleverson Hashimoto é um dos caminhoneiros que persistem na atividade.

Diariamente no meio da tarde ele sai da cidade de Ogaki, em Gifu, e percorre cerca de 150 quilômetros entre ida e volta para atender clientes na província de Shiga.

“Acho que o caminhão prevalece até agora pela praticidade de estar na porta das pessoas”, afirma.

Neste mercado, quando um pára de rodar, outro logo assume a linha, para não deixar a clientela na mão e claro, também de olho nas vendas. “Hoje não tem mais (caminhões rodando) como antes e com a crise de três anos atrás, muitos caminhões pararam”, observa.

O caminhoneiro percorre a mesma rota em Shiga faz 8 anos. “O que mais vende é carne e feijão, mas também o pão, assados. No inverno é melhor pra vender. No verão vão a praia, churrasco, então as vendas não são tão boas como no inverno”, conta.

Keila Kimura mora no bairro Toyosato, em Hikone, e conta que nos 9 anos que está no Japão sempre comprou nos caminhões de produtos. “Aqui a loja mais próxima fica em Nagahama, mesmo assim é longe pra quem não tem carro. É mais comodo esperar o caminhão vir, pra fazer a compra”.

“A gente compra aqui porque não precisa ficar saindo. A gente trabalha direto, quase não tem muito tempo”, complementa o cliente Laércio Paulo da Rosa.

Brasileiros em Shiga têm poucas opções de comércio brasileiro estabelecido. Moram em cidades como Nagahama, Maibara, Hikone, Ishigawa e Notogawa, e preferem viver no interior a grandes centros. “O que me segura aqui, primeiro lugar é a economia, estou longe de balada, dessas coisas”, diz Junior Santos. O casal Márcio Adania e Kelly Okuma estão no Japão faz 18 anos.

Ele tem um filho menor e nunca pensaram trocar o interior por um grande centro, ou por cidade com grande concentração brasileira. Ronaldo Takara, também veterano no Japão, se diz satisfeito com a região onde mora. E tem opinião formada sobre o caminhão de produtos.

“Isso é conveniente porque ajuda a gente. A gente tá chegando do serviço agora, e ele vem na porta da gente”. O atendimento a domicilio é programado pelo caminhoneiro conforme o horário que os clientes saem do trabalho. É assim que funciona desde que os primeiros brasileiros começaram a chegar ao Japão tem mais de 20 anos atrás.


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