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/ Marcio Manji/IPC
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Marcelinho pretende no Brasil seguir com o “samba pra japonês ver”
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Minasan, nihongo 5% dake (gente, só falo cinco por cento do idioma japonês), assim começa mais uma apresentação da Batucada de Hamamatsu, com o líder e show man Marcelinho Nagashima e seu humor irreverente ao mostrar o samba para “japonês ver e ouvir”. Foi o último show de Marcelinho da Batucada no Japão. Ele, sua esposa Cynthia e os dois filhinhos retornam para São Paulo no próximo final de semana, após 15 anos vivendo em solo japonês. A apresentação foi na Disco Young-Adult, em Hamamatsu (Shizuoka) no domingo (6), com um dinner show regado a muito samba e sorteios de diversos brindes.
Aos amigos de sempre, Marcelinho diz que gostaria de tentar a vida no Brasil fazendo o que sempre fez no Japão, “o samba pra japonês ver” em festas de casamentos, bonenkai de empresas, matsuris entre outros. Seu público alvo serão os japoneses lá presentes, entre empresários e funcionários de multinacionais. “Lá no Brasil, os japoneses vão gostar de ver um brasileiro sambista falando Minasan, nihongo 5% dake, porque da mesma forma que sentimos saudades do Brasil, eles sentem do Japão”, acredita Marcelinho.
Para os amigos mais chegados, Marcelinho revela a dor do seu drama familiar. Ele já havia perdido um irmão, quando transportava dinheiro da empresa e foi vítima de assaltantes. E no começo de janeiro, perdeu outro irmão também em circunstâncias trágicas. Marcelinho volta ao Brasil para fazer companhia à mãe que ficou sozinha e continua abalada.
Mas o show não pode parar. Ao subir no palco, Marcelinho deixa o drama pessoal no camarim. E segue dizendo que “agora também sei um pouco de inglês, ladies and gentleman!!! E também aprendi, boys and girls!!!”, quando se refere aos seus músicos e passistas.
A platéia formada por brasileiros e japoneses ri da simplicidade do Marcelinho, com seu chapéu de malandro do Morro e calças largas para poder sambar. Seus trejeitos lembram mesmo um Charles Chaplin pagodeiro, de cavaquinho ou repinique, mas ao tocar Brasileirinho só no cavaquinho, Marcelinho coloca o instrumento nas costas e o ritmo não desafina. Eis um Jimmy Hendrix do Cavaco.
Durante o show, Marcelinho chama o amigo japonês Gary Sugita, promoter, pandeirista e fundador da Escola Unidos do Urbana, de Nagoya (Aichi). No dueto, Gary fez malabarismo no pandeiro. Para Marcelinho, o papel do samba é entreter e integrar o Brasil com Japão, razão pela qual com seus cinco por cento de idioma japonês, ele tenta divulgar o melhor da arte brasileira. E também não deixa de cantar em japonês o sucesso de Tsuyoshi Nagabuchi, Kanpai, e Shima Uta, de Kazufumi Miyazawa (The Boom) quando arranca aplausos do público japonês.
Marcelinho também relembrou o Carnaval de Hamamatsu 2006, ocasião em que compôs o samba de enredo Ohayou, … é bom dia, ohayou / e boa noite, kombanwa / seja de noite ou de dia / Batucada vai tocar... E da vida sofrida surgiu / Pagode lá no Tenryu / E da vida sofrida surgiu / Batucada é meu Brasil.
Na ausência de Marcelinho da Batucada, o Carnaval de Hamamatsu perde sua expressão máxima, muito embora os músicos integrantes ainda permaneçam no Japão. Os pagodes e rodas de samba de Hamamatsu e região, por enquanto ficarão na saudade. Hamamatsu, conhecida como a Cidade mais Brasileira do Japão, perde mais uma porção de sua identidade verde-amarela.