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Osny Arashiro/ipcdigital.com
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As passistas Renata, Cinthya, Aline, Ananda e a mirim Ana Lúcia
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O bazar era beneficente mas nada de barulho ou gritarias como acontecem nas feiras e supermercados. O público com cerca de 400 pessoas se comunicava através de gestos e mímicas. A linguagem das mãos dava o tom deste evento realizado pelo Enshu Mimi no Sato, uma associação que reúne surdos-mudos da região de Hamamatsu (Shizuoka).
Barulho mesmo foi quando o Batucada de Hamamatsu entrou com suas passistas. Todos aguardavam esse instante e estavam curiosos para saber como o público iria reagir. No fim, a constatação de que o samba quebra mais uma barreira e constrói pontes de intercâmbio.
O show foi realizado dentro da programação do bazar beneficente, no palco do Ai Hall de Hamamatsu, dia 24 de novembro. As cortinas se abriram com Marcelinho no repinique, Bola na caixa, Magno Carioca no tamborim e Cleber no surdo. As passistas Cinthia, Ananda, Aline, Renata e a mirim Ana Lúcia entraram pelo fundo do salão, já animando a festa em meio aos presentes.
A reação foi das mais diversas. Sorrisos! Espantos! Admiração! Alguns balançavam a cabeça, outros batiam na palma da mão imaginando o ritmo. E outros observavam compenetrados. (Assista o vídeo. Imagens: Osny Arashiro/ipcdigital.com)
Os sambistas se apresentaram a pedido de Tadaaki Ogai, diretor da NPO Brasil Bunka Koriyu Shinkokai, que sempre promove eventos de intercâmbio Brasil e Japão. "Os deficientes auditivos não escutam, porém através das vibrações e observando como os demais acompanham o ritmo, eles também podem dançar", disse Ogai. "Essa experiência acontece em outras ocasiões, quando assistem a apresentações de taiko (tambores japoneses) por exemplo".
Cinderela dispensa palavras
Se existe adaptação de Cinderela para a ópera, pantomina, musical e filme, por que não para o teatro de surdo-mudos?
Faltou a carruagem de abóbora, é verdade. Mas acostumados a trabalhar com a imaginação, a platéia pouco exigente aplaudiu a peça em três atos, toda interpretada por gestos. Nessas horas, as palavras ficam em segundo plano. A cena do príncipe que procura pela dama que perdeu o sapato não necessita de diálogos. E a felicidade na hora do reencontro também dispensa apresentações. Basta olhar o ar de alegria de atores e platéia - uma comunidade de surdos-mudos em harmonia com a linguagem universal do conto da carochinha e que também conheceu a harmonia do samba oferecida por uma outra comunidade, a brasileira.