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/ Osny Arashiro/IPC
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Estudantes do ensino fundamental da Escola Conhecer de Fukuroi
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Ciro Yoshioka, diretor da Escola Conhecer, de Fukuruoi (Shizuoka), mostrou-se indignado com a palestra do advogado e presidente do CIATE, Masato Ninomiya, sob o tema Voltar ou Ficar? - A situação dos brasileiros que retornaram ao Brasil, ministrada no dia 23 de janeiro, no Centro Multicultural de Hamamatsu e veiculada no International Press, através deste site (veja link ao lado).
Um dos temas abordados pelo palestrante foi a questão da educação das crianças brasileiras no Japão, no qual expressou que “essas crianças falam o português, sim! Mas não sabem escrever! Não tem condições de entrar na série correspondente em escola no Brasil”.
Ciro Yoshioka discorda de tal afirmação, no que se refere à escola da qual é diretor. “Temos vários depoimentos de brasileiros retornados que ingressaram em universidades, inclusive na USP. Tivemos um aluno que hoje cursa geografia na USP, embora ele tenha passado em primeiro lugar no vestibular para oceanografia, mas preferiu o curso de geografia”, afirma o diretor. “Na semana passada recebi e-mail de um outro ex-aluno que este ano se forma em computação na Fatec, do projeto educional Etec – Fatec”.
As Etec (Escolas Técnicas) são escolas do ensino médio para os setores industrial, agropecuário e serviços, enquanto as Fatec são cursos superiores de tecnologia em 49 setores diversos, entre os quais, automação industrial, biocombustíveis, eletrônica automotiva, etc.
Yoshioka lembra que mantém contatos com ex-alunos via e-mail, Orkut ou Facebook, pois deseja acompanhar a trajetória deles, que são motivo de orgulho para a sua escola, pois diretamente fez parte da vida acadêmicas desses estudantes.
“O senhor Masato Ninomiya não deveria generalizar as escolas durante suas palestras”, pede o diretor. “Ao contrário, gostaríamos que ele nos ajudasse a facilitar a vinda de educadores brasileiros sem ascendência japonesa, pois uma das exigências para se obter o visto de entrada é ter pelo menos 10 anos de experência no setor educacional. Se a entrada de professores no Japão fosse facilitada, ajudaria muito as escolas a trazer seus educadores”, explica.
“O senhor Ninomiya poderia usar a sua influência para abolir um artigo da Constituição japonesa que impede o governo de investir dinheiro público em escolas privadas. Sabemos que mudar uma constituição é muito difícil, mas sempre existe a possibilidade de se formular uma medida provisória ou uma liminar que permitisse ajudar um pouco as escolas privadas ou estrangeiras. Havendo uma demanda, mesmo a longo prazo, essa idéia poderia ser estudada pois existem governos provinciais com vontade de ajudar as escolas privadas”, afirma o diretor.
“Quem sabe com a força de pessoas politicamente influentes, poderia haver reformulações, pois o valor das mensalidades das escola brasileiras não é fácil para os pais pagarem, justamente porque não somos subsidiados pelo governo. A opção é colocar as crianças em escolas japonesas que, por serem subsidiadas pelo governo, ficam mais em conta”.
“Os pais brasileiros pagam seus impostos em dia, entretanto não podem usufruir do direito da educação dos seus filhos. Se pudéssemos buscar pelo menos uma parte dos impostos que os pais dos alunos pagam, para a formação escolar, seria bem mais produtivo”, sugere.
“No tocante ao governo brasileiro, se o senhor Ninomiya pudesse nos ajudar com sua influência, gostaríamos que ele apoiasse a vinda da “Prova Brasil” nas escolas brasileiras do Japão, pois ainda não conseguimos através do MEC”.
A Prova Brasil foi criada em 2005 pelo Ministério da Educação, na qual participam todos os estudantes de escolas públicas, do 5° e 9° anos do ensino fundamental e na 3° série do ensino médio, com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro.
Segundo Yoshioka, ao participar da Prova Brasil, a qualidade das escolas ficaria em evidência e se fosse aplicada no Japão, evitaria generalizações porque os resultados são divulgados publicamente. Ele exemplifica: “se a Escola Conhecer obtivesse uma boa média em relação às demais, através desse índice os pais poderiam avaliar quais escolas estão realmente ensinando ou não. E as escolas, por sua vez, teriam de correr para melhorar a qualidade do ensino”.