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/ Osny Arashiro/ipcdigital
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Ivan Nakamura e Eduardo Roedel são os organizadores da biblioteca do Consulado
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A biblioteca do Consulado Geral do Brasil em Hamamatsu (Shizuoka) já está funcionando. Atualmente, mais de 300 títulos estão disponíveis ao público leitor. Para retirar o livro é preciso ter a Matrícula Consular (veja na home page do consulado como providenciar o documento). Os pedidos dos livros são online, o leitor acessa a página “Biblioteca do Consulado” (www.consbrashamamatsu.jp/bibliotecaconsulado.html) escolhe o livro e formaliza o pedido. Os títulos estão divididos por temas: biografia, contos, crônicas, lendas, literatura, literatura de cordel, infanto-juvenil, mitologia, poesia, política internacional, quadrinhos e teatro. Alguns dos autores disponíveis são: Clarice Lispector, Jorge Amado, Tolstoi, Guimarães Rosa, Balzac, Victor Hugo, Mario Vargas Llosa, Érico Veríssimo, Flaubert, Dalton Trevisan, Nelson Rodrigues, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, entre outros.
Na medida do possível, os livros já catalogados online estão acompanhados de uma breve sinopse, além da fotografia da primeira capa, porém, ainda falta catalogar muitos livros. O leitor escolhe a data da retirada e se desejar, é possível enviar por takyubin a cobrar. Mesmo os residentes em outras províncias, de outra jurisdição consular, podem emprestar os livros. Escolas podem emprestar até 10 livros de uma vez, para que seus alunos possam ler e o prazo de devolução é de duas semanas, renováveis para mais duas semanas.
A idéia de montar uma biblioteca surgiu quando o vice-cônsul Eduardo Roedel Fernandez Silva visitou algumas escolas brasileiras. “Os alunos e professores comentavam comigo sobre a falta de livros e a necessidade de leituras. Na impossibilidade de disponibilizar livros para todas as escolas brasileiras, decidimos montar aqui no Consulado uma biblioteca que fosse de livre acesso a todos os cidadãos, não somente da província de Shizuoka, mas de todo o Japão, independente da sua jurisdição consular”, explica.
Inicialmente Eduardo entrou em contato com o MEC – Ministério da Educação, em Brasília e explicou a situação. Foi enviado então uma variedade de títulos. Posteriormente o Consulado recebeu algumas doações e no momento são mais de 300 títulos à disposição dos leitores.
A biblioteca também está aceitando doações de livros, mas primeiramente é preciso entrar em contato com o responsável pelo setor, o auxiliar-administrativo Ivan Nakamura. Para informações ou sugestões, solicita-se enviar email para: biblioteca@consbrashamamatsu.jp.
“Não queremos apenas receber livros, queremos que esses livros circulem, que vá de encontro ao leitor, que todos leiam. Livro na estante não faz sentido”, afirma o vice-cônsul.
CUIDADOS COM O LIVRO
O livro é de uso coletivo, muitos leitores terão acesso a ele, certos cuidados ao utilizá-lo são importantes:
1 - Manuseie-o com as mãos limpas; evite comer ou beber enquanto estiver lendo
2 - Procure mantê-lo bem conservado, sem rabiscos, dobras e sem recortes
3 - Ao concluir a leitura, devolva-o para a biblioteca
(Trecho do livro A hora da Estrela, de Clarice Lispector)
“Talvez a nordestina já tivesse chegado à conclusão de que a vida incomoda bastante, alma que não cabe bem no corpo, mesmo alma rala como a sua. Imaginavazinha, toda supersticiosa, que se por acaso viesse alguma vez a sentir um gosto bem bom de viver — se desencantaria de súbito de princesa que era e se transformaria em bicho rasteiro. Porque, por pior que fosse sua situação, não queria ser privada de si, ela queria ser ela mesma. Achava que cairia em grave castigo e até risco de morrer se tivesse gosto. Então defendia-se da morte por intermédio de um viver de menos, gastando pouco de sua vida para esta não acabar. Essa economia lhe dava alguma segurança pois, quem cai, do chão não passa”.
(Trecho de Mar Morto, romance de Jorge Amado)
"Lívia olha o mar morto de águas de chumbo. Mar sem ondas, pesado, mar de óleo. Onde estão os navios, os marinheiros e os náufragos? Mar morto de soluços, quedê as mulheres que não vêm chorar os maridos perdidos? Onde estão as crianças que morreram na noite do temporal? Onde está a vela do saveiro que o mar engoliu? E o corpo de Guma que boiava com longos cabelos morenos na água que era azul? Na água plúmbea e pesada do mar morto de óleo corre como uma assombração a luz de uma vela à procura de um afogado. É o mar que morreu, é o mar que está morto, que virou óleo, ficou parado, sem uma onda. Mar morto que não reflete as estrelas nas suas águas pesadas. Se a Lua vier, se a Lua vier com sua luz amarela, correrá por cima do mar morto e procurará como aquela vela o corpo de Guma, o de longos cabelos morenos, o que marchou pela estrada do mar para o caminho das Terras do Sem Fim, das costas da Arocá."