Tokyo


Publicado em  26/10/2010 17:30

Executivo da Petrobras é candidato ao CRBE

Newton Sonoki que criar uma NPO para atuar junto às crianças brasileiras

Japão , Tokyo


1Sonoki

Quem é o candidato Newton Sonoki?

Tenho 53 anos de idade e nasci na cidade de Adamantina (SP). Sou formado em Geologia pela Universidade de São Paulo, pós-graduado em Análises de Bacias pela Universidade Federal de Ouro Preto, com MBA em Marketing e Propaganda pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e MBA Executivo pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Quando a Petrobras abriu o Escritório de Representação no Japão, em 2000, fizemos parte desse trabalho. Por isso costumava fazer constantes visitas ao Japão desde essa época, sendo que nos últimos 5 anos estou residindo no país em função das atividades profissionais. Tenho cerca de 30 anos de trabalho na Petrobras. Exerci cargos em áreas técnicas e também como Relações Públicas Internacional da mesma empresa por oito anos. Atualmente estou exercendo o Cargo de Diretor de Marketing e Logística da BJE- Brazil Japan Ethanol, empresa criada através da joint-venture entre a Petrobras e a Nippon Alcohol Hanbai, responsável pela introdução do uso do etanol brasileiro no mercado combustível japonês.

Por que se candidatou ao cargo?

Como Diretor Executivo da Câmara de Comércio Brasileira no Japão (CCBJ), cargo voluntário, temos contato com diversos representantes da comunidade brasileira no Japão. Nesta função me sinto bastante preocupado com a situação dos brasileiros no Japão, principalmente das crianças, que enfrentam problemas, desde a educação básica, seja em japonês seja em português, até a convivência social neste país. Como um dos empregados da maior empresa brasileira, temos contato com diversas autoridades japonesas e/ou brasileiras, o que pode ajudar nos relacionamentos de alto nível para desenvolvermos algumas atividades voltadas ao bem estar da comunidade. Neste sentido, já estou atuando através do Fundo de Auxílio à Comunidade Brasileira, administrado pela Embaixada do Brasil de Tokyo e também como membro consultivo da Fundação Mitsui & Co., Ltd., que tem apoiado várias escolas brasileiras no Japão e no Brasil. A minha candidatura prevê o intenso relacionamento com as empresas japonesas de grande porte com filial no Brasil, NPOs, ONGs, políticos, embaixadas e consulados. Acredito que essa união de correntes canalizada possa resolver mais rápido o problema da comunidade brasileira no exterior. Pretende dar maior atenção na área da educação, pois sempre foi a base para qualquer desenvolvimento do cidadão. Assim, conto com a sua ajuda para conseguir introduzir no Japão o ensino obrigatório das crianças estrangeiras no Japão, garantindo um direito universal adquirido.

Quais os pontos positivos e negativos da presença dos brasileiros no país após 20 anos de movimento dekassegui?

Para responder esta pergunta será necessário voltar alguns anos, porém, resumidamente acredito que o grande ponto positivo da presença dos brasileiros no arquipélago está relacionado à grande capacidade dos trabalhadores brasileiros, que a exemplo dos imigrantes japoneses ao Brasil, tem contribuído muito para o crescimento da economia japonesa, inclusive trazendo na bagagem novos hábitos, como músicas, roupa, festas, enfim mostrando toda cultura do povo brasileiro aos japoneses. O fato dos brasileiros terem vindo ao Japão para efetivamente e somente “ganhar” dinheiro e retornar à terra natal, acabou tirando a prioridade no aprendizado da língua japonesa. Mesmo porque como a convivência ocorria somente entre brasileiros, não havia necessidade de se aprender o português. Mas a crise mostrou claramente que aqueles que se dedicaram a aprender a língua japonesa tiveram um impacto muito menor na sua empregabilidade. Na maioria dos casos, os trabalhadores brasileiros vieram para o Japão com o propósito de trabalhar por cerca de 2 a 5 anos, mas a realidade se mostrou muito mais difícil, e foram se estendendo, sendo que existem casos de mais de 20 anos por aqui, inclusive trazendo toda a família para morar no Japão. Neste exemplo, como o ensino da língua japonesa aos seus familiares não teve prioridade, hoje nos deparamos com alto número de crianças/adolescentes que não frequentam escolas nem japonesas nem brasileiras, ficando ociosos a maior parte do tempo, se tornando alvo muito fácil para a marginalidade.

Qual é o maior problema da comunidade hoje e como saná-lo?

