Shizuoka


Publicado em  22/02/2011 19:07

Brasil Fureai alerta sobre suicídios e saúde mental

Presidente do CRBE, Carlos Shinoda, pretende apontar problemas sociais aos governos

Japão , Shizuoka , Hamamatsu - Osny Arashiro/ipcdigital.com

/ Osny Arashiro/ipcdigital
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A primeira reunião deste ano, da NPO Brasil Fureai Kai, foi realizada em sua sede, em Hamamatsu (Shizuoka) na segunda-feira (21), com a presença de lideranças, voluntários, empresários e a imprensa japonesa.

A reunião teve início com as palavras do educador brasileiro radicado no Japão, Carlos Shinoda, eleito presidente do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), durante a III Conferência Brasileiros no Mundo, realizada em dezembro do ano passado, no Rio de Janeiro. Shinoda apresentou a composição do CRBE, com os 16 titulares das regiões América do Sul e Central, América no Norte e Caribe, Europa, e Ásia/África/OrienteMédio/Oceânia.

O professor Shinoda lembrou que durante as conferências fica difícil discutir os problemas e que “muitas pessoas pensam que o Japão, por ser um país de Primeiro Mundo, com alta tecnologia, não apresenta problemas sociais, o que é um engano”, afirma. “Um nikkey brasileiro na presidência do CRBE é uma abertura importante para dizer que temos problemas na educação, no setor trabalhista, na saúde, e poder levar aos governos propostas de soluções”.

Shinoda também lembrou que dos cerca de 3 milhões de brasileiros expatriados em todo o mundo, quase 100% dos residentes no Japão estão legalmente documentados, porém, entre o restante, cerca de 70% apresenta problemas com vistos ou estão indocumentados.

Carlos Zaha comunicou que a NPO Brasil Fureai recebeu diploma do Banco Suruga de Shizuola e a importância de 300 mil ienes, por reconhecimento da assistência prestada a brasileiros em 2010. Ele informou que em janeiro foram entregues apenas cinco cestas básicas, porém, no pico da crise econômica, chegou a entregar mais de 150 às pessoas necessitadas. “Atualmente temos recebido poucas doações de gêneros alimentícios, porém muitos brasileiros estão conseguindo trabalho temporário e vêm se mantendo”, explica.

Zaha chamou a atenção para a crescente necessidade de tratamentos psicológicos e psiquiátricos entre a comunidade brasileira e ressaltou o mais preocupante, suicídios entre os conterrâneos. Ele fez um balanço recente: em Iwata (Shizuoka) um jovem estudante de 16 anos enforcou-se; uma universitária de 20 anos (Universidade de Hamamatsu) que trabalhava numa loja de fast food foi encontrada morta, enforcada, em outubro; um rapaz de 19 anos foi encontrado morto no dia 7 de fevereiro, dentro do carro e não se sabe se foi suicídio ou overdose de drogas; um rapaz de 30 anos, casado e com trabalho, foi encontrado morto no dia 3 de janeiro, em aparente suícidio ao saltar do último andar do prédio onde residia; em Tóquio, uma moça de 20 anos foi encontrada morta em novembro, ela apresentava depressão.

Ao finalizar sua parte, Zaha mostrou a revista semanal de economia, Toyo Keizai, que em sua edição de 12 de fevereiro dedicou 61 páginas ao Brasil, em reportagem intitulada “Dança Brasil”.

Educação e saúde mental

A professora Angela Tsutsumi vem pesquisando as crianças brasileiras e tem diagnosticado alguns casos de alunos com autismo, mas o preocupante também é o crescente número de pessoas adoecendo mentalmente.

Em pareceria com a NPO Koryu Net, Tsutsumi pretende fazer um levantamento para saber o número real de pessoas que precisam de um tratamento específico. O plano é começar com as crianças brasileiras que estudam em escolas japonesas.

Takaharu Hayashi, presidente da NPO Koyu Net, contou que foi visitar uma família brasileira com duas crianças, porém, a própria mãe apresentava problemas psicológicos. O médico aconselhou a família a retornar, mas as crianças nada conheciam sobre o Brasil e não queriam ir embora. “Se não olharmos as pessoas fragilizadas, elas ficarão mais frágeis, mais à margem da sociedade; Japão é um país de japoneses, então se não notificarmos sobre os problemas dos estrangeiros, ninguém ficará sabendo”, disse Hayashida.

O professor Shinoda lembrou que no Japão existem cerca de 47 mil crianças brasileiras e muito tem se debatido sobre a questão da educação, porém, a questão da saúde mental dessas crianças ficou esquecida.

Próxima reunião da NPO Brasil Fureai Kai será no dia 28 de abril.


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COMENTÁRIOS
miriann (Quarta-Feira, 23 de Fevereiro de 2011, 15:48:52) x 279
2)
Ao contrário dos mais fervorosos sindicalistas picaretas pensam, "aceitar" não significa necessariamente "se submeter" e ter "humildade" não é ser "humilhação".
Muito mais fácil e rápido os problemas seriam solucionados se estas pessoas aceitassem que existe sim o choque cultural porque são Brasileiros vivendo em um país de Japoneses e tivessem a humildade ao pedir ajuda por esses problemas gerados pelo choque.
Sair gritando, acusando, exigindo e agindo como um déspota na arrogância de querer mudar um país, uma sociedade conforme as necessidades e dificuldades de uma pequena comunidade, não é a solução, melhor seria se perguntarem primeiro o que fizeram (ou não fizeram), que contribuiram para que estejam onde e como estão, antes de atacar pedra de um lado só.
MELISSA (Terça-Feira, 22 de Fevereiro de 2011, 21:50:30) x 1866
Alguns brasileiros que estao no Japao, alem de perder a identidade, perdem tambem o vinculo com a familia...Ficam carentes, sensiveis, inseguros, agressivos ao deparar com a solidao. Nem todos sabem/conseguem lidar com problemas aparentemente simples. Alguns comecam a apresentar sintomas de esquisofrenia, que se deixado de lado, tende a piorar, levando a pessoa ao suicidio. Por isso, eh importante que a pessoa tenha uma vida social, amigos para conversar,
familia que esteja atenta a qualquer atitude estranha. Enfim, nao deixe apenas passar como "cara ta pirado". Eh mais facil curar uma perna quebrada do que uma esquizofrenia ou depressao. Sao doencas que ninguem ve, sequer sabe que tem. Esta estressado? Entao, cuide-se!

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