Dedicação e paixão pelo Brasil. Foi isso o que os japoneses mostraram no primeiro concurso de oratória organizado pelo Consulado do Brasil em Hamamatsu (Shizuoka) e pela Fundação para Comunicação e Intercâmbio Internacional de Hamamatsu (HICE) com patrocínio do Banco do Brasil. Um após o outro, os 23 candidatos testaram a proficiência no idioma português. E revelaram muita intimidade com o Brasil.
O tema foi livre. Cada um pôde ousar e falar do que mais lhe interessava. Um dos candidatos se lembrou da experiência que teve ensinando japonês a brasileiros da cidade de Londrina, no estado do Paraná. E mostrou aos jurados o pequeno tesouro que trouxe de lá. “Com essa camiseta, os meus alunos sempre estão no meu coração”, afirmou.
A participante Yoko queria permanecer no Brasil por mais tempo. Precisou voltar, porque ficou sem o visto. “Estou pensando como agradecer os brasileiros, né. E agora para ajudar os brasileiros daqui do Japão. Vou aprender mais português para eles também gostarem mais do Japão”, diz.
Mesmo quem nunca foi, tem paixão pelo país. Como Hideyuki Doi que ensina italiano em Hamamatsu e foi terceiro colocado no concurso. “Para mim, o Brasil é um país muito artístico e filosófico”, aponta.
O título de vice ficou com Nobuya Nakajima, aposentado que resolveu se dedicar ao português e à prática de montanhismo. A campeã foi Miki Fuji. Hoje, ela fala o português com sotaque lusitano, mas foram os brasileiros quem despertaram o interesse dela pelo idioma.
“Sou de Aichi, onde muitos brasileiros vivem e havia muitas oportunidades de ouvir a língua portuguesa. Mas não sabia o que elas estavam a me dizer. Então, queria aprender”.
O concurso não limitou as inscrições por idade. Um candidato de 80 anos disse que resolveu estudar para não perder a lucidez.
Para participar desta primeira edição do concurso era preciso ser japonês com experiência no aprendizado do idioma. Mas a regra pode mudar na próxima edição. “A gente nota que há muitos brasileiros que nunca estiveram no Brasil, crianças brasileiras que nem falam português. Talvez no ano próximo apresentemos também uma nova forma, mais amplo o concurso de forma que possa aceitar também brasileiros que nunca estiveram no Brasil”, explica o cônsul do Brasil em Hamamatsu, José Antonio Piras.
“Acho que é uma forma de divulgar a cultura brasileira e uma forma de incentivar as pessoas a continuarem estudando a língua”, disse Eliseu Picchiteli, professor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto. O concurso de oratória quer manter o português vivo entre os novos apaixonados e quem precisa de um empurrãozinho.