|
/ Osny Arashiro/ipcdigital
|
|
Classe Nozomi está sendo ministrada em uma das salas da HICE
|
|
|
Ô Tia!!! Assim algumas crianças se dirigiam à professora no primeiro dia de aula da Classe Nozomi (Nozomi Kyoshitsu), realizado hoje, segunda-feira (14). A professora corrigiu para sensei, esse é o termo polido para essa situação. Choque cultural é comum. A criança brasileira chama a professora da maneira afetiva. A criança japonesa deve chamar a professora da maneira respeitosa.
Esses ensinamentos fazem parte das regras de condutas, boas maneiras e idioma japonês que a Classe Nozomi está proporcionando a seus oito alunos, na faixa etária entre sete a 13 anos.
A Classe Nozomi ocupa uma das salas da HICE – Fundação para Comunicação e Intercâmbio Internacional de Hamamatsu, e está sendo ministrada pela coordenadora brasileira Elaine e a japonesa Fujii, de segunda à sexta-feira, das 9h00 às 16h00, até o dia 30 de março.
O projeto foi idealizado por dois voluntários (eles pediram sigilo quanto a seus nomes, para evitar promoções pessoais) depois que a escola do ensino fundamental da Igreja Católica de Hamamatsu (Shizuoka) encerrou as atividades no dia 17 de dezembro do ano passado, deixando 21 jovens sem local para continuar seus estudos.
“Algumas daquelas crianças ingressaram em escolas brasileiras, outras em escola japonesas, mas verificamos que uma parcela delas não iria frequentar nenhum banco escolar, por razões diversas. Então conversamos com seus pais e eles decidiram que suas crianças iriam para a escola japonesa”, esclarece um dos voluntários. “Porém, elas estão deficitárias quanto ao idioma japonês, então é preciso fazer um trabalho reeducacional, no idioma japonês e nas regras de comportamentos, para que essas crianças não sofram quando ingressarem no shogakko a partir do próximo mês de abril”.
“Fomos na Prefeitura de Hamamatsu, onde nos receberam muito bem e prometeram nos ajudar no que for possível. Então decidimos criar a Classe Nozomi, com o objetivo de readaptar e amenizar as diferenças entre aqueles que só frequentaram escola brasileira e agora vai se transferir para uma escola japonesa”, explica o voluntário. “O primeiro passo é ensinar o idioma japonês e a segunda etapa será inserí-los nas escolas japonesas e se possível, fazer também o acompanhamento escolar para sabermos se a criança está se adaptando ou não”.
O serviço de transporte (mukae) também é voluntário. O motorista busca e leva até a porta da casa de cada criança. Cada aluno deve levar seu bentô (refeição). Na parte da manhã, a aula é de idioma japonês, na parte da tarde é sobre o cotidiano do Japão, estudos sociais, regras de comportamento.
Apresentação
O primeiro ensinamento é o jiko shokai (auto-apresentação). A professora Fujii se apresenta e pede para lembrar do Monte Fuji, assim não esquecem do nome dela. Cada aluno se levanta e diz o nome, depois a professora pergunta nansai desuka? (qual a sua idade?) e otanjoubi (data do aniversário). Ih!! Meu aniversário já passou!!! Responde um aluno em português. A professora pede para responder em japonês. Assim, ele aprendeu a data de aniversário à maneira japonesa, falando o mês primeiro e depois o dia.
A professora lembra que hoje é dia de Valentine's Day, a maioria das crianças diz que para elas significa Dia dos Namorados. Dessa forma, aprenderam o verbo agueru (oferecer) e moraeru (receber) chocolate. Em seguida, vem a pergunta suki na koto? (do que gosta?). As respostas foram variadas, Tokyo Disney, sakkaa (futebol), Jusco Depato, koen (jardim), kaimono (compras), pasokon (computador).
Cada criança recebeu uma folha escrita com os silabários hiragana. A professora pede para que elas escrevam o nome e o bairro onde moram, copiando os hiraganas da folha. Com alguma dificuldade, elas cumprem a tarefa. Até o próximo mês de abril, quando se inicia o ano letivo escolar japonês, elas prometem estar afiadas no nihongo e chamar a professora de sensei.