Acredito que o maior problema dos brasileiros atualmente residentes no Japão se refere a não definição do seu status, isto é, há necessidade de uma decisão, pois se quiser se tornar um imigrante, o mesmo deverá investir no conhecimento da língua japonesa, em adquirir uma moradia, enfim, em se tornar realmente um cidadão japonês. Caso contrário, o mesmo será sempre um trabalhador temporário. Neste caso, estará sempre sujeito às intempéries da oscilação do mercado. Neste ponto entendo que ocorrem os maiores problemas na comunidade, pois não existe intenção de investir na sua própria formação, nem na de seus filhos, criando uma categoria de cidadãos sem uma definição clara, pois não falam nem japonês e muitas vezes nem português. De acordo com alguns poucos dados estatísticos, cerca de 23 mil crianças brasileiras no Japão se encontram fora das escolas, seja japonesa, seja brasileira, pois os responsáveis não conseguem arcar com a parte financeira, ou porque estas crianças não tiveram uma pré-alfabetização para iniciar a vida escolar. Estou, particularmente, me envolvendo na criação de uma NPO para apoiar toda e quaisquer atividades relacionadas à educação destas crianças. Pretendo também interagir com os políticos japoneses para se criar uma obrigatoriedade dos pais estrangeiros a colocar seus filhos nas escolas, à exemplo dos pais japoneses.

Como reduzir o índice de criminalidade entre os nossos jovens?

O que devemos fazer é criar atividades para preencher o tempo livre destas crianças/adolescentes, por exemplo com atividades culturais, esportivas, música, dança, que preencham o tempo disponível delas. Ao mesmo tempo introduzir a cultura brasileira, fazendo com que estas crianças/adolescentes se orgulhem de terem uma origem brasileira, imigrantes ou não. Lembro que durante o início da minha adolescência eu freqüentava muito o kaikan perto da minha casa, e era um local onde os nosso pais discutiam todos os problemas que afetavam a comunidade japonesa. Era o local onde tínhamos aulas de japonês e também praticávamos muito esporte. Hoje, aqui no Japão, temos vários centros comunitários organizados, com apoio médico, legal, ensino de línguas, além de uma série de atividades sócio-culturais, que no meu entendimento está sendo muito pouco utilizado pela Comunidade Brasileira no Japão. Tenho a certeza que estes centros podem ser aglutinadores das atividades dos nossos filhos, contribuindo enormente para que eles não se tornem alvos da criminalidade.

O que diria ao brasileiro que não sabe se deve ficar no Japão ou retornar ao Brasil?

O Brasil vem se destacando economicamente, atingindo níveis de crescimento da década de 60/70, época do milagre brasileiro, com estabilidade na moeda e crescimento sólido, o que tem atraído o interesse de grandes investidores e grandes empresas internacionais com interesses em se estabelecer no Brasil. Com a expectativa da realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil está gerando inúmeras oportunidades de trabalho, de modo que o País apresenta alta demanda interna por produtos e serviços, constituindo-se um cenário de oportunidades jamais vista no Brasil. Com todo este cenário otimista e com o desaquecimento da indústria japonesa, não é preciso ser nenhum especialista para perceber que o brasileiro que não se adaptou por aqui tem, agora, uma excelente oportunidade para retornar a sua terra natal, podendo colaborar imensamente para a construção de uma nova potência mundial nas próximas décadas.

Como o brasileiro deve se preparar para o futuro no Japão?

O brasileiro que já está adaptado por aqui, isto é, aquele que estudou japonês e está inserido na comunidade local, deve se tornar um imigrante brasileiro no Japão. Como todo país desenvolvido, a demanda por serviços é o grande impulsionador das atividades econômicas, e especialmente no Japão, onde a média da idade alcança 90 anos de longevidade, as demandas dos serviços para a terceira idade são extremamente atraentes. Levando em consideração a grande criatividade dos brasileiros, tenho certeza que novas oportunidades surgirão por aqui, desde que eles estejam inseridos na sociedade, isto é, falando, lendo e conversando em japonês fluentemente.

Envie uma mensagem final aos eleitores.

Estou muito motivado para trabalhar voluntariamente para a nossa comunidade. Conto com a sua participação neste processo, me apoiando e me elegendo como um dos membros do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE) e, para isso, gostaria de receber comentários, críticas e sugestões para as nossas futuras ações através do e-mail sonoki.crbe@gmail.com, para que eu realmente seja o porta-voz das necessidades dos brasileiros que vivem no Japão.


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