Tokyo


Publicado em  24/07/2012 22:09

Impressões de meu primeiro Brazilian Day. Por Edson Xavier

"Comparar o Brazilian Day Japan com o realizado em Nova York, sem nunca ter estado em nenhum dos dois festivais, é falta de informação".

Japão , Tokyo


Impressoes-de-meu-primeiro-Brazilian-Day
Yoshio Muranaga e Edson Xavier

 

 

Era 1994 em Atsugi/Kanagawa, exatamente nesta mesma época do ano. Recém chegado ao Japão com minha mulher Daniela - contratado para a redação do também recém fundado jornal International Press -, vi meu então chefe Yoshio Muranaga, fundador do grupo IPC, lançar a idéia de promover alí uma festa brasileira.

Ele comprou os instrumentos para um improvisado grupo de samba, providenciou barracas de comidas e bebidas, e o festival aconteceu sob sol escaldante de verão. Éramos poucos brasileiros no Japão - bem contados a soma indicava 170 mil em todo o país. Poucos viviam em Kanagawa e menos ainda em Atsugi, onde ficava a sede do jornal. Mesmo assim, foi sucesso o matsuri verde-amarelo.

 

Esse prólogo saudosista justifica-se. Há alguns anos não me avistava com Yoshio Muranaga, que transferiu os negócios e direção da empresa aos filhos. Casualmente, domingo, tivemos reencontro no Brazilian Day em Tokyo. E observando a multidão concentrada no parque Yoyogi, lembramos a semente por ele lançada lá atrás nos idos de 94 em Atsugi.

Yoshio Muranaga é exatamente isso, semeador de idéias sem medo de ousar e empreendedor na concepção mais literal, desde os tempos de imigrante japonês que chegou a pintar placas e vender sorvetes em Belém do Pará até projetos de sucesso como a criação do jornal, fundação da IPCTV e junção como afiliada da Globo Internacional.

A Organização do Brazilian Day Japan tem a mão de várias empresas de apoio e patrocínio, e o corpo inteiro do grupo IPC, não é segredo. Mas o sucesso do evento tem ainda um dedo de Yoshio Muranaga, mesmo que indiretamente e embora ele negue qualquer envolvimento. "Aqui eu não vejo, não ouço e não falo", me garantiu ele à frente do estande da IPCTV e revista Vitrine, onde até posamos para foto. Acredito, mas não há como negar que é uma idéia que ele inconscientemente plantou - e se há méritos a serem contabilizados, o nome de Yoshio deve constar da lista.

Desde que o Brazilian Day foi produzido pela primeira vez sete anos atrás, sempre por uma ou outra razão não tive como participar. Ou havia pautas a cumprir na sucursal de Nagoya, ou estava em viagem, ou as tarefas em Tokyo relacionavam-se mais ao Departamento Comercial da empresa. Nos últimos três anos, não me senti atraído pelos shows e com dúvidas sobre a real dimensão da festa optei por não ir.

Este ano, porém, pude enfim conferir de perto o festival. E surpreendeu o que vi - uma miscigenação de raças, estrangeiros de diversas nacionalidades, japoneses de diferentes localidades, brasileiros em uma profusão de cores e todos com incontida alegria por terem um fim de semana diferente no parque.

 

Muita gente ! Muita gente mesmo, especialmente no domingo, quando a maioria folga e se permite viajar até Tokyo para um dia de lazer, além dos residentes locais. Sempre duvidei da veracidade dos números de público em eventos, principalmente quando o organizador é quem divulga - parece sempre que inflacionam a estimativa de visitantes, projetando número maior para valorizar o evento.

Perguntei a vários colegas domingo que público estimavam no parque. Ninguém arriscou, nem eu, calcular aquela multidão de verde-amarelo - incluindo japoneses usando nossas cores. O mais aceitável que ouvi foi que havia 30 mil pessoas. Não me estranhou, pois foi o que imaginei quando escalei a torre das câmeras de TV onde trabalhavam os colegas Suzuki-san e Roberto Nakamura, em frente ao palco, e olhei nas quatro direções. Um amontoado de gente, um burburinho, um colorido com a mistura de línguas e sotaques, daqueles que só se vê em grandes festas no Brasil.

E me fez pensar. Tanta gente critica o Brazilian Day sem nunca ter ido. Confesso que eu próprio já torci o nariz em determinadas ocasiões ao saber das "atrações" do festival. A conclusão é óbvia: muitas vezes as críticas são injustas e sem fundamento - é como não gostar de uma comida que nunca se provou. Você pode não gostar desta ou daquela empresa que apoia e participa da festa, podem não ser artistas do teu gênero musical preferido, a distância pode ser impecilho. Mas há de se tirar o chapéu a quem se propõe a promover um festival como este, por dois dias, e com uma infra-estrutura gigantesca como a que conferi. E sem cobrar ingresso !

Ouvi pessoas compararem o Brazilian Day Japan com o realizado em Nova York, sem nunca ter estado em nenhum dos dois festivais. Acho que isto é falta de informação, para não dizer imbecilidade. Nos Estados Unidos o festival é promovido faz 28 anos, e por lá vivem quase 2 milhões de brasileiros, incluindo os indocumentados. Aqui faz apenas 7 anos, e depois do que vi em Tokyo neste último fim de semana, não tenho dúvidas que o Brazilian Day Japan vai ganhar proporções ainda bem maiores. Auguri ! Parabéns a todos os envolvidos na produção.

Em tempo: a explosão brasileira em território americano será dia 2 de setembro, no Litle Brazil (46th Station) em Nova York.

 


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