A psicóloga Kiyoko Nakagawa percorre o Japão anualmente para falar sobre o projeto Kaeru e ajudar brasileiros com filhos a prepararem o retorno ao Brasil. Nesses encontros com pais e educadores, Kiyoko fala das dificuldades enfrentadas por quem já voltou e tenta a reintegração no Brasil.
“A escola japonesa é muito diferente da escola brasileira. A criança se sente muito mal, não gosta mas eu acho que outra coisa é a família que não prepara direito a criança para voltar”, analisa a coordenadora do projeto.
A série de palestra que ocorrem sempre nesse período do ano ajuda a minimizar o choque do retorno. Por onde passa, Kiyoko ouve as mesmas dúvidas. São inquietações como as de Adriano Iwamura. Ele tem dois filhos em escola japonesa e vive há mais de 20 anos no Japão.
“Acho que a primeira prioridade é saber qual é a hora certa de ir embora. Se espero terminar a escola aqui ou não. A segunda dúvida é como eu poderia achar uma escola boa para o lugar em que estou indo”, questionou. Kiyoko aconcelha a fechar o ano letivo no Japão. “Na volta, ele (aluno) perde um mês e meio de aula no Brasil, mas lá a criança vem com o certificado que concluiu aquele ano pelo menos”, explicou.
O projeto Kaeru foi criado três anos atrás, como apoio na reinserção das crianças em escolas públicas de São Paulo. Na prática, acaba fazendo muito mais. “Com as crianças, a gente dá assistencia emocional, essa diferança cultural. Fazemos a criança ficar com vontade de estudar e aprender”, conta. A falta de documentos é um dos problemas mais comuns registrados pelo projeto Kaeru. Para quem pensa em voltar, Kiyoko dá uma recomendação importante: falar do Brasil.
“O Brasil funciona de uma forma diferente. Mas eu gostaria que os pais não mostrassem um Brasil perigoso, um Brasil complicado, mas um Brasil que pode ser agradável para a criança. Vai ser diferente, com certeza, mas a diferença não é uma coisa pior”, aponta.
A série de palestras com a psicóloga Kiyoko Nakagawa percorreu as cidades de Toyohashi (Aichi), Hamamatsu (Shizuoka), Nagahama, Kouka (Shiga), Tsu (Mie) e Komatsu (Ishikawa). Mais informações no site projetokaeru.org.br