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/ Osny Arashiro/ipcdigital
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“Não conseguia nem olhar no espelho”, afirma a brasileira A.T. que correu atrás de seus direitos
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No dia 6 de março de 2007, a brasileira A.T. residente em Hamamatsu, viajou até a capital da província, Shizuoka, para se submeter a uma cirurgia de implante de 270 ml de silicone em cada um dos seios. Segundo a paciente, foi uma operação simples, de cerca de uma hora, corte abaixo das axilas e anestesia na parte superior do tórax, pelo qual pagou ¥ 230 mil.
A paciente reconheceu posteriormente que o “barato saiu caro”. Dois anos depois, a prótese apresentou rejeição. Com muita insistência, apoio da imprensa japonesa, e intervenção da NPO Brasil Fureai, a clínica concordou em pagar uma indenização à brasileira, no valor de ¥ 350 mil. As documentações do acordo foram enviadas para ela nesse final de semana e divulgadas ontem, segunda-feira (21) durante a primeira reunião da NPO Brasil Fureai.
A brasileira relata como os fatos ocorreram. Ela retornou à clínica três dias depois, para check up de rotina, seus seios estavam inchados, mas era normal devido à cirurgia. Cerca de seis meses depois, começou a sentir dores, percebeu alguns nódulos e voltou ao médico, mas ele disse que era devido ao seu emagrecimento e a partir de quando começasse a ganhar peso, os nódulos iriam desaparecer.
Em outubro daquele ano, a brasileira começou a ter febres. Retornou novamente à clínica e o médico constatou baikin (bactérias) e receitou antibiótico.
As preocupações de A. T. aumentaram quando intensificou seus treinos, pois ela se dedica à academia como personal tainer. Se treinasse pesado, começava a sentir dores e o seio esquerdo demorava mais para se recuperar. Então, diminuiu os treinamentos. Em janeiro de 2009 parou os treinos ao perceber manchas roxas num dos seios. Seu organismo estava rejeitando depois de dois anos e seria preciso retirar a prótese. “Questionei o médico, perguntei porque descobriram a rejeição tardiamente? Então fui consultar outro médico de uma outra clínica e ficou confirmada a rejeição. Esse médico explicou que na hora de colocar a prótese, não foi aberto espaço suficiente e quando começou a cicatrizar, passou a apertar a prótese, causando a sua expulsão”, explica.
Para a brasileira, foi negligência médica porque ela sentia dores, mas os médicos da clínica deixaram avançar e agravar. Todas as vezes em que ela comparecia à clínica, nunca era o mesmo médico que havia atendido anteriormente. “Fiquei sabendo que os médicos eram estagiários e faziam rodízio, por isso nunca voltei a encontrar o médico que me havia operado”, afirma indignada. “A pele do meu seio esquerdo começou a necrosar, foi preciso retirar a prótese e o trabalho da retirada é pior do que o implante, mesmo assim ainda queriam me cobrar ¥ 30 mil pela operação”.
No dia 6 de março de 2010, exatamente dois anos após o implante, a brasileira fez a retirada da prótese. “Paguei por um serviço que era para ficar bonito, mas não ficou. Meu estado psicológico ficou muito abalado, não conseguia nem olhar no espelho”, conta.
Após a cirurgia de retirada da prótese, a brasileira foi buscar ajuda na NPO Brasil Fureai, que decidiu ajudá-la. Ela preferiu encerrar o assunto o quanto antes, embora a indenização solicitada inicialmente, de um milhão e meio de ienes, tenha sido recusada pela clínica.
“Com o dinheiro da indenização eu pretendia ir para o Brasil, fazer nova prótese, mas esse dinheiro é insuficiente. Então aconselho a todas as brasileiras para não ir atrás do barato e se informar melhor sobre o assunto, antes de se submeter a uma cirurgia. Bons médicos chegam a cobrar até ¥ 900 mil pela mesma cirurgia. Para a mulher que pretender melhorar a aparência, recomendo tomar cuidado, pois pode correr risco de vida ou até ficar deformada”.
Mais brasileiras prejudicadas
Carlos Zaha, presidente da NPO Brasil Fureai, explica que sua entidade não costuma lidar com assuntos desse gênero, mas decidiu ajudar A.T. porque era grave. “A clínica que faz um mal trabalho deve ser punida e as brasileiras precisam desconfiar daquilo que é barato”, afirma.
Após a denúncia de A.T., Zaha localizou mais cinco brasileiras que também tiveram problemas com a mesma clínica. Uma com os seios doloridos, outra não consegue trabalhar e outra ficou deformada. Normalmente as causas foram as mesmas, o mal preparo da instalação da prótese ou o espaço não adequado que posteriormente provocou o vazamento e a rejeição.
“Uma brasileira foi embora com dores, para se tratar na Unicamp. Os médicos de lá ficaram incrédulos. Como o Japão, um país de Primeiro Mundo, tem uma medicina desse nível, malfeito?”, conta Zaha. “Quando fui negociar na clínica reparei que os médicos eram muito jovens, então eram estagiários ou estudantes. O fato de ser barato, tem um motivo”.
Segundo Zaha, durante as negociações, os responsáveis não admitiam a culpa, diziam que o problema era da própria rejeição do organismo da pessoa, mas depois de muita insistência, eles admitiram o trabalho mal feito e aceitaram ressarcir o prejuízo.
“Então juntem um bom dinheiro e procurem por profissionais competentes”, aconselha Zaha